BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















quarta-feira, 29 de maio de 2013

E Daí? (A queda) - Milton Nascimento (Clube da Esquina 2)

Déficit nas contas externas aumenta 89,7% em 4 meses



Enquanto o tempo passa e o país não cresce

Remessas ao exterior ultrapassam US$ 28,13 bi entre janeiro e abril

Em quatro meses (janeiro a abril), o déficit nas transações correntes do país chegou a US$ 33,18 bilhões. Um aumento de 89,68% em relação ao mesmo período de 2012. O resultado é pior que todas as previsões e projeções. O aumento nas remessas – sobretudo de lucro – para o exterior (+US$ 6,46 bilhões) e nas importações (+US$ 6,29 bilhões) foram os determinantes do rombo. As remessas atingiram US$ 28,13 bilhões e as importações, US$ 77,62 bilhões. O funcionário do BC que anunciou o resultado revelou que o rombo é consequência da vitalidade e do dinamismo da economia brasileira.
De janeiro a abril, rombo externo atinge 33,18 bilhões de dólares 

Remessas para o exterior cresceram US$ 6,46 bilhões e o saldo comercial desabou US$ 9,47 bilhões, em relação ao mesmo período de 2012


O resultado de abril das contas externas foi publicado na quarta-feira pelo Banco Central (BC). As reações, de certas autoridades econômicas e da mídia, pareciam vir de outro planeta.

Em quatro meses (janeiro a abril) o déficit na conta de transações correntes (ou “conta corrente” = saldo comercial menos remessas para o exterior) chegou a US$ 33,18 bilhões. Nos quatro primeiros meses de 2012, o déficit foi US$ 17,49 bilhões. Um aumento, portanto, de 89,68%.

A previsão ora predominante, de um déficit para este ano de US$ -72 bilhões, apesar de quase monstruosa, até parece moderada frente a US$ -33,18 bilhões em quatro meses (4,28% do PIB no mesmo período). Se tivéssemos o hábito de Mantega e Tombini de imitar os norte-americanos e suas “anualizações” de resultados econômicos, chegaríamos a US$ 99,54 bilhões até dezembro. Mas, neste caso, eles esqueceram as “anualizações”...

Este resultado, o pior, em magnitude monetária, desde 1947, é consequência de:

a) um aumento de US$ 6,46 bilhões nas remessas para o exterior, sobretudo remessas de lucros, declaradas ou disfarçadas (de janeiro a abril do ano passado, as remessas foram US$ 21,67 bilhões; agora, foram US$ 28,13 bilhões);

b) uma queda de US$ 9,47 bilhões no saldo comercial (que passou de US$ +3,33 bilhões nos quatro primeiros meses de 2012 para US$ -6,15 bilhões no presente ano, devido, sobretudo, ao aumento das importações).

Para que o leitor tenha uma ideia mais precisa do último ponto, acrescentamos que as importações aumentaram US$ 6,29 bilhões (de US$ 71,33 bilhões para US$ 77,62 bilhões), enquanto as exportações decresceram US$ 3,18 bilhões (de US$ 74,65 bilhões para US$ 71,47 bilhões).

Portanto, em valor, o aumento das importações foi o dobro da diminuição das exportações.

O funcionário do BC que anunciou o resultado, disse que ele era uma prova da vitalidade e do dinamismo da economia brasileira (!); um jornal “econômico” saiu com um editorial “econômico”, garantindo que a situação agora é diferente das outras vezes em que houve estouro das contas externas (como se existisse alguma situação igual a outra); outros cretinos disseram que a culpa é dos brasileiros, que viajam demais para outros países (ou, supõe-se, ficam por aqui bebendo muitos vinhos importados).

Mas, segundo o presidente do BC, Alexandre Tombini, em seu depoimento no Congresso, o rombo nas transações correntes não é um problema, mas uma oportunidade de usarmos a “poupança externa”.

Há 28 anos, logo depois de derrubada a ditadura, o economista Antonio Barros de Castro enfatizou que “poupança externa” e déficit nas transações correntes (remessas para fora maiores que o saldo comercial) eram “por definição” a mesma coisa. Em nossas palavras: recorrer sistematicamente ao dinheiro externo para tapar o rombo nas nossas transações com o exterior, equivale a quebrar o país. Principalmente quando temos US$ 378.665.008.237,40 em reservas e só o dinheiro externo aplicado em papéis dentro do país (“investimento estrangeiro em carteira”) ascende a US$ 641.194.154.578,34, quase o dobro (cf. BC, Relatório sobre o setor externo, Quadro XLVI e Quadro LX-A).

Tombini sabe perfeitamente qual é a política dos países centrais (por exemplo, disse ele no Congresso: “O Banco do Japão planeja injetar algo como US$ 700 bilhões por ano na economia”) e não faz nenhum reparo. Eis como ele descreve a situação nos EUA, UE e Japão: “o espaço para utilização de política monetária convencional continua sendo limitado, e os bancos centrais mantiveram, ou mesmo ampliaram, suas ações não convencionais”.

“Não convencional” é derramar ondas de dinheiro para espoliar os demais países. Quanto ao rombo externo daqui, basta abrir o país, sem nenhuma barreira, para essa pororoca monetária dos países centrais: “Os mercados financeiros internacionais registram níveis extraordinariamente elevados de liquidez. Por conseguinte o acesso de empresas brasileiras à poupança externa tem sido relativamente facilitado e a custos historicamente baixos. O Brasil tem se beneficiado dessas condições excepcionais, tendo sido, nos últimos anos, um dos principais receptores de investimento estrangeiro direto no mundo”.

O problema é que o “investimento direto” não existe para financiar as empresas brasileiras, mas para tomá-las dos brasileiros. Uma diferença que não é sutil. Cobrir o déficit com esse dinheiro significa liquidar partes do país, ou seja, vender, desnacionalizar empresas - numa situação em que as multinacionais, de acordo com a Posição Internacional de Investimento (PII) divulgada pelo BC no dia 22, já têm US$ 750,873 bilhões em propriedade dentro do Brasil (“investimento direto estrangeiro”). Por isso as remessas para o exterior, somente nos quatro primeiros meses do ano, elevaram-se a US$ 28,134 bilhões e as importações a um total de US$ 77,619 bilhões. Essa política, portanto, significa aumentar o rombo externo para cobri-lo - até quebrar o país.
Além disso, Tombini sabe que desde outubro o "investimento direto" deixou de cobrir o déficit nas contas externas: o governo recorreu, de novembro para cá, a US$ 18,918 bilhões de dinheiro estrangeiro meramente especulativo para tapar esse rombo. O que deixa as contas externas na corda bamba. Trata-se de uma situação, mais dia menos dia, insustentável.
Como dizia um outro economista, há não muito tempo, trata-se de uma política que leva à “dependência crescente (via déficit externo) dos humores dos investidores estrangeiros. Ante um desequilíbrio comercial cada vez maior, (…) abrir mercados, atrair capitais, oferecer papéis a juros altíssimos, vender empresas estatais e ativos produtivos privados a preços vis. Enfim, dançar conforme a música dos grandes interesses internacionalizantes. A desnacionalização foi rápida, crescente e profunda na indústria e depois em setores de serviços e de infraestrutura. (…) o estoque de investimento direto estrangeiro, em larga medida em setores que não podem exportar ("non tradeables"), mas que gerarão um substancial fluxo futuro de remessas de lucros, dividendos e outras rendas para o exterior, pressionando o balanço de pagamentos do país - hoje estruturalmente debilitado e ponto nodal de fragilização do Estado brasileiro. Mas não é só. O custo de capital brutalmente desfavorável (...) incentivou a alienação de grandes empresas nacionais; esvaziou núcleos próprios, importantes, de desenvolvimento tecnológico; suprimiu dos mercados marcas brasileiras (muitas delas centenárias); aniquilou empresas e projetos inovadores; e subordinou ou transferiu centros relevantes de decisão privada para o exterior. Setores fundamentais para a revolução tecnológica, como o de telecomunicações, foram irresponsavelmente entregues a empresas estrangeiras (neste caso, ademais, sob um modelo empresarial pulverizado e ineficiente)” (Luciano Coutinho, “Crônica de um grande desmonte”, FSP, 30/01/2000).
Como escrevia bem o sr. Luciano Coutinho há 13 anos!
CARLOS LOPES

Ministério investiga empresas que atuam em porto de Eike; 25 já foram autuadas

 

Data: 28/05/2013 

O Ministério do Trabalho em Campos dos Goytacazes vai investigar todas as 172 empresas que atuam no Porto do Açu, do empresário Eike Batista, informou nesta terça-feira (28) o gerente regional da pasta na região, José Roberto Pessanha.

Até o momento, 25 empresas já foram autuadas, segundo Pessanha. Elas terão dez dias para recorrer antes de serem multadas pelas 254 autuações realizadas, ou cerca de dez irregularidades cada uma.

A investigação foi motivada por inúmeras denúncias recebidas de sindicatos de trabalhadores da construção civil da região sobre irregularidades nas obras do Porto do Açu, no Norte do Estado do Rio de Janeiro.

"Como aqui só temos dois fiscais, montamos uma força tarefa com todos os MTEs para fazer a fiscalização. Atuamos com dez fiscais por duas semanas no porto. As outras empresas serão abordadas futuramente", disse o executivo.
A obra já havia apresentado problemas no início do ano, quando recebeu multa de R$ 1,3 milhão pelo aumento da salinidade no Canal de Quitingute, que abastece São João da Barra, município onde está localizado o porto.

De acordo com o MTE de Campos, apenas uma parte da obra foi interditada, onde a fiscalização encontrou a situação mais grave.

"Os blocos de concreto que vão construir o quebra mar estavam sendo transportados por uma retroescavadeira e não por um rebocador como deveria, essa parte parou", disse.
Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sonhos não envelhecem

PARABÉNS PREFEITO EDUARDO PAES

Sou a favor do Eduardo Paes, Prefeito do Rio, fez contra um palyboizinho. 

Quero apenas cumprimentá-lo pelo tabefe no malcriado que o desacatou na presença da sua família. 

Faria o mesmo. 

"Respeito é bom e a gente gosta". 

Parabéns Prefeito

SANTAYANA: A INSÂNIA DE OBAMA. NO IRÃ E NA ARGENTINA O Irã e a III Guerra Mundial.


O Irã e a III Guerra Mundial


por Mauro Santayana


O jornalista e escritor britânico Douglas Reed, que morreu em 1976, pode ter sido um dos homens mais alucinados do século 20, como dizem seus biógrafos. Combatente na Primeira Guerra Mundial, quando ficou gravemente ferido no rosto, ele se fez jornalista e correspondente do Times de Londres em vários paises da Europa. Em seus despachos de Berlim, se destacou como  corajoso e violento anti-nazista. Foi o primeiro não comunista a denunciar a farsa do incêndio do Reichstag, acusando pessoalmente Hitler de ter sido o responsável pelo ato de provocação.


Quando se deu conta de que viria o Anschluss (a anexação da Áustria à Alemanha), ele,  então em Viena, escreveu, em poucas semanas,  seu livro mais conhecido, Insanity Fair publicado em Londres em 1938. Nele, advertiu contra a tolerância em favor de Hitler, e previu a imediata eclosão da 2ª. Guerra Mundial. Meses depois, com a capitulação das potências européias em Munique, no caso dos sudetos,  deixou de trabalhar para o Times, cuja posição era também apaziguadora.


A partir de 1940, Reed se tornou  anti-sionista -  não anti-semita. Mas aceitou a tese conspirativa e fantasiosa de que os comunistas e os sionistas eram aliados para dominar o mundo. Para ele, os nazistas favoreciam os sionistas, ao transformar os judeus em vítimas. Em seus artigos, previu que o Estado de Israel, a ser criado na Palestina, como determinava o projeto sionista de Max Nordau e Theodor Herzl, viria a ser o germe da grande conspiração para o domínio sionista do planeta, mediante um governo mundial.


Enfim, aceitava a famosa manipulação do “Protocolo dos Sábios de Sião”. Logo depois do armistício de 1945, previu que esse governo mundial seria  dotado de armas atômicas, como propusera o banqueiro e assessor de Roosevelt,  Bernard Baruch, também filho de judeus  de origem européia. De acordo com o Plano Baruch, nenhum outro país, além dos Estados Unidos, deveria desenvolver armas atômicas. O congelamento sugerido foi rejeitado com vigor pelos soviéticos.


Mas a citação de Reed nesta coluna se deve a uma frase profética do posfácio que acrescentou à edição original de Insanity Fair. Reed conta que, ao visitar a então Tchecoslováquia, pouco antes do Tratado de Munique, se deu conta de que os seus soldados estavam mobilizados na fronteira, contra a prevista invasão do território pelos alemães – e contavam com a Inglaterra, mais do que com a França, para resistir. Enquanto isso, diz Reed, os ingleses abandonavam os tchecos. Naquele momento, deduziu o escritor, o mais poderoso império da História – o britânico – entrava em sua inexorável fase de declínio. Reed registra, na frase inquietante, a sensação de que o desastre era desejado, ao dirigir-se a seus compatriotas: “E até onde eu posso entender vocês, parecem desejar que isso ocorra”.


Advertiu que ao apoderar-se de países vulneráveis, mas senhores de matérias primas, de energia,  de mão de obra e de soldados, a Alemanha se faria inexpugnável, invulnerável e  invencível, e dominaria toda a Europa – o que viria a ocorrer fora das Ilhas, até a virada em Stalingrado.


Outras são as circunstâncias de nosso tempo, mas a insanity fair parece a mesma. Se a Palestina é muitíssimo mais indefesa do que era a Tchecoslováquia de Benes e Hocha, o Irã é sempre a Pérsia. Ao não reagir contra as perspectivas de um conflito, os europeus de hoje, como os ingleses de Eden e Chamberlain, parecem desejá-lo. Talvez suponham que possam associar-se aos norte-americanos no governo do mundo. Mas o tempo de Baruch passou. Hoje, se os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a França – e até Israel – dispõem de armas nucleares, a Rússia, a Ucrânia, a China, o Paquistão e a Índia também as têm.


Os arsenais do Pentágono dispõem de armas para destruir o mundo, mas não de recursos humanos e bélicos para a conquista e domínio do planeta.            É bom, no entanto, anotar uma das profecias de Reed, ao analisar o Plano Baruch, e o associar ao sionismo. Segundo Reed, haveria uma Terceira Guerra Mundial, com a criação de um governo planetário, a ser imposto e exercido pelos sionistas. É uma profecia perversa e, como podemos supor, improvável. Primeiro, porque surgem em Israel e nos Estados Unidos  vozes de bom senso, que advertem contra esses arquitetos do apocalipse. Quando Meir Dagan, ex-dirigente do Mossad – a agência de espionagem e contra-espionagem de Israel, mais eficiente do que a CIA – diz, em palestra na Universidade de Tel-Aviv, que um ataque ao Irã é “uma idéia estúpida”. Dagan advertiu que qualquer iniciativa militar contra Teerã conduzirá a uma guerra regional, com gravíssimas conseqüências para todos. É sinal de que alguma coisa  muda em Israel.  Mas não  apenas em Israel. Nos Estados Unidos, alguns chefes militares também tentam convencer o presidente Obama  – a cada dia mais servidor dos belicistas do Pentágono – de que um ataque ao Irã poderá levar a uma nova guerra mundial, e de resultados imprevisíveis.


Em artigo publicado pelo New York Times de 14 deste mês, o general John.H.Johns  deixa bem claro o perigo, ao afirmar que um ataque ao Irã seria repetir a aventura do Iraque, com mais dificuldades ainda, e que o país dispõe de meios militares para rechaçar qualquer ataque. Opinião semelhante é a do general Anthony Zinni, outro respeitado chefe militar. Como sempre ocorre, ele e Johns são hoje oficiais reformados.


Informa-se também que chefes militares da ativa estiveram recentemente com Obama, a fim de demovê-lo de apoiar qualquer iniciativa bélica de Israel contra o Irã. Obama balançou os ombros.


A principal mudança, no entanto, é a tomada de consciência de grande parte dos cidadãos dos Estados Unidos e de Israel de que o inimigo não está fora de suas fronteiras, mas dentro delas. As desigualdades sociais e a angústia em que vivem, em estado de guerra permanente, levam o povo às ruas. Em Israel, cerca de 500.000 pessoas foram às ruas contra o desemprego, a corrupção e o enriquecimento de poucos, diante das crescentes dificuldades da maioria. Os protestos nos Estados Unidos aumentam, apesar da repressão violenta.


E é nesse quadro geral que os Estados Unidos buscam uma aproximação maior com a Argentina, com o propósito bem claro de reavivar a antiga desconfiança entre aquele país e o Brasil. Não é a primeira vez, embora esperemos que seja a última, em que Washington atua em busca da cizânia entre os dois maiores países da América do Sul. Não parece provável que obtenham êxito. Nos últimos anos, argentinos e brasileiros começaram a entender que estão destinados a viver em paz, e unidos na defesa de seus interesses comuns, que são os do continente.

O DIREITO DE MATAR

 Obama não é um juiz universal
Saiu no JB Online artigo de Mauro Santayana: 

Mauro Santayana    

O Presidente Barack Obama se nega a informar em que dispositivo da Constituição se ampara para ordenar o assassinato de cidadãos norte-americanos. Seu concidadão, Vicki Divoll, ex-assessor do Senado para as questões de segurança e ex-consultor jurídico da CIA, em título de artigo publicado ontem pela edição online do New York Times, faz-lhe a pergunta direta: Presidente, quem lhe disse que o Senhor pode matar americanos?

O autor cita três casos conhecidos de cidadãos americanos assassinados no Exterior, sob a ordem direta de Obama: Anwar al-Awlaki, um clérigo muçulmano, nascido no Novo México; Samir Khan, naturalizado norte-americano e Abdulrahman al-Awlaki, de 16 anos, natural do Colorado, sobrinho do clérigo Anwar. Podem argumentar que todos têm nomes árabes. Árabes são o nome e o sobrenome também do Presidente. Esses são os casos conhecidos, mas há outros, certamente.

Há dias, Obama sancionou lei do Congresso, autorizando o monitoramento de todos os cidadãos estrangeiros que se tornem suspeitos de atividades contra o seu país. Como se sabe, pelo que ocorreu a bin-Laden e a outros, os norte-americanos se arrogam o direito de não só vigiar, mas de matar, fora das operações de guerra declarada, qualquer cidadão estrangeiro, em qualquer lugar do mundo, em nome de sua segurança. O lema do governo dos Estados Unidos passa a ser, assim, o de Vigiar e Matar.

Essa arrogante postura de juiz universal, com o poder de vida e de morte, tem acompanhado os Estados Unidos desde os seus primeiros anos, embora haja, ali, os que a combatam. Sem ir muito longe, no passado, é de se lembrar o assassinato de Augusto César Sandino, o grande herói do povo da Nicarágua, por ordem de Washington. O crime foi cometido por Anastásio Somoza, que se tornou ditador e legou o país aos dois filhos. A dinastia acabou com o movimento revolucionário que tem o nome do próprio Sandino. 

Divolli, em seu texto, argumenta que essas ordens de Obama, se levadas ao exame dos tribunais, serão  declaradas inconstitucionais. O Presidente pode declarar a guerra, ad-referendum do Congresso, mas não pode mandar matar ninguém em particular – e em nenhum lugar, dentro ou fora dos Estados Unidos. O poder executivo não é um órgão da Justiça. 


O assassinato de bin-Laden, assistido – e aplaudido – ao vivo, da Casa Branca, pelo Presidente e sua equipe mais restrita, foi, além de um crime, pela execução em si mesma, de um homem não condenado por tribunal competente,   manifestação  insolente de arrogância imperial, na violação da soberania do Paquistão. Se os norte-americanos se debruçarem no exame da História, irão descobrir que os ventos da desforra custam a se organizar no horizonte,  mas, uma vez reunidos, são mais devastadores do que os tornados e tsunamis. 

A DISSOLUÇÃO DOS MITOS AMERICANOS

Os Estados Unidos nunca mais tiveram heróis como Audie Murphy
Conversa Afiada republica texto de Mauro Santayana, extraído do JB online:




por Mauro Santayana

Os mitos, como os deuses, são produtos do poder. É o controle da informação, mediante a difusão  da cultura opressora, que amedronta os povos indefesos e agiganta os agressores e saqueadores. Depois da Antiguidade, os norte-americanos foram os mais competentes em criar a mitologia da superioridade intelectual e moral de seus políticos, de seus pensadores e de seus exércitos. 

Como todos os povos, ele teve e tem grandes pensadores e cientistas e é claro que houve (hoje provavelmente não haja mais) soldados que se destacaram por sua bravura nas lutas pela independência, na Guerra da Secessão e nas duas guerras mundiais de que participaram. Na Primeira delas, durante a batalha de Argonne, na frente francesa, o sargento Alvin York avançou com seu grupo sobre um ninho de metralhadoras, matou 28 soldados alemães, prendeu 132 e se apropriou de 32 metralhadoras. Era um homem do campo, que mal sabia ler, e que se tornou o mais condecorado soldado dos Estados Unidos durante o conflito.

Outro homem do campo – e o oposto do protótipo do super-herói americano, posto que de estatura baixa e corpo mirrado – foi Audie Murphy, o mais condecorado militar dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Esse conseguiu retirar algum proveito do mito, tornando-se ator de cinema de talento reduzido, mas de boa bilheteria, por seu heroísmo real. Os dois, como sabemos, foram heróis em guerras que podemos considerar justas, ainda que servissem também aos poderosos de seu país.

Fora das guerras citadas – a da Independência, a da Secessão e as duas mundiais – não houve heróis, ainda que tenha havido sacrifícios imensos de seus homens, nos combates travados pelos norte-americanos. Não os houve na guerra de anexação contra o México, nem contra a Espanha – e menos ainda, em decorrência desse conflito, na repressão à luta das Filipinas pela independência.  E ninguém encontrará heroísmo ianque na Coréia, no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão. E nem se fale da Somália, de onde os norte-americanos saíram apressadamente, da mesma maneira que deixaram Saigon. No caso do Iraque, o mais liberal dos regimes da região, a mentira foi usada com desfaçatez: Saddam não possuía qualquer arma de destruição em massa, e era inimigo declarado de Al Qaeda – a mesma Al Qaeda que participa da contra-revolução síria.

Dessas incursões criminosas falam mais as imagens de Abu Ghraib e de Guantánamo com a tortura contra prisioneiros indefesos, e os relatos brutais da chacina de My Lai, no Vietnã. 

Ontem, no Cemitério de Arlington, na cerimônia anual pelos que morreram em combate, Obama apelou para o sentimento de patriotismo dos norte-americanos, lembrando que os meios tecnológicos da guerra não bastam para substituir o “valor” dos soldados. Ele ponderou que, pelo fato de que, hoje, os soldados são voluntários, e não conscritos, como no passado, o povo não se sente tão empenhado em solidarizar-se com os seus exércitos. Na realidade, o Pentágono “terceiriza” a guerra e usa mais mercenários do que patriotas nos combates.

Na semana passada, ele dissera, em outra cerimônia militar, que os Estados Unidos devem terminar com a guerra contra o terrorismo tal como ela se desenhara no governo Bush. Ontem, no entanto, insistiu que “a América ainda está em guerra”.

É possível que os mitos em torno da superioridade norte-americana, alimentados pela imprensa, pela literatura e, sobre todos os outros  meios, pelo cinema e pela televisão, estejam sendo dissolvidos pela realidade. Há coisas novas, que nos trazem certa esperança. Entre elas, o primeiro compromisso entre o governo colombiano e as Farc, a propósito da política agrária a ser adotada no país. E, por mais a França e a Inglaterra advoguem uma intervenção militar na Síria, não parece que Washington e Moscou, cada capital com as próprias razões, aceitem essa nova aventura.

Obama parece sincero em seu apelo ao Congresso para que autorize fechar Guantánamo e em sua disposição de deixar o Afeganistão no ano que vem. Mas isso não o isenta do que seu país fez na Líbia e em sua cumplicidade com Israel contra o povo palestino. 

As virtudes do povo americano – e são muitas – só serão conhecidas quando eles esquecerem os mitos e assumirem sua plena humanidade.

QUEBRANDO A POLÍTICA DE FHC - NEOLIBERAL

EM 2001, QUANDO A POLÍTICA DO GOVERNO FHC ERA DE ARROCHO SALARIAL E ESTRANGULAMENTO DO MERCADO INTERNO EM CONJUNTO COM AS OUTRAS CENTRAIS E COM O GOVERNO DO ESTADO DO RJ, ASSINAMOS O PRIMEIRO SALARIO MINIMO REGIONAL. ELEVANDO O SALÁRIO DE VÁRIAS CATEGORIAS EM NOSSO ESTADO, AQUECENDO NOSSO MERCADO INTERNO.


Descanse em paz, Roberto Civita



















Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Morreu Roberto Civita. Morreu de câncer, ainda que a mídia demo-tucana não diga. E não diz porque não pode, ou porque dizer envolve uma lição de vida que a deprecia. A lição? Ora, não comemore o sofrimento de seus inimigos porque a fragilidade humana nos une a todos.

Minha hora chegará, como chegou para Civita. Porém, estou tranquilo.

Enquanto ele esteve doente eu jamais fiz o que ele fez com Lula através de seus blogueiros e colunistas amestrados, que ironizaram a doença do ex-presidente e deram curso a uma onda de frases hediondas que comemoravam seu câncer, hoje tido como curado.

Reinaldo Azevedo, um dos autômatos de Civita, foi particularmente cruel ao mandar o ex-presidente se tratar no SUS por ter elogiado o sistema durante seu governo. Quantos outros políticos elogiaram as próprias obras na saúde pública e jamais foram alvo dessa ironia?

O ex-tucano Mario Covas, por exemplo, elogiou a própria obra na saúde pública quando era governador de São Paulo e nem por isso a Veja e assemelhados o mandaram se tratar no SUS paulista. E muito menos o PT, que se solidarizou com ele.

Todos aqueles que não perdoaram Lula nem quando estava tão fragilizado, ainda que eu não acredite nisso deveriam refletir sobre a morte recente daquele que pagava o tal Azevedo para fazer coisas como aquelas – digo “pagava” porque, agora, não paga mais nada, ao menos nesta vida.

Não se comemora a doença ou a morte de semelhantes. Falar mal de Civita por sua obra à frente de seu império editorial, neste momento, não é a minha praia. Este é um momento de dor para os seus familiares.

Contudo, falar sobre como ele tratou o sofrimento de seus inimigos políticos faz todo sentido – e, como se sabe, o que faziam e continuam fazendo seus hoje ex-empregados era e é produto de sua visão de mundo, enquanto estava nele.

Mas a morte do ex-barão da imprensa tem um sentido mais amplo. Civita foi um homem tido como muito poderoso, do alto de seus bilhões de dólares e de seu império descomunal. Contudo, não queiram ver como todo esse poder se tornou nada, ao fim.

Não é bonito ver um ser humano agonizar, mas é necessário. Só assim nos damos conta do que somos, ou do que não somos. E o que nenhum de nós jamais será é “poderoso”, pois Poderoso só é Deus, para quem acredita Nele como eu.

E, para quem não acredita em Deus ou deuses, ninguém é poderoso.

Somos todos seres frágeis como uma flor ou um fio de cabelo. Falíveis, débeis, assustados com a nossa própria debilidade humana e com a nossa ínfima pequenez diante do desconhecido, ainda que alguns de nós queiram passar uma ideia diferente.

Lamento, porém, a morte de Civita. Tinha muitas críticas a lhe fazer e, agora, não tenho mais simplesmente porque ele deixou de existir. Posso criticar a obra, mas não o autor. Ele está fora do alcance de mortais como eu ou você que me lê.

Descanse em paz, portanto, Roberto Civita.

México x Brasil: modelos em disputa


Por Marcelo Zero, no blog Escrevinhador:

Os conservadores brasileiros têm um novo fetiche: a Aliança do Pacífico. Trata-se um novo bloco econômico comercial que pretende agregar, numa área de livre comércio, Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica.

Conforme as notícias que lemos na grande imprensa, a Aliança do Pacífico foi criada para servir de contrapeso ao Mercosul, um bloco de economias “estatizadas” e “pouco dinâmicas”, que rejeitam as benesses do livre-comércio. Ainda de acordo com nossos determinados paleoliberais, que persistem em suas crenças panglossianas mesmo após a crise do capitalismo desregulado, o futuro pertence à Aliança, ao passo que ao Mercosul caberia o atraso, a estagnação e o isolamento.

Bom, em primeiro lugar, é preciso observar que qualquer bloco econômico da América do Sul ou da América Latina que não inclua o Brasil não terá maior relevância regional. O Brasil é a sexta economia mundial e o Mercosul, em seu conjunto, já representa a quarta economia mundial, à frente de gigantes como Alemanha e Japão. Em contrapartida, o México, a grande economia da Aliança do Pacífico, é a décima quarta economia do mundo (dados de 2011) e a Aliança como um todo representaria a novena economia do planeta. Ademais, nenhum país da Aliança chega perto do peso demográfico, geográfico e geopolítico que o Brasil tem hoje no mundo.

Alguns argumentam que a Aliança exporta mais que o Mercosul. É verdade. Em razão das grandes exportações do México, fruto essencialmente da sua participação no NAFTA, esse bloco efetivamente exporta mais. Porém, esses defensores da Aliança não mencionam que a balança comercial do México é deficitária. Entre 2002 e 2011, segundo dados da ALADI, o México acumulou cerca de US$ 72 bilhões de déficit em sua balança comercial. Não é muito, se levarmos em consideração o volume da corrente de comércio mexicana, mas é algo significativo. Em contraste, o Brasil acumulou, no mesmo período, um superávit de US$ 303 bilhões, que muito contribuiu para a superação da vulnerabilidade externa de nossa economia.

Em segundo lugar, o Brasil e o Mercosul já têm livre comércio ou comércio bastante facilitado com todos os países da América do Sul que aderiram à Aliança do Pacífico. Em alguns casos, há muito tempo. O Chile, por exemplo, formalizou sua associação à área de livre comércio do Mercosul já em 1996, com a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Chile (ACE Nº35). O Peru, por sua vez, aderiu à zona de livre comércio do Mercosul em 2003, com a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Peru (ACE Nº 58/03). E a Colômbia, junto com Equador e Venezuela, tornou-se membro associado do Mercosul em 2004, mediante a assinatura do Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Colômbia, Equador e Venezuela (ACE Nº 59/04).

Ou seja, todos esses países da Aliança, e mais todos os demais países da América do Sul (à exceção de Guina e Suriname), já fazem parte, em maior ou menor grau, da zona de livre comércio do Mercosul. A única grande diferença, em relação aos membros plenos do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), é que eles não fazem parte da união aduaneira do Mercosul e nem participam de suas instituições políticas.

Como resultado dessa integração, as exportações do Brasil para essas nações aumentaram exponencialmente. Para a Colômbia, as exportações brasileiras aumentaram de US$ 638 milhões, em 2002, para US$ 2,83 bilhões, em 2012. Em relação ao Peru, nossas exportações subiram de apenas US$ 438 milhões para US$ 2,4 bilhões, no mesmo período. No que tange ao Chile, as exportações brasileiras aumentaram de US$ 1,4 bilhão, em 2002, para US$ 5,4 bilhões, em 2011. Diga-se de passagem, o Brasil tem alentados superávits com todos esses países.

Além disso, esses países da América do Sul que participam da Aliança do Pacífico já têm, por forças desses acordos citados e dos acordos firmados no âmbito da Comunidade Andina, livre comércio entre si. Portanto, a única novidade da Aliança é a proposta de livre comércio entre esses países e o México. Nesse sentido, a Aliança do Pacífico nada mais é, pelo menos por enquanto, do que um acordo de livre comércio entre o México e alguns países remanescentes da Comunidade Andina, já que Equador, Bolívia e Venezuela não pretendem aderir. Não se pense, aliás, que a Aliança do Pacífico vai conseguir acesso facilitado ao mercado norte-americano. Qualquer acordo com os EUA terá de passar pelo crivo draconiano do Congresso norte-americano, que exigirá, dos países da Aliança, bem mais do que livre comércio.

Much ado about nothing, diria o dramaturgo de Stratford-upon-Avon.

Em relação ao México, o Brasil firmou o Acordo de Complementação Econômica nº 53, ainda em 2002. Tal acordo, embora menos ambicioso que os demais citados aqui, estabeleceu preferências tarifárias em cerca de 800 itens da pauta exportadora. Ademais, o Brasil e o México firmaram, também em 2002, o Acordo de Complementação Econômica nº 55/02, destinado unicamente a estabelecer um maior intercâmbio comercial de automóveis.

Por conseguinte, a Aliança do Pacífico não tem nenhum impacto significativo sobre a realidade econômico-comercial da América do Sul e América Latina. E nem sobre o Brasil e o Mercosul. A não ser que os demais países da região abandonem o Mercosul, coisa altamente improvável, ela não representa ameaça real ao Brasil e ao autêntico processo de integração. Seu impacto maior é apenas político-ideológico: ela representa simbolicamente a aposta estratégica e incondicional no livre-cambismo, como solução mágica para os problemas econômicos e sociais de nossa região. Com a crise do capitalismo desregulado, essa pauta já deveria estar definitivamente enterrada, mas, como a fênix, ela ressurge teimosamente das suas próprias cinzas para enganar os incautos.

Relativamente a esse assunto, é interessante cotejar a experiência recente do México com a do Brasil.

O México, além de aderir ao acordo inteiramente assimétrico do NAFTA, já em 1992, firmou nada menos que 32 acordos de livre comércio. Trata-se do país campeão em livre comércio, o que mais celebrou acordos desse tipo em todo o mundo.

Se os teóricos do livre-cambismo estivessem certos, o México seria a economia mais dinâmica e inovadora do mundo. Contudo, os resultados efetivos são, para dizer o mínimo, duvidosos.

Após um período inicial de euforia com os novos investimentos norte-americanos e com o grande aumento do seu comércio internacional, principalmente com a criação de empresas “maquiladoras” na fronteira com os EUA, os inevitáveis efeitos negativos da integração tão assimétrica com a maior economia mundial se tornaram cada vez mais evidentes.

No campo industrial, houve grande esfacelamento da estrutura produtiva nacional. Muitas empresas mexicanas não conseguiram sobreviver à concorrência da produção industrial dos EUA. E as que conseguiram foram, em boa parte, compradas a baixos preços por grupos econômicos norte-americanos. Isso aconteceu de modo especialmente intenso na outrora pujante indústria têxtil mexicana, que passou a orbitar a cadeia produtiva dos EUA.

Na área agrícola, houve a geração de notável insegurança alimentar. O México, que era exportador de grãos, no período pré-Nafta, passou a importá-los dos EUA em sua quase de totalidade. Tal processo de destruição das culturas agrícolas se deu inclusive no que tange ao milho, base da alimentação e culinária mexicanas. Hoje em dia, o milho utilizado no México é quase todo colhido nos EUA, que subsidia fortemente a sua produção. Embora a agricultura mais moderna e irrigada tenha sobrevivido, a agricultura familiar foi muito afetada.

Ademais, houve fragilização da proteção jurídica ao meio ambiente e “precarização” das relações trabalhistas, em virtude dos privilégios concedidos aos investidores norte-americanos, no capítulo sobre investimentos do Nafta.
A consequência mais relevante foi, contudo, o aumento das desigualdades regionais e sociais no México. Houve poucos “ganhadores” mexicanos com a integração aos EUA e com os demais acordos de livre comércio, concentrados principalmente no Norte do país. As demais regiões, principalmente a região Sul do México, e a grande massa dos trabalhadores urbanos e rurais mexicanos não se beneficiaram na mesma medida, como se esperava. Na realidade, ocorreu significativo incremento das assimetrias regionais e sociais, impulsionado pelos efeitos econômicos desagregadores e destruidores da integração aos EUA.

Estudo feito pelo Banco Mundial, em 2007, intitulado Lessons from NAFTA for Latin America and the Caribbean Countries: A Summary of Research Findings (lições do NAFTA para os países da América Latina e do Caribe: resumo das conclusões da pesquisa), mostrou cabalmente que os efeitos da inserção internacional do México, ao longo do Nafta, foram significativamente regressivos.

Ademais, a economia mexicana tornou-se ainda mais dependente da economia dos EUA, dependência que não foi revertida com assinatura dos demais acordos de livre comércio. Com a crise, que afetou profundamente a economia norte-americana, o México praticamente não cresceu, em 2008, e, em 2009, seu PIB caiu quase 7%.

Nos primeiros 10 anos deste século, o PIB per capita (PPP) do México cresceu apenas 12%, bem abaixo do que cresceu o do Brasil (28%). Na realidade, o México só superou, nesse cômputo, a frágil Guatemala, o país que menos cresceu em toda a América Latina, com base nesse parâmetro específico. O recente crescimento do México, obtido graças, essencialmente, ao afluxo de capitais especulativos, não muda esse quadro estrutural.

Quanto aos imensos investimentos que o México esperava receber, em razão de suas concessões incondicionais ao livre-comércio, eles se dirigiram em volume incomensuravelmente maior para a China, uma economia bastante “estatizada”, porém extremamente dinâmica.

No que se refere à inovação tecnológica, o México, como reconhece a própria Academia Mexicana de Ciências (AMC), é um dos países mais atrasados do mundo. Para se ter uma ideia, as universidades chinesas conseguiram, em 2011, o reconhecimento de cerca de 35 mil patentes. As universidades mexicanas requereram apenas 70 e, desse total, somente 35 foram reconhecidas. Para quem pensava que a abertura da economia levaria automaticamente ao desenvolvimento tecnológico, o México é um gritante contraexemplo. Maquiladoras não geram inovação.

No Brasil, em contraste, a estratégia de inserção econômica no cenário mundial produziu resultados altamente progressivos. De fato, o Brasil adotou uma estratégia de inserção inversa à do México e a de outros países da região. A partir do governo Lula, o nosso país rejeitou claramente a proposta da ALCA ampla norte-americana, que continha cláusulas idênticas às do Nafta, e apostou na integração regional, via Mercosul e Unasul, na grande diversificação de suas parcerias estratégicas, especialmente com os demais BRICs, e na articulação geopolítica Sul-Sul, sem descuidar, porém, de suas boas relações com os países mais desenvolvidos.

O grande aumento das nossas exportações e os alentados superávits comerciais que tal estratégia proporcionou foram decisivos para reduzir substancialmente a nossa vulnerabilidade externa, zerar a dívida externa brasileira e criar um quadro econômico propício à redução das taxas de juros e à retomada do crescimento. Além disso, tal estratégia aumentou significativamente nosso protagonismo internacional e nossa autonomia político-diplomática. O resultado mais eloquente dessa inserção internacional, associada ao modelo de desenvolvimento brasileiro, tange ao fato de que, no Brasil, a maioria da população foi beneficiada.

Assim, ao contrário do México e de outros países da região, o Brasil é hoje ator mundial de primeira linha, que consegue articular exitosamente os interesses regionais e os anseios dos países em desenvolvimento em todos os foros internacionais relevantes. O nosso país fez a escolha estratégica acertada e soube aproveitar pragmaticamente as mudanças na ordem geoeconômica mundial, que deslocaram o centro dinâmico da economia internacional para os países emergentes. Já os países que apostaram na integração assimétrica aos EUA e às demais grandes economias internacionais não colheram, em geral, os frutos apregoados pelo ideário paleoliberal e se tornaram mais vulneráveis à crise mundial, que vem afetando mais intensamente as economias da Tríade (EUA, União Europeia e Japão).

A tendência, diga-se de passagem, é que os países emergentes continuem a apresentar maior dinamismo, o que recomenda o prosseguimento dessa estratégia exitosa, que nos transformou num autêntico global player, com uma corrente de comércio bastante diversificada.

A Aliança do Pacífico, o novo modismo do livre-cambismo regional, não passa, por conseguinte, de uma miragem paleoliberal.

Uma mistura de ideologia com fatos mal-assimilados. Uma Aliança do Factoide.

Brizola Humilha Jornalista de O Globo.flv

Brizola tinha razão.



" QUEM TEM ESCOLA NÃO PRECISA DE CAVEIRÃO"

Aécio e os brucutus da mídia


http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

A Folha e a dupla Aécio Neves-Marina Silva estão em nova ofensiva.

Marina, que contraditoriamente quer formar um partido chamado “Rede”, publicou sexta-feira um artigochamado “mensalet”, onde diz que os boateiros e seus detratores são ”organizações mantêm suas brigadas digitais, com “editores” dos debates e notícias cujos critérios são os interesses de seus patrões” e diz que “uma investigação detalhada poderia mostrar essa espécie de “mensalão da internet”, uma indústria subterrânea da calúnia”.

Hoje, Aecinho segue a linha e diz que essa ação busca “desconstruir a imagem de qualquer um que ouse defender ideias divergentes dos interesses daqueles que mantêm plugada essa verdadeira quadrilha virtual”.


Patrões? Quadrilhas?

Será que estão se referindo às organizações de mídia que mantêm blogueiros e colunistas dedicados, permanentemente, a atacar um governo progressista?

Será que estão se referindo a registrar sites como “petralhas.com.br”, que, segundo oWhois, continua registrado em nome do Instituto Social Democrata e do tucano de alto coturno Eduardo Graeff?

Aécio diz que “esse tipo de ação covarde é um lado da moeda que, na outra face, tenta controlar a imprensa, impedir a formação de novos partidos, defender a remoção do direito de investigação do Ministério Público e a submissão das decisões do STF à maioria governista no Congresso Nacional”.

Tenta controlar a imprensa, como? Enchendo ela de verbas, como faz o Governo Federal? Será que o Governo a controla? Só se for masoquista. Ou será que o Estado de Minas, que recebia verbas vultosas do governo mineiro, sob Aécio, estava comprometido?

Impedir a formação de novos partidos? Ou impedir que levem o dinheiro do fundo partidário e o tempo de televisão, que não são propriedade pessoal do mandatário, mas resultado da manifestação do eleitor, que lhes deu o mandato por outro partido?

Ah, será que somos nós, “blogueiros sujos”, que não temos mais – quando temos – uns míseros banners, os que somos uma poderosa quadrilha de difamação?

Mas não foram os “blogs sujos”, mas o Estadão que publicou que “o senador Aécio Neves (PSDB) fez para o Rio de Janeiro 63% das viagens bancadas pela verba de transporte aéreo (VTA) do Senado. Desde o início do mandato, o presidenciável pagou com dinheiro público 83 voos, dos quais 52 começaram ou terminaram na capital fluminense” e acrescenta que “as passagens de Aécio pelo Rio costumam aparecer em colunas e redes sociais que, não raro, registram sua presença em baladas e eventos cariocas nos fins de semana”.

Vejam que barbaridade difamatória publica o vetusto jornal paulista:

“Em tom bem-humorado, em 27 de agosto a imprensa do Rio registrou a participação do senador numa celebração do “PC (Partido do Chope)”, num bar em Copacabana, três dias antes. O Senado pagou R$ 939 pelo voo entre São Paulo e a cidade naquele dia, uma sexta-feira, e mais R$ 172 pelo trecho Rio-Belo Horizonte na segunda-feira seguinte.”

Senador, os blogueiros sujos do Rio de Janeiro só aceitam uma subvenção num chopinho, se o senhor quiser convidar. A minha parte eu dispenso, porque já não posso fazer estas farras. Quanto a essas acusações, seria bom esclarecer de quem o senhor fala.

Senão, fica parecendo difamação. Ou aquela música da “Turma do Funil”.

Leonel Brizola - por Carlos Lupi

Ex-ministro Carlos Lupi - Flexibilização da CLT

A visita do vice-presidente dos EUA


Por Mário Augusto Jakobskind, no jornal Brasil de Fato:


Está chegando ao Brasil, na próxima quarta-feira (29), o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. No Rio de Janeiro, tem programada uma visita à Petrobras para conversar sobre assuntos energéticos. Ele dirá também que os Estados Unidos estão interessados em se converter em sócio estratégico do Brasil.

Depois das andanças pelo Rio de Janeiro, onde será recepcionado por Graça Foster, presidenta da Petrobras, Biden se reunirá com a presidenta Dilma Rousseff e, naturalmente, tentará convencê-la a, de uma vez por todas, fechar negócio para a aquisição de 36 aeronaves da Boeing para as Forças Armadas.

Biden quer evitar que o governo brasileiro decida comprar os Raphales franceses, como parecia que ia acontecer ainda no governo de Luís Inácio Lula da Silva, mas cuja transação acabou sendo suspensa e a decisão da compra adiada para o governo Dilma Rousseff.

Na verdade, essa história dos EUA como “sócio estratégico”, bem como “conversações sobre assuntos energéticos”, não chega a ser um fato novo. Ao longo da história, o tema aparece na ordem do dia e, geralmente, as autoridades estadunidenses têm pressionado sucessivos governos brasileiros no sentido de aceitarem as propostas do “aliado”. Também, provavelmente, não será nada de novo no front midiático a cobertura da vinda do vice-presidente Joe Biden. Ou seja, leitores, telespectadores e ouvintes serão contemplados com deslumbramento e, para variar, subserviência.

E não será também nenhuma novidade o comportamento de jornais como O Globo, por exemplo, que no passado (e no presente) sempre defendeu interesses estadunidenses, mesmo sendo lesivos aos interesses nacionais.

Nesse sentido, vale até uma consulta ao livro, ainda não traduzido para o português, intitulado The Americanization of Brazil, de autoria do historiador da CIA, Gerald Haymes.

No livro, Haymes revela que em 1954 furiosos editoriais de O Globo contra o presidente Getúlio Vargas eram produzidos na Embaixada dos Estados Unidos, então localizada no Rio de Janeiro. A fúria dos estadunidenses se devia, sobretudo, à então recente criação da Petrobras, a mesma empresa que o Departamento de Estado na ocasião, com a ajuda de seus áulicos brasileiros, tentou evitar nascer.