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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Portugal acabou com a mentira: há alternativa à austeridade, escreve o The Guardian



O título do artigo do The Guardian diz quase tudo: “Não há alternativa à austeridade? Essa mentira está agora desvendada”. Portugal é o tema central. Mas se há uns tempos o país era a montra da austeridade, hoje é um exemplo exatamente pelo oposto. Mal abrimos o artigo, encontramos o Bairro Alto, em Lisboa. É esta a fotografia escolhida para ilustrar o artigo de opinião que dá uma bofetada a todos quantos garantiam que não havia alternativa à austeridade.
Os cortes duros e demorados que foram apresentados como a única solução para a sobrevivência, depois da crise financeira que mergulhou muitos países num caos económico, são para o jornal inglês, uma falácia. Uma mentira que foi desvendada: “Graças a Portugal, sabemos quão grande foi o falhanço desta experiência forçada na Europa”, lê-se no artigo de opinião assinado por Owen Jones.
O colunista explica como Portugal, um dos países europeus mais atingidos pela crise económica, enfrentou um resgate com duras medidas de austeridade “exigidas pelos credores e aplicadas com entusiasmo” pelo governo liderado por Pedro Passos Coelho.
O jornal lembra algumas das medidas tomadas como a privatização de serviços públicos, aumento do IVA, a sobretaxa de IRS, salários e pensões, e outros benefícios, reduzidos. E aponta como os “cortes devastadores” na educação, na saúde, segurança social tiveram “consequências humanas terríveis”. Mas, em tom de ironia, lê-se: “tudo isso era necessário para curar a doença do excesso de gastos. Foi a lógica”.
Depois da crítica à falácia da austeridade, o The Guardian explica como tudo mudou a partir do final de 2015 com a geringonça, aquilo a que o jornal chama “uma nova experiência de governo” liderada pelo primeiro-ministro António Costa e apoiada pelos partidos da esquerda radical. Prometeram virar a página da austeridade, contra todos aqueles que previam o desastre, ou mesmo uma tragédia grega, à la Syriza, mas o “desastre prometido não se materializou”.
O jornal inglês escreve, mesmo, que o governo português se pode orgulhar, ao ter conseguido um crescimento económico sustentável, um aumento de 13% no investimento, redução do défice em mais de metade para 2,1%, o mais baixo de sempre em quatro décadas, apenas um ano depois de ter assumido o poder. E remata: “esta é a primeira vez que Portugal cumpre as regras orçamentais da zona euro”, referindo-se à saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). “E entretanto, a economia cresce há treze trimestres consecutivos”.
O artigo, que faz o governo português corar de elogios, faz crer que Portugal “pode oferecer-se como um modelo para o resto do continente”. E diz porquê: “conseguiu aumentar o investimento público, reduzir o défice, reduzir o desemprego e alcançar um crescimento económico sustentado”. Tudo isto devolvendo rendimento e confiança às pessoas e atraindo de novo os investidores. Numa frase: “Portugal conseguiu aquilo que nos tinha sido dito que era francamente impossível”.
O sucesso de Portugal é “inspirador e frustrante” porque levanta questões perturbadoras: “Para quê esta miséria humana na Europa? E a Grécia, onde mais da metade dos jovens caiu no desemprego, onde os serviços de saúde foram dizimados, onde a mortalidade infantil e o suicídio aumentaram? E Espanha, onde centenas de milhares foram expulsos de suas casas? E França, onde a insegurança econômica alimentou o crescimento da extrema direita?”. 
A lição à Europa chega no fim: “Portugal dá a todos uma valente repreensão. A esquerda europeia deve usar a experiência portuguesa para remodelar a União Europeia e travar a austeridade em toda a zona euro. Ao longo da década perdida da Europa, milhões de nós consideraram que havia uma alternativa. Agora temos a prova.


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