BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















sexta-feira, 22 de abril de 2016

GETÚLIO VARGAS



Era meu desejo, logo que assumi o Governo da República, visitar os Estados de Minas Gerais e Paraíba, expressões simbólicas, no Centro e Norte do país, das nossas reivindicações liberais. Circunstâncias estranhas à minha vontade, ampliadas, no correr dos dias, com as necessidades imperiosas da alta administração, retardaram a realização desse desejo, que, além de um dever cívico, seria motivo de íntima satisfação. Venho, agora, realizar a primeira dessas aspirações.
Queria expressar-vos pessoalmente o meu profundo reconhecimento pela espontaneidade e entusiasmo com que o povo mineiro aceitou a minha candidatura, sugerida pela palavra, nesse momento precursora, de Antônio Carlos, o primeiro que, numa clarividente certeza, vislumbrou, na curva longínqua do horizonte, a borrasca revolucionária. Precisava manifestar-vos, de viva voz, a minha admiração pelo ardor cívico, pela energia, pela constância e dignidade com que, escudados e fortalecidos nas vossas tradições do liberalismo, sustentastes, com denodo, a campanha da sucessão presidencial.


Recordo, senhores, com respeito, a firmeza de Minas nessa luta sem tréguas contra o poder pessoal do homem que, na chefia da Nação, se desmandou no emprego de todos os processos da violência, extremados entre a corrupção e a força, para abater o adversário altivo, fechando-lhe, finalmente, numa última afronta, o recurso derradeiro das urnas livres. Era de meu dever, por isso, trazer o testemunho pessoal do meu aplauso à bravura e ao desassombro dos heroicos filhos desta terra lendária, que, vilipendiados nos seus direitos, espoliados na escolha dos mandatários da sua soberania, se ergueram em armas, para lutar contra o Governo, que se pusera fora da lei e tentava, por todos os meios, o desprestígio da própria nacionalidade.
Fora da lei os opressores, mas, ao alcance das armas os oprimidos - lançastes mão do único recurso que vos restava para evitar a ruína da Pátria.
Ainda não surgiu o historiador que descreverá com verdade a epopeia da vossa bravura e a audácia do vosso gesto, atirando-vos à pugna, com nobre desinteresse, dispostos aos maiores sacrifícios.
Para que o povo mineiro, pacífico por índole, que durante quase um século viveu entregue ao seu labor fecundo, isento de convulsões, sendo, por várias vezes, o asilo respeitado onde se refugiavam os perseguidos políticos de qualquer credo e de dentro dos seus limites não sentira jamais os efeitos de um estado de sítio, para que esse povo se levantasse em armas, vibrante de ardor cívico, tendo à sua frente a figura prestigiosa e venerada de seu grande presidente Olegário Maciel, era preciso que estivessem esgotadas, como de fato o foram, todas as reservas da sua proverbial serenidade e que um alto sentimento, misto de dignidade ofendida e exaltação patriótica, o dominasse, arremessando-o ao fragor das lutas armadas.
E, convém seja dito e repetido, quando Minas interveio no problema da sucessão presidencial, tinha como certo poder decidi-lo dentro dos preceitos constitucionais, sem jamais apelar para resoluções extremadas. Ao início da campanha, desejávamos, apenas, conquistar o respeito à livre manifestação das urnas, cooperando, assim, para o aperfeiçoamento da cultura política do povo, pelo evolver natural do nosso sistema de Governo, impondo respeito à opinião nacional. A prepotência, a brutalidade e a fraude fecharam- nos, porém, todas as portas, a ponto de termos de forçá-las pelas armas, para evitar o suicídio moral da Nação.
Ouso afirmar ter sido isso um bem para o Brasil. A evolução armada, isto é - a Revolução, quebrando todas as resistências e abatendo as múltiplas ficções constitucionais que entorpeciam a marcha do país à posse de si mesmo e destruindo, ao mesmo tempo, o respeito humano ao trôpego liberalismo, apenas de fachada, que nos manietava, vinha permitir reformas mais amplas e providências de maior eficácia para o nosso aparelho governamental.
Obra do povo, a Revolução, demonstrando a vitalidade do país, comprovou, de forma clara e palpitante, o valor das forças nutrizes da nacionalidade. Esforço popular e coletivo, as suas conquistas não podiam circunscrever-se à órbita dos partidos ou das facções políticas, que exerciam o monopólio das funções públicas, detendo a seu favor a posse exclusiva das posições.
Agora, atravessamos o período da convalescença. Dentro dele, devemos sanear a alta administração dos elementos viciados que a corrompiam. Punidos os que traficaram à sombra das funções que desempenhavam, urge a criação de uma mentalidade nova, sadia e forte, capaz de assumir, por intermédio dos seus líderes de fato, os encargos que lhe competem, não mais permitindo a retrogradação dolorosa aos métodos anteriores - causa de todos os males passados.
Cabe, aqui, rápida síntese do estado do país no momento da vitória revolucionária: ruína financeira, expressa em continuados déficits, que, por magia de algarismos, se transformavam em saldos alvissareiros; esbanjamento dos dinheiros públicos, sem termo nem medida, produzindo o enriquecimento dos apaniguados na direção dos negócios do Estado; o peculato instaurado como regra normal de administração e, predominando por sobre todos esses males, agravando-os, formidável crise de depressão econômica.
Esta, a herança que recebemos. Anima-nos, porém, a confiança de que, após severo regime de economia e de moralidade administrativa, postas em execução as reformas de ordem financeira que estão sendo elaboradas, em prazo menor do que se esperava, reporemos o Brasil em situação de prosperidade e segurança. Em vez do ambiente de mentira e de artifício, então reinante, estabeleceremos a verdade e a franqueza como norma e, em substituição ao otimismo, composto de hipocrisia e ignorância, com que nos iludiam, a realidade da situação, sem nada ocultarmos ao país.
Mesmo assim, apesar da economia a que nos obrigamos e dos profundos cortes nas despesas, motivados pela anarquia administrativa anteriormente dominante e atingido, ainda, por forte desequilíbrio econômico, que se reflete no decréscimo das rendas, tem sido intenso e profícuo o trabalho do Governo Provisório em todos os ramos de administração pública.
 PARA ATINGIR O IDEAL DOS SALDOS-OURO
Inicialmente, para firmar o nosso crédito no exterior, faz-se mister assegurar o equilíbrio da nossa balança comercial, procurando, paulatinamente, atingir o ideal dos saldos-ouro.


Para isso alcançar, não poderemos fugir ao dilema: - aumentar a exportação ou diminuir a importação. O primeiro alvitre é o mais difícil de ser realizado, no momento, em vista da crise generalizada da superprodução, que afeta a economia universal, acrescida da concorrência dos preços baixos, em artigos similares, e do ânimo defensivo de todos os países, porfiando em se bastarem a si mesmos. No entanto, não olvidamos esforçar-nos nesse sentido, como demonstram várias iniciativas, já postas em prática, com o fim de aumentar a exportação, conseguindo para a produção brasileira novos escoadouros.
De outro lado, impõe-se-nos, como medida natural de defesa econômica, única ao nosso alcance, a redução da importação. Nesse terreno, providências múltiplas são aconselháveis, e o Governo não se tem descurado de promover a sua aplicação: procura intensificar o uso do álcool combustível; conseguir o aumento da produção do trigo, preconizando, mesmo, o fabrico do pão misto, e empenha-se por obter melhor aproveitamento do carvão e do algodão nacionais.
A par disso, devemos aceitar, como postulado cívico o compromisso de ampliar as nossas lavouras e aperfeiçoar as nossas indústrias, de forma tal que passe a ser considerado deslize de patriotismo alimentarmo-nos ou vestirmo-nos com tecidos ou gêneros importados.
A nossa época marca na história do mundo grave momento de sérias transformações sociais: a guerra que abalou o Ocidente exigiu dos povos hercúleo esforço de ação e de trabalho e, feita a paz, legou à humanidade métodos novos de industrialização de todas as culturas, dando às indústrias, pelo império da máquina, capacidade para produzir jamais atingida.
Daí, proveio a superprodução, fenômeno causador da crise atual. Hoje, intensificar e ampliar a produção é problema facilmente solúvel, dependendo, apenas, de capital, atividade e competência técnica; mas o corolário correlato, difícil de resolver, é a conquista dos mercados, e, para realizá-la, digladiam-se todas as nações civilizadas.
Devemos empregar, por conseguinte, o melhor e máximo esforço no estudo dos mercados onde possamos colocar os nossos produtos, procurando conhecê-los minuciosamente, para agir com segurança. Com o fito de aumentar a exportação, todos os meios devem ser empregados, sendo perfeitamente recomendável, em muitos casos, deixando de parte a moeda como simples expressão de valor, fazer a permuta direta de mercadorias, velho método comercial da antiguidade, agora em moda, que tem a vantagem de não permitir a emigração do ouro, destinado às aquisições no exterior.
O momento é propício para vos anunciar importante modificação, que pretendo levar a efeito, aproveitando a soma de poderes que a Nação conferiu ao Governo Provisório e que lhe permite realizar, com relativa facilidade, reformas radicais, impossíveis de execução em período de normalidade constitucional. Procuraremos, em breve tempo, resolver definitivamente duas velhas questões que não podem deixar de ser atendidas, no momento de reconstrução política e administrativa que atravessamos. Ouvidos previamente os Estados interessados, impõem-se-nos duas medidas de ordem econômica e financeira de alto alcance. Uma, referente aos impostos interestaduais, que, em alguns casos, se assemelham à verdadeira guerra de tarifas entre determinadas circunscrições federativas, grande mal, talvez o maior, decorrente do acúmulo de erros, legado oneroso do passado e que nos cumpre enfrentar e extinguir. Outra diz respeito ao imposto de exportação, por cláusula constitucional, receita dos Estados, renda antieconômica, repudiada pela maioria dos países produtores e que convém seja reduzido ao mínimo possível. Passando-se a sua arrecadação a encargo da União, único meio de uniformizar-lhes as taxas, permitir-se-á, ao mesmo tempo, atender a ponto grave da nossa economia - o complexo caso das dívidas externas dos Estados.
O problema das dívidas estaduais demanda urgente solução, visto como se reflete pesadamente sobre o crédito do país no exterior. Alguns Estados assumiram compromissos superiores à sua capacidade orçamentária e a falta de cumprimento das disposições contratuais, a que se obrigaram, quanto a juro e amortização, abala, nos círculos financeiros, europeus e americanos, o bom nome do Brasil, com grave prejuízo para a economia e finanças nacionais.
Presidente Getúlio Vargas em visita a CSN em 1950

Faz-se mister, como providência sábia e inadiável, que a União, fiadora moral e de fato desses débitos, assuma a responsabilidade efetiva deles, encampando, em seu conjunto, as dívidas externas estaduais.
Haveria com isso dupla vantagem: primeira, de alta valia, consistindo na firmeza do nosso crédito; segunda, de real auxílio à indústria e à lavoura, permitindo-lhes grande surto, pois, em vez da multiplicidade de gravação, variável de Estado a Estado, impor-se-ia a uniformidade de uma taxa mínima, quanto bastasse a satisfazer o custeio da dívida consolidada, externa, dos Estados. Aqueles não assoberbados do ônus de tais compromissos veriam invertidas em melhoramentos materiais, úteis ao desenvolvimento das duas fontes de riqueza, a contribuição que lhes coubesse e, com os saldos globais apurados, formar-se-ia o capital de um grande Banco de Crédito Agrícola, destinado a amparar a produção nacional.
Seria, essa medida, de natureza temporária, com finalidade precisa, uma vez que o rumo para o qual devemos orientar nossa marcha é o da completa extinção dos impostos de exportação. A transferência do referido tributo ao Governo Federal, sua consequente uniformidade e redução, constituiria, para obtermos esse resultado, passo seguro e decisivo.
 O PROBLEMA SIDERÚRGICO


Mas o problema máximo, pode dizer-se, básico da nossa economia, é o siderúrgico. Para o Brasil, a idade do ferro marcará o período da sua opulência econômica. No amplo emprego desse metal, sobre todos precioso, se expressa a equação do nosso progresso. Entrava-o a nossa míngua de transportes e a falta de aparelhamento, indispensável à exploração da riqueza material que possuímos imobilizada.
O ferro é fortuna, conforto, cultura e padrão, mesmo, da vida em sociedade. Por seu intermédio, abastecem-se de água as cidades e irrigam-se as lavouras. Dele se faz a máquina, e é força. Por ele se transporta a energia, florescem as indústrias, movimentam-se as usinas. Na terra, sobre fitas de aço, locomotivas potentes encurtam distâncias e aproximam regiões afastadas, que permutam, com rapidez, os seus produtos. Sobre as águas, é o navio a força propulsora que o aciona, fazendo-o singrar velozmente mares e rios. No ar, é o motor do aeroplano mantendo-o em equilíbrio e aligeirando-lhe o voo. É, finalmente, a trave do teto, o lume para o lar e, ao mesmo tempo, a arma para a defesa da Pátria.
Creio poder, portanto, afirmar que a grandeza futura do Brasil depende, principalmente, da exploração das suas jazidas de ferro.
E o ferro é Minas Gerais.
Aos mineiros, cujo próprio nome indica certa predestinação histórica nesse sentido, deve caber o esforço maior na conquista dessa glória. Minas possui montanhas de ferro, com capacidade para satisfazer as necessidades do consumo mundial durante séculos. Exploremo-las, adquirindo, com trabalho tenaz e inteligência prática, a abundância e a independência econômica.
Muito teremos feito dentro de breve tempo se conseguirmos libertar-nos da importação de artefatos de ferro, produzindo o indispensável ao abastecimento do país. Nacionalizando a indústria siderúrgica, daremos grande passo na escalada ao alto destino que nos aguarda. O nosso engrandecimento tem que provir da terra, pelo engrandecimento da agricultura. Mas, o esforço para esse fim se esteriliza e fraqueia, ao lembrarmo-nos que todo o maquinismo, desde o arado que sulca o seio da gleba até ao veículo que transporta o produto das colheitas, deva vir do estrangeiro.
Para dar realidade a essa justa aspiração, tão intimamente ligada à vida e ao fortalecimento da nacionalidade, quase tudo depende de vós, da vossa energia, da vigilância do vosso patriotismo e do vosso Governo, tão digno da nobreza do povo mineiro.
Na solução desse problema, em que se enquadra a fórmula principal do nosso progresso e do qual depende, evidentemente, a ascensão do Brasil, podeis contar com o Governo Federal, que mobilizará a totalidade dos recursos disponíveis, para vos auxiliar.
A tarefa é árdua. Fazei dela um ideal. O ideal é ainda a alma de todas as realizações. O mesmo idealismo que fez surgir por entre as montanhas sagradas de Minas as aguerridas hostes de seus filhos, em marcha para a redenção da República, transforme-se, agora, em idealismo construtor, fazendo-os curvar-se sobre a montanha fecunda para arrancar das suas entranhas a riqueza e a prosperidade da Pátria.
Completando, finalmente, o meu pensamento, no tocante à solução do magno problema, julgo oportuno insistir, ainda, em um ponto: a necessidade de ser nacionalizada a exploração das riquezas naturais do país, sobretudo a do ferro. Não sou exclusivista nem cometeria o erro de aconselhar o repúdio do capital estrangeiro a empregar-se no desenvolvimento da indústria brasileira, sob a forma de empréstimos, no arrendamento de serviços, concessões provisórias ou em outras múltiplas aplicações equivalentes.
Mas, quando se trata da indústria do ferro, com o qual havemos de forjar toda a aparelhagem dos nossos transportes e da nossa defesa; do aproveitamento das quedas d'água, transformadas na energia que nos ilumina e alimenta as indústrias de paz e de guerra; das redes ferroviárias de comunicação interna, por onde se escoa a produção e se movimentam, em casos extremos, os nossos exércitos; quando se trata - repito - da exploração de serviços de tal natureza, de maneira tão íntima ligados ao amplo e complexo problema da defesa nacional, não podemos aliená-los, concedendo-os a estranhos, e cumpre-nos, previamente, manter sobre eles o direito de propriedade e de domínio.
Precisamos convir que a obra da Revolução, além de ser vasta obra de transformação social, política e econômica, é, também, nacionalista, no bom sentido do termo. Não percebem esses efeitos profundos do movimento vitorioso, somente, os espíritos superficiais ou as consciências obcecadas. O ritmo revolucionário ninguém poderá modificá-lo antes que se encerre o ciclo das aspirações brasileiras não satisfeitas, porque a reação pelas armas, no Brasil, partiu do povo, com o concurso decisivo das classes armadas, que se colocaram ao lado da Nação, impulsionadas e fortalecidas pelo conjunto de todas as forças renovadoras, em estado latente.
Como parte integrante das multidões patrióticas que salvaram a Nação da iminente derrocada rebelando-se, cabe a vós, mineiros, preeminente quinhão de glória, pela audácia dos feitos e pela soma dos sacrifícios.
São estas as palavras de saudação e reconhecimento, que não podia deixar de dirigir ao glorioso povo de Minas Gerais, onde a natureza, prodigalizando-se, modelou, pela rigidez do ferro, abundantemente escondido nas entranhas da terra fértil, a têmpera do caráter dos seus filhos, a cuja dedicação e devotamento deve ser confiada a missão de presidir ao ressurgimento da Pátria nova.

O povo cubano vencerá


Fidel fala ao VII Congresso do PC cubano

  Discurso do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, no encerramento do 7º Congresso do Partido Comunista no dia 19. A seguir, a íntegra do pronunciamento.

  Constitui um esforço sobre-humano dirigir qualquer povo em tempos de crise. Sem ele, as mudanças seriam impossíveis. Participar em uma reunião como esta, na qual se congregam mais de mil representantes escolhidos pelo próprio povo revolucionário, que neles delegou sua autoridade, significa para todos a honra maior que tem recebido na vida, a esta se soma o privilégio de ser revolucionário, o que é fruto de nossa própria consciência.
 Por que me tornei socialista, mais claramente, por que me converti em comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por parte daqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despojados desde que foram privados de todos os bens materiais que proveem o trabalho, o talento e a energia humana. Desde quando o homem vive nesse dilema, ao longo do tempo sem limite. Sei que vocês não necessitam esta explicação, mas talvez alguns ouvintes, sim.
 Falo simplesmente para que se compreenda melhor que não sou ignorante, extremista, nem cego, nem adquiri minha ideologia por minha própria conta estudando economia.
 Não tive orientador quando era estudante de leis e ciências políticas, nas quais aquela tem um grande peso. Logicamente que então tinha por volta de 20 anos e era aficionado ao esporte e a escalar montanhas. Sem orientador que me ajudasse no estudo do marxismo-leninismo, não era mais que um teórico e, certamente, tinha uma confiança total na União Soviética. A obra de Lênin ultrajada depois de 70 anos de Revolução. Que lição histórica! Pode-se afirmar que não deverão transcorrer outros 70 anos para que ocorra outro acontecimento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grandiosa revolução social que significou um enorme passo na luta contra o colonialismo e seu inseparável companheiro, o imperialismo.
  Porém, talvez o maior perigo que hoje paira sobre a terra derive do poder destrutivo do armamento moderno que poderia socavar a paz do planeta e tornar impossível a vida humana sobre a superfície terrestre.
 Desapareceria a espécie como desapareceram os dinossauros, talvez houvesse tempo para novas formas de vida inteligente ou talvez o calor do sol cresça até fundir todos os planetas do sistema solar e seus satélites, como grande número de cientistas reconhece. Se forem certas as teorias de vários deles, as quais os leigos não ignoramos, o homem prático deve conhecer mais e adaptar-se à realidade. Se a espécie sobreviver um espaço de tempo muito maior as futuras gerações conhecerão muito mais do que nós, embora primeiro terão que resolver um grande problema. Como alimentar os bilhões de seres humanos cujas realidades se chocariam irremissivelmente com os limites de água potável e recursos naturais de que necessitam?
  Alguns ou talvez muitos de vocês se perguntem onde está a política neste discurso. Creiam-me que lamento dizer, mas a política está aqui nestas moderadas palavras. Tomara muitos seres humanos nos preocupemos por estas realidades e não continuemos como nos tempos de Adão e Eva comendo maçãs proibidas. Quem vai alimentar os povos sedentos da África sem tecnologias a seu alcance, nem chuvas, nem reservatórios, nem mais depósitos subterrâneos que os cobertos por areias? Veremos o que dizem os governos que quase em sua totalidade subscreveram os compromissos climáticos.
  Há que martelar constantemente sobre estes temas e não quero estender-me além do imprescindível.
  Daqui a pouco farei 90 anos, nunca teria me ocorrido essa ideia e isso nunca foi fruto de um esforço, foi teimosia do acaso. Logo serei já como todos os demais. A todos nós chegará a nossa vez, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se se trabalha com fervor e dignidade, pode-se produzir os bens materiais e culturais de que os seres humanos necessitam, e devemos lutar sem trégua para obtê-los. A nossos irmãos da América Latina e do mundo devemos transmitir que o povo cubano vencerá.
  Talvez seja das últimas vezes que eu fale nesta sala. Votei em todos os candidatos submetidos a consulta pelo Congresso, e agradeço o convite e a honra de me escutar. Cumprimento a todos e, em primeiro lugar, ao companheiro Raúl Castro por seu magnífico esforço.
  Empreenderemos a marcha e aperfei-çoaremos o que devamos aperfeiçoar, com lealdade meridiana e a força unida, como Martí, Maceo e Gómez, em marcha sustentada.
FIDEL CASTRO

INTERESSANTE A DIFERENÇA


O inesperado do caso é que o desabamento ocorreu exatamente no trecho onde foi construído o viaduto Rei Alberto, em 1920. A construção, com quase 100 anos, resistiu ao tempo, às marés e às ressacas. 

Já a moderna, desabou na primeira ressaca, três meses depois de inaugurada. Custou mais de quarenta milhões. Dá pra se ficar com“uma pulga atrás da orelha”.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

IMPEACHMENT - O VOTO DA DEP. TIA ERON







“Negra, porém bonita e inteligente”: quem é Tia Eron, deputada aliada de Cunha. Por Sacramento

Entre os enigmas que fazem do Brasil um país desaconselhável para principiantes estão os negros que defendem os privilégios da elite branca.

A mais nova estrela dessa turma, capitaneada por Fernando Holiday, do MBL, é a deputada Tia Eron, do PRB da Bahia, partido ligado à Igreja Universal.
Eron ganhou fama após ingressar no Conselho de Ética da Câmara dos deputados, onde corre o processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha.
Ela ocupa a vaga deixada por Fausto Pinato (PP/SP), que renunciou, e pode ser um voto favorável ao deputado acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.
“É um presidente que fez essa Casa produzir como nunca, que limpou as gavetas de projetos que estavam parados, tem minha admiração e meu respeito. Mas na questão do processo, como julgadora, preciso fazer a análise, fazer a observação de tudo”, diz ela sobre o gangster que ajudou a colocar na presidência da Câmara.
Dias depois entrar na comissão, a deputada votou pelo impeachment da presidente Dilma, ocasião em que fez um discurso meritocrático ao estilo Holiday.
“Senhor presidentes, senhoras e senhores deputados, povo brasileiro, muito honrada nesta noite, porque eu sou a voz da mulher negra e da mulher nordestina, que não quer mais a migalha do governo federal, porque tem dignidade para trabalhar e para vencer”, gritou antes de votar “sim, sim, sim”.
Ela não explica quais migalhas são essas. Poderiam ser cotas raciais, mas em seu blog consta que ela comemorou a implantação de cotas nos concursos do judiciário e nos tempos de vereadora em Salvador deu entrada em dois projetos indicativos de reserva de vagas para negros em concursos públicos.
Apesar disso, votou pela injusto impedimento da chefe de um governo que em três anos inseriu 150 mil estudantes negros em universidades.
O que pode explicar a lealdade a um tipo como Cunha é a necessidade de seguir as ordens do partido e assim garantir o mandato. Embora mulher e negra, umas das 10 deputadas que se declaram pretas ou pardas, Eron não parece ser uma defensora ferrenha das minorias.
Nas postagens que faz nas redes sociais, há muitas referências ao presidente do partido, o advogado Marcos Pereira, e quase nada a assuntos pertinentes à comunidade negra, como o elevado percentual de pessoas desse grupo racial entre as vítimas de homicídio.
Em um post no seu blog oficial, em que aborda o voto feminino, ela sequer mencionou o nome de Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita deputada no país e uma das principais referências do movimento negro brasileiro.
Embora tenha projetos no campo racial, como o projeto de 1749/2015, que tipifica o crime de injúria racial, Tia Eron seguiu a orientação do partido e votou a favor da redução da maioridade penal, mesmo que a medida aumente o encarceramento de jovens negros.
As alianças com tipos conservadores como ACM Neto e Eduardo Cunha e a forma asséptica com que aborda o problema do racismo deixam a impressão de que Tia Eron é a típica negra que por má fé ou auto-ódio renega as origens para aproveitar as vantagens de se inserir em um ambiente de maioria branca.
Uma informação sutil disponível no site do partido corrobora com esta hipótese. Nesta página, a deputada se apresenta como Eron Vasconcelos Carvalho, formada em Administração de Empresas e Direito.
No site Câmara, contudo, a biografia aparece um pouco diferente: ela se apresenta com o humilde nome de Eronildes Vasconcelos Carvalho e informa ter curso superior incompleto.
Mas ela pode maquiar o nome, turbinar o currículo acadêmico e só abordar de leve a problemática racial que continuará sendo uma mulher negra.
Por mais que pareça inserida entre a maioria masculina e branca do Congresso, sempre vai surgir um lembrete do que a sociedade machista e racista pensa das negras, como o de um certo Luiz Carlos Nogueira ao elogiar a postura da deputada na votação do impeachment.
“Você é negra, porém bonita e inteligente. Votou como verdadeira patriota, pelo impeachment da Dilma”.
O trabalho parlamentar de Tia Eron ajudaria a tornar comentários como este cada vez mais raros, se ela não estivesse de conluio com conservadorismo que há séculos detém o poder.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

FRENTE POPULAR GETULISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.


EM CADA CASA, ESCOLA, UNIVERSIDADE, LOCAL DE TRABALHO, BAIRRO, MUNICÍPIO, ESTADO, NESTE PAÍS, É HORA DE ORGANIZARMOS A FRENTE POPULAR GETULISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.

"Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.
"Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação."
"Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência..." GETÚLIO VARGAS.

DIA 19 DE ABRIL DIA DE NASCIMENTO DO BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO GETÚLIO DORNELES VARGAS

O discurso de posse do presidente Getúlio, naquela tarde de novembro de 1930. É um dos maiores documentos da História do Brasil.



GETÚLIO VARGAS
O movimento revolucionário, iniciado, vitoriosamente, a 3 de outubro, no Sul, Centro e Norte do País, e triunfante a 24, nesta Capital, foi a afirmação mais positiva que, até hoje, tivemos da nossa existência como nacionalidade. Em toda a nossa história política, não há, sob esse aspecto, acontecimento semelhante. Ele é, efetivamente, a expressão viva e palpitante da vontade do povo brasileiro, afinal senhor de seus destinos e supremo árbitro de suas finalidades coletivas.
No fundo e na forma, a Revolução escapou, por isso mesmo, ao exclusivismo de determinadas classes. Nem os elementos civis venceram as classes armadas, nem estas impuseram àqueles o fato consumado. Todas as categorias sociais, de alto a baixo, sem diferença de idade ou de sexo, comungaram em um idêntico pensamento fraterno e dominador: - a construção de uma Pátria nova, igualmente acolhedora para grandes e pequenos, aberta à colaboração de todos os seus filhos.
O Rio Grande do Sul, ao transpor as suas fronteiras, rumo a Itararé, já trazia consigo mais da metade do nosso glorioso Exército. Por toda parte, como, mais tarde, na Capital da República, a alma popular confraternizava com os representantes das classes armadas, em admirável unidade de sentimentos e aspirações.
Realizamos, pois, um movimento eminentemente nacional.
Essa, a nossa maior satisfação, a nossa maior glória e a base invulnerável sobre que assenta a confiança de que estamos possuídos para a efetivação dos superiores objetivos da Revolução brasileira.
Quando, nesta cidade, as forças armadas e o povo depuseram o Governo Federal, o movimento regenerador já estava, virtualmente, triunfante em todo o País. A Nação, em armas, acorria de todos os pontos do território pátrio. No prazo de duas ou três semanas, as legiões do Norte, do Centro e do Sul bateriam às portas da Capital da República.
Não seria difícil prever o desfecho dessa marcha inevitável. À aproximação das forças libertadoras, o povo do Rio de Janeiro, de cujos sentimentos revolucionários ninguém poderia duvidar, se levantaria em massa, para bater, no seu último reduto, a prepotência inativa e vacilante.
Mas, era bem possível que o Governo, já em agonia, apegado às posições e teimando em manter uma autoridade inexistente de fato, tentasse sacrificar, nas chamas da luta fratricida, seus escassos e derradeiros amigos.
Compreendestes, senhores da Junta Governativa, a delicadeza da situação e, com os vossos valorosos auxiliares, desfechastes, patrioticamente, sobre o simulacro daquela autoridade claudicante o golpe de graça.
Os resultados benéficos dessa atitude constituem legítima credencial dos vossos sentimentos cívicos: integrastes definitivamente o restante das classes armadas na causa da Revolução; poupastes à Pátria sacrifícios maiores de vidas e recursos materiais, e resguardastes esta maravilhosa Capital de danos incalculáveis.
Justo é proclamar, entretanto, senhores da Junta Governativa, que não foram somente esses os motivos que assim vos levaram a proceder. Preponderava sobre eles o impulso superior do vosso pensamento, já irmanado ao da Revolução. Era vossa também a convicção de que só pelas armas seria possível restituir a liberdade ao povo brasileiro, sanear o ambiente moral da Pátria, livrando-a da camarilha que a explorava, arrancar a máscara de legalidade com que se rotulavam os maiores atentados à lei e à justiça - abater a hipocrisia, a farsa e o embuste. E, finalmente, era vossa também a convicção de que urgia substituir o regime de ficção democrática, em que vivíamos, por outro, de realidade e confiança.
Passado, agora, o momento das legítimas expansões pela vitória alcançada, precisamos refletir maduramente sobre a obra de reconstrução que nos cumpre realizar.


Para não defraudarmos a expectativa alentadora do povo brasileiro; para que este continue a nos dar seu apoio e colaboração, devemos estar à altura da missão que nos foi por ele confiada.
Ela é de iniludível responsabilidade.
Tenhamos a coragem de levá-la a seu termo definitivo, sem violências desnecessárias, mas sem contemplações de qualquer espécie.
O trabalho de reconstrução, que nos espera, não admite medidas contemporizadoras. Implica o reajustamento social e econômico de todos os rumos até aqui seguidos. Não tenhamos medo à verdade. Precisamos, por atos e não por palavras, cimentar a confiança da opinião pública no regime que se inicia. Comecemos por desmontar a máquina do filhotismo parasitário, com toda a sua descendência espúria. Para o exercício das funções públicas, não deve mais prevalecer o critério puramente político. Confiemo-las aos homens capazes e de reconhecida idoneidade moral. A vocação burocrática e a caça ao emprego público, em um país de imensas possibilidades - verdadeiro campo aberto a todas as iniciativas do trabalho - não se justificam. Esse, com o caciquismo eleitoral, são males que têm de ser combatidos tenazmente.


No terreno financeiro e econômico há toda uma ordem de providências essenciais a executar, desde a restauração do crédito público ao fortalecimento das fontes produtoras, abandonadas às suas dificuldades e asfixiadas sob o peso de tributações de exclusiva finalidade fiscal.
Resumindo as ideias centrais do nosso programa de reconstrução nacional, podemos destacar, como mais oportunas e de imediata utilidade:
1) concessão de anistia;
2) saneamento moral e físico, extirpando ou inutilizando os agentes de corrupção, por todos os meios adequados a uma campanha sistemática de defesa social e educação sanitária;
3) difusão intensiva do ensino público, principalmente técnico-profissional, estabelecendo, para isso, um sistema de estímulo e colaboração direta com os Estados. Para ambas as finalidades, justificar-se-ia a criação de um Ministério de Instrução e Saúde Pública, sem aumento de despesas;
4) instituição de um Conselho Consultivo, composto de individualidades eminentes, sinceramente integradas na corrente das ideias novas;
5) nomeação de comissões de sindicâncias, para apurarem a responsabilidade dos governos depostos e de seus agentes, relativamente ao emprego dos dinheiros públicos;
6) remodelação do Exército e da Armada, de acordo com as necessidades da defesa nacional;
7) reforma do sistema eleitoral, tendo em vista, precipuamente, a garantia do voto;
8) reorganização do aparelho judiciário, no sentido de tornar uma realidade a independência moral e material da magistratura, que terá competência para conhecer do processo eleitoral em todas as suas fases;
9) feita a reforma eleitoral, consultar a Nação sobre a escolha de seus representantes, com poderes amplos de constituintes, a fim de procederem à revisão do Estatuto Federal, melhor amparando as liberdades públicas e individuais e garantindo a autonomia dos Estados contra as violações do Governo central;
10) consolidação das normas administrativas, com o intuito de simplificar a confusa e complicada legislação vigorante, bem como de refundir os quadros do funcionalismo, que deverá ser reduzido ao indispensável, suprimindo-se os adidos e excedentes;
11) manter uma administração de rigorosa economia, cortando todas as despesas improdutivas e suntuárias - único meio eficiente de restaurar as nossas finanças e conseguir saldos orçamentários reais;
12) reorganização do Ministério da Agricultura, aparelho, atualmente, rígido e inoperante, para adaptá-lo às necessidades do problema agrícola brasileiro;
13) intensificar a produção pela policultura e adotar uma política internacional de aproximação econômica, facilitando o escoamento das nossas sobras exportáveis;
14) rever o sistema tributário, de modo a amparar a produção nacional, abandonando o protecionismo dispensado às indústrias artificiais, que não utilizam matéria-prima do País e mais contribuem para encarecer a vida e fomentar o contrabando;
15) instituir o Ministério do Trabalho, destinado a superintender a questão social, o amparo e a defesa do operariado urbano e rural;
16) promover, sem violência, a extinção progressiva do latifúndio, protegendo a organização da pequena propriedade, mediante a transferência direta de lotes de terras de cultura ao trabalhador agrícola, preferentemente ao nacional, estimulando-o a construir com as próprias mãos, em terra própria, o edifício de sua prosperidade;
17) organizar um plano geral, ferroviário e rodoviário, para todo o País, a fim de ser executado gradualmente, segundo as necessidades públicas e não ao sabor de interesses de ocasião.
Como vedes, temos vasto campo de ação, cujo perímetro pode, ainda, alargar-se em mais de um sentido, se nos for permitido desenvolver o máximo de nossas atividades.
Mas, para que tal aconteça, para que tudo isso se realize, torna-se indispensável, antes de mais nada, trabalhar com fé, ânimo decidido e dedicação.
Quanto aos motivos que atiraram o povo brasileiro à Revolução, supérfluo seria analisá-los, depois de, tão exata e brilhantemente, tê-lo feito, em nome da Junta Governativa, o Sr. General Tasso Fragoso, homem de pensamento e de ação e que, a par de sua cultura e superioridade moral, pode invocar o honroso título de discípulo do grande Benjamin Constant.
Através da palavra do ilustre militar, apreende-se a mesma impressão panorâmica dos acontecimentos, que vos desenhei, já, a largos traços: a Revolução foi a marcha incoercível e complexa da nacionalidade, a torrente impetuosa da vontade popular, quebrando todas as resistências, arrastando todos os obstáculos, à procura de um rumo novo, na encruzilhada dos erros do passado.
Senhores da Junta Governativa:
Assumo, provisoriamente, o Governo da República, como delegado da Revolução, em nome do Exército, da Marinha e do povo brasileiro, e agradeço os inesquecíveis serviços que prestastes à Nação, com a vossa nobre e corajosa atitude, correspondendo, assim, aos altos destinos da Pátria.

Aqui tudo dá, menos democracia

Por Celso Vicenzi, em seu blog:


Em nome do pai, do filho – só faltou o Espírito Santo –, amém!



Não, não estamos em uma igreja, mas no Congresso Nacional, no dia histórico de 17 de abril de 2016. Mais precisamente numa votação em que se deveria decidir se houve ou não crime de responsabilidade fiscal e se seria motivo para o impeachment de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.

Numa votação com transmissão ao vivo para todo o Brasil, brasileiros e brasileiras puderam ver, sem disfarces, que a maioria de seus representantes tem razões muito mais pessoais e particulares do que as causas do bem comum, ou seja, estão ali mais para garantir o próprio futuro e o de seus familiares do que dar solução às complexas questões políticas, econômicas e sociais do país. Apenas dois parlamentares manifestaram-se pelo relatório que deveria ter pautado todo o debate: se houve pedaladas fiscais e se elas caracterizam ou não crime de responsabilidade.

A maioria dos parlamentares preferiu, nesse momento histórico, agradar esposas, mães, pais, sobrinhos, irmãos, noras, amigos, filhos e netos – até aqueles que ainda estavam por nascer. Parte significativa, também, usou da tribuna para enaltecer seus eleitores e as cidades onde angariam votos para vir ao Congresso mostrar que não mereciam estar ali, pela falta de consciência política, despreparo ao votar o tema e boas doses de insuficiência cognitiva e ética para entender a gravidade do momento político que o país atravessa.

Não faltaram os cínicos e hipócritas, que concordavam com o impeachment em nome do combate à corrupção, crime do qual a presidenta não é acusada, ao contrário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha e parcela significativa dos que a julgavam.




O que não é cinismo e hipocrisia é autoengano, como o descreveu Eduardo Giannetti no livro que tem por título, justamente, “Autoengano” (Cia. das Letras). Giannetti descreve como somos capazes de “mentir para nós mesmos, o tempo todo, para só levarmos em conta os argumentos que sustentam nossas crenças”. Somente essa certeza pode explicar o festival de ignorância proferido em nome de uma suposta causa legítima.

Certo que só o autoengano ou a descrença na justiça divina explicaria invocar, por tantas vezes (43 parlamentares o fizeram), o nome de Deus em vão, como alerta o segundo dos Dez Mandamentos. O sétimo (“não roubar”) e o oitavo (“não levantar falso testemunho”) certamente caberiam a uma boa parte dos que ali estavam para votar pela aceitação do impeachment.

Michel Temer, que a tudo assistiu com um sorriso nos lábios, no Palácio Jaburu, não escaparia do décimo mandamento: “Não cobiçar as coisas alheias”. Para um político que nas pesquisas não consegue angariar mais do que 2% dos votos, eleger-se presidente, só mesmo à custa de muita traição, que também encontra na Bíblia o seu personagem, Judas. Que, aliás, se arrependeu amargamente. Temer, com o perdão do trocadilho, também tem muito a temer, embora pareça alheio ao destino que a história lhe reserva.

Há deputados que não conseguem sequer ter um pensamento lógico, tamanho o preconceito com que enxergam os brasileiros e brasileiras. Um deles justificou o sim “pelos que exercem a cidadania na Avenida Paulista”, sem levar em consideração que um grupo tão grande ou maior também exercia, naquele momento, a cidadania no Vale do Anhangabaú, na mesma São Paulo. Outro homenageou os brasileiros “de bem” que foram as ruas pedir mudanças, ou seja, quem foi às ruas por razões contrárias de quem pedia a derrubada da presidenta, só pode ser enquadrado na categoria dos brasileiros “malignos”, cidadãos de segunda categoria.

Entre as pérolas, ainda, houve quem visse no atual governo pessoas perversas que desejam “atacar a família brasileira”, incentivar “a troca de sexo” – como diria aquele ministro do STF: Meu Deus! – e “a educação sexual nas escolas. Em síntese, perverter as crianças brasileiras. Mas teve de tudo, voto a favor do café, pelos transportadores, por vítimas de BRs, pelos maçons, pela Igreja Quadrangular, pelos evangélicos, por Jerusalém, pelos colegas médicos, pelos corretores de seguro e, a síntese da incompreensão da função que exercem, “voto como a minha família me orientou a votar”.

E como costuma fazer, com um deboche que não deveria ser tolerado pelos brasileiros e brasileiras – e no entanto continua com enorme popularidade –, o voto abjeto do deputado Jair Bolsonaro, em homenagem à ditadura de 64 e citando nominalmente o coronel Carlos Alberto Ustra, que torturou a presidenta Dilma Roussef. Algo inadmissível num Parlamento e muito mais grave que a cusparada de Jean Wyllys no deputado homofóbico, racista, misógino, defensor da ditadura e da tortura. Mais do que quebra de decoro parlamentar, é crime, menos no Brasil, que nunca puniu os torturadores.

Entre o grotesco e o engraçado, uma realidade que assusta. Nossa representação parlamentar na Câmara – e não é muito diferente no Senado – não oferece nenhuma perspectiva de solução política para o país. E quando a ela se junta uma mídia que manipula, omite e conspira; um Judiciário e um Ministério Público fortemente elitistas e partidarizados; um estado policial que nunca foi democratizado e exibe diariamente a sua truculência contra o povo brasileiro; e empresários dispostos a financiar um golpe de estado para se apropriar ilegitimamente de um governo eleito democraticamente, resta pouca esperança.

Bastaria, aliás, olhar para a história para não aconselhar muito otimismo. Desde 1926, segundo levantamento da revista Superinteressante, entre 25 presidentes, apenas cinco eleitos pelo voto popular concluíram o mandato: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek (que enfrentou a Revolta de Aragarças),FHC, Lula (quase derrubado no Mensalão) e Dilma, que corre o risco de entrar também para outro time, o dos presidentes depostos por impeachment ou golpes: Washington Luís, Júlio Prestes, Getúlio Vargas, Carlos Luz, João Goulart e Fernando Collor.

Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao rei dom Manuel, disse que nas terras recém-descobertas pelos portugueses havia “muitos bons ares”, “águas infindas” e que, querendo aproveitar, “dar-se-á nela tudo”. A democracia, no entanto, ainda não encontrou aqui bons ares e solo fértil para vicejar.

A "COMUNA DE BRASÍLIA" GEROU PÂNICO E MAIORIA PARA O IMPEACHMENT!


       




1. Quando aceito o pedido de Impeachment de Dilma e aberto o varejo de cargos, se esperava que Dilma, Lula e seu núcleo duro suavizassem sua comunicação e seus discursos, de forma a não gerar insegurança nos deputados do baixo clero que procurava atrair.
       
2. Ou seja, para ter votos suficientes, deveriam caminhar em direção ao Centro. Mas fizeram exatamente o contrário. Se encantaram pelo slogan que seus comunicadores criaram, "não vai ter golpe", e subiram o tom.
      
3. Se alguns deles imaginavam que esse slogan apontaria para um debate suave e jurídico sobre questões de constitucionalidade, o que ocorreu foi exatamente o contrário. O slogan "não vai ter golpe" foi sendo interpretado como algo do tipo "se for necessário pegaremos em armas para defender o mandato de Dilma".
      
4. Os dois lados interpretaram assim, a começar pelos apoiadores de Dilma, deputados, senadores, ministros da casa, lideranças do PT, da CUT e por aí foi. Os discursos no Planalto, no Congresso e nos Comícios subiram o tom como um slogan latino-americano das esquerdas em diversas situações: "Não passarão". Ou parafraseando: "Governo Dilma ou morte".
      
5. As caras e bocas dos deputados escalados para falar, ministros da casa, de Dilma, Lula, parlamentares do núcleo duro, etc., foram ganhando feições e expressões crescentemente raivosas. As fotos e vídeos mostravam isso todos os dias. Era como se fosse um alerta de "guerra civil". Claro, um blefe, mas que os militantes exaltados acreditaram.
     
6. Os que defendiam o impeachment de Dilma passaram a ser chamados de golpistas, fascistas, nazistas e coisas no estilo.
     
7. Toda essa coreografia foi percebida pela opinião pública difusa, pelos deputados e senadores que estão fora da esgrima ideológica como se, não passando o impeachment, nos dois e meio últimos anos de governo, Dilma radicalizaria à esquerda. A distribuição de cargos não seria redistribuição de poder, muito pelo contrário.
     
8. O poder estaria mais centralizado ainda e sob a batuta dos raivosos oradores, na ópera bufa do "não vai ter golpe". Ao tempo que convenceu os seus, assustou os demais. Nem precisava mais de argumentos para que os deputados -acompanhando e presenciando esta escalada- se assustassem. E comentassem: É, desse jeito virá um novo governo, mas agora sem cooptação, sem coalizão e sem pactuação alguma, nem no último escalão. Será a integração completa governo-partido.
     
9. E lembraram os conselhos de Chávez a Lula: “Rompa logo esse impasse e radicalize em defesa do povo”. Esse é o entusiasmo dos lulistas e é o pânico dos demais.

CESAR MAIA

domingo, 17 de abril de 2016

Pesquisa: 97% dos deputados que citam família na hora do voto têm amante

Com a repetição das dedicatórias dos deputados que citam suas famílias na hora de votar, o Instituto Nupal, Núcleo de Pesquisas da América Latina, correu e acaba de finalizar uma pesquisa especial. De acordo com uma intensa apuração, descobriram que 97% dos deputados que citam suas famílias têm amantes em Brasília, bem longe de suas mulheres. Deste total, 54% têm mais de uma.
A pesquisa apurou também que os deputados que citam Deus na hora do voto desviaram mais verbas do que aqueles que não citaram qualquer coisa, apenas a democracia.
Agora o Instituto Nupal corre atrás de mais um resultado: saber quantos litros de gel de cabelo foram utilizados pelos parlamentares na sessão.
http://www.sensacionalista.com.br/

Vendo os deputados corruptos falando “em nome da família brasileira”



Furacão 2000

sábado, 16 de abril de 2016

FIESP MONTOU CAIXA 2 DE 500 MILHÕES PARA COMPRAR IMPEACHMENT DE DILMA


A Fiesp montou um caixa 2 de, por enquanto, R$ 500 milhões para comprar o impeachment de Dilma. R$ 300 milhões virão dos recursos públicos que administra em nome do Sesi e do Senai; R$ 100 milhões serão “doados” pelo parceiro de Skaf no golpismo a partir do mesmo fundo publico, o presidente da Federação das Indústrias do Rio, Eduardo Eugênio; R$ 50 milhões serão aportados pela Federação do Paraná e outro tanto pela Federação do Rio Grande do Sul, todos irmanados pelo impeachment.

Esses industriais golpistas decidiram apostar tudo na derrubada da Presidenta, não importam as consequências. A solução da crise, conforme havia antecipado Veja em nome de todos eles e de uma parte substancial das classes dominantes, é o Vice-presidente Temer. Mergulhando na conspiração até o pescoço, Temer promete rever a iniciativa de Dilma de contingenciar 30% dos recursos do Sesi/Senai (ou dos 4 S) e promover uma reforma trabalhista regressiva contra direitos consagrados na Constituição, que estará a cargo de Moreira Franco.

O esquema Skaf/Temer só tem um problema. Como canalizar R$ 500 milhões para os bolsos de parlamentares favoráveis ao impeachment sem o risco de, agora ou no futuro, o dinheiro ser rastreado pela Justiça? Sim, porque a Justiça não será entregue permanentemente nas mãos de promotores e juízes partidários dos golpistas. Em algum momento aparecerão em seu meio homens honrados que vão buscar na vida pública e privada de parlamentares os indícios de enriquecimento ilícito. Como diz Luís Nassif, acabou a era do dinheiro escondido.

Alguns, obviamente, correrão o risco. Ademais, a decisão do impeachment se aproxima como velocidade anti-natural. O mais importante nessa questão é que os órgãos controladores da probidade administrativa, a partir do Ministério da Justiça, tomem uma providência para ver de onde sai o dinheiro golpista da Fiesp. Só um idiota acreditaria que sai dos bolsos dos empresários ou mesmo de suas empresas. Eles são generosos, sim. Mas são generosos com dinheiro alheio. Nesse caso, com o dinheiro dos 4S.

Eu conheço isso muito bem. Fui assessor da presidência da CNI, nos anos 80, e já então se podia perceber a pajelança com dinheiro público que era a gestão do Sesi e do Senai de muitos dirigentes de federações, notadamente de São Paulo, que por seu poder econômico gozava de ampla autonomia. Isso só deve estar piorado. Gente como Skaf não passa de abutres em torno do dinheiro público quando se trata de dinheiro que controlam, a despeito da retórica anti-imposto e anti-setor público que professam com a maior cara dee pau.

Insista-se que recursos do Sistema S são, inequivocamente, públicos. Correspondem a recolhimentos obrigatórios sobre a folha salarial das empresas destinados ao ensino profissional e a atividades sociais dos trabalhadores. Federações industriais, como Fiesp e Firjan, para simular seu assalto a esse caixa público, criaram Centros industriais vinculados às federações, por onde flui o dinheiro supostamente livre, mediante manobras contábeis. É muito fácil desmascarar isso. Qualquer órgão controlador público pode fazer uma devassa na circulação desses recursos e desmascarar seu uso indevido.

Defendo o direito da Fiesp propor o impeachment. Mas que seja com o dinheiro dos empresários e não dos trabalhadores. Sesi e Senai, quando foram criados há mais de seis décadas, certamente eram melhor geridas por empresários porque, nessa época, trabalhadores não tinham grande experiência de gestão. Agora a situação é outra. Sesi e Senai devem ser entregues à gestão dos trabalhadores, inclusive como forma de evitar o uso político dos dinheiro pelas entidades empresariais, suscetíveis de maracutaias. Com isso o grande caixa da Fiesp, para comprar o impeachment, pode virar o caixão de Skaf!

P.S. Encontrei-me ontem no aeroporto de Brasília com o deputado Wadyh Damous, ex-presidente da OAB do Rio, com a deputada Jandira Feghali e com o senador Lindeberg Farias. Os três deram-me a boa notícia de que estará sendo movida na próxima semana ação popular contra a Fiesp e seu presidente, tendo em vista desvio de dinheiro público na campanha do impeachment, aqui denunciada.

J. Carlos de Assis, Jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ
http://plantaobrasil.net/