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quinta-feira, 8 de junho de 2017

HOMICÍDIO É A CAUSA DA MORTE DE MAIS DA METADE DOS JOVENS BRASILEIROS


Segundo “Atlas da Violência”, do Ipea, população negra possui chance 23,5% maior de ser morta. “A cada 1% a menos na taxa de desemprego, a taxa de homicídio diminui 2,1%”, diz pesquisador
Mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, segundo o Atlas da Violência 2017, relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que se baseia no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, para analisar a questão no País, divulgado nesta segunda-feira (5).
O homicídio foi a causa de mortalidade de 53,8% dos jovens brasileiros do sexo masculino com idade entre 15 a 19 anos em 2015.
Segundo o relatório, assassinatos de jovens entre os 15 e os 29 anos vinham crescendo menos nas últimas décadas – 89,9% nos anos 1980, 20,3% nos 1990 e 2,5% nos 2000. No entanto nesta faixa etária entre 2005 e 2015 registrou-se um aumento de 17,2%. No Rio Grande do Norte no mesmo período o aumento de homicídios entre 15 e 29 anos foi de 299,6%.
“Não se investe adequadamente na educação infantil (a fase mais importante do desenvolvimento humano). Relega-se à criança e ao jovem em condição de vulnerabilidade social um processo de crescimento pessoal sem a devida supervisão e orientação e uma escola de má qualidade, que não diz respeito aos interesses e valores desses indivíduos”, afirma o estudo, que ainda aponta que “quando se rebela ou é expulso da escola (como um produto não conforme numa produção fabril), faltam motivos para uma aderência e concordância deste aos valores sociais vigentes e sobram incentivos em favor de uma trajetória de delinquência e crime”.
O estudo revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde à maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.
Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência.
“Jovens e negros do sexo masculino continuam sendo assassinados todos os anos como se vivessem em situação de guerra”, compara o estudo.
A violência avançou contra negros entre 2005 e 2015 de modo geral, não só na juventude. Enquanto houve um crescimento de 18,2% na taxa de assassinatos de negros, a mortalidade de indivíduos não negros diminuiu 12,2%.
Levando em conta todas as faixas etárias, houve 59.080 homicídios registrados no Brasil em 2015, número que equivale a uma taxa de 28,9 homicídios por cada 100 mil habitantes. Quase uma década atrás, em 2007, a taxa foi cerca de 48 mil.
“Há, no Brasil, uma licença para matar, desde que isso aconteça fora das áreas nobres das cidades”, diz Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo.
“Trata-se de um número exorbitante, que faz com que em apenas três semanas o total de assassinatos no país supere a quantidade de pessoas que foram mortas em todos os ataques terroristas no mundo, nos cinco primeiros meses de 2017, e que envolveram 498 casos, resultando em 3.314 indivíduos mortos”, compara o relatório.
Este aumento de 48 mil para quase 60 mil mostra uma naturalização do fenômeno por parte do poder público. Daniel Cerqueira explica que a naturalização dos homicídios se dá por processo históricos e econômicos de desigualdade no país, “que fazem com que a sociedade não se identifique com a parcela que mais sofre com esses assassinatos”, afirma.
Entre os estados, o de São Paulo foi o que apresentou a maior redução, 44,3%. Já no Rio Grande do Norte, a violência explodiu com um aumento de 232%.
“Apesar de esse fenômeno ser denunciado há anos por organizações não-governamentais de direitos humanos e movimentos sociais, e de recentemente ter entrado na agenda estatal com a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado sobre o assassinato de jovens, o Estado brasileiro ainda não foi capaz de formular e implementar um plano nacional de redução de homicídios”, destaca o Atlas da Violência.
Em 2015, cerca de 385 mulheres foram assassinadas por dia, somando um total de 4.621 no ano, o que corresponde a uma taxa de 4,5 mortes para cada 100 mil mulheres.
A porcentagem de homicídio de mulheres cresceu 7,5% entre 2005 e 2015, em todo o País. Roraima, Goiás e Mato Grosso lideram com as maiores taxas de homicídios de mulheres. No Maranhão, houve um aumento de 124% na taxa.
A questão racial também afeta as mulheres. A mortalidade entre não negras caiu 7,4% em 10 anos até 2015, enquanto a de negras aumentou 22%. De acordo com a pesquisa, 65,3% das mulheres assassinadas no último ano eram negras.
Outro ponto que está diretamente ligado ao crime nas cidades, elevando as taxas de homicídios é o fim do crescimento econômico, a falta de empregos e com isso piores condições de vida. “O crescimento econômico via mercado de trabalho faria diminuir a taxa de crimes. A cada 1% a menos na taxa de desemprego, a taxa de homicídio diminuiu algo em torno de 2,1%. A crise está incentivando o crime em várias unidades federativas”, salientou Daniel Cerqueira.
FONTE: Jornal Hora do Povo.

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