BRASIL PRA FRENTE

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O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















domingo, 31 de março de 2013

MIDIA GOLPISTA


Milhares retornam às ruas em Chicago contra fechamento de escolas públicas



    A iniciativa da prefeitura de Chicago em fechar 60 escolas, com fechamentos de mais de 30 mil vagas, levou milhares as ruas na quarta-feira (27). Como retaliação, a polícia da cidade prendeu cerca de 100 pessoas, inclusive o vice-presidente do Sindicato dos Professores de Chicago.
   O protesto foi organizado principalmente pelo Sindicato dos Professores de Chicago e contou com o apoio de outros sindicatos e movimentos sociais. O protesto denunciou os planos neoliberais da prefeitura e do seu Conselho de Educação, e exigiu que seja encerrada a política de fechar as escolas públicas para favorecer a expansão de escolas privadas.
  Segundo nota do Sindicato dos Professores de Chicago, “é necessário concentrar investimento nas escolas públicas, nas famílias trabalhadoras e nas dificuldades dos bairros periféricos”.
  No total, a manifestação reuniu mais de sete mil pessoas que marcharam pelas as ruas da cidade. Durante a concentração em frente à prefeitura, na Avenida LaSalle, mais de 100 pessoas foram presas, entre as quais, o vice-presidente do Sindicato dos Professores, Michael Brunson. Durante a manifestação Brunson afirmou que “é uma obscenidade a afirmação da prefeitura de que o que estão fazendo preserva os direitos civis”. Ele acrescentou que “agora, vamos mostrar para eles o que é um verdadeiro movimento cívico”.
  A presidente do sindicato, Karen Lewis, advertiu aos estudantes, professores e as famílias para que sejam fortes no enfrentamento do fechamento das escolas, e prometeu pressão do povo junto ao tribunal de justiça, “não deixem essas pessoas tirarem sua escola”.
Um dia antes, na terça-feira (26), ao perceber as mobilizações dos pais, professores e demais setores da cidade, a segurança do Conselho de Educação da prefeitura começou a preparar barricadas de metal no entorno de suas instalações para barrar os protestos do dia seguinte.
  A prefeitura usa como pretexto para fechar as escolas um suposto déficit de US$ 1 bilhão na educação. Para o prefeito, Rahm Emanuel, correligionário e amigo de Obama, fechar as escolas trará benefícios acadêmicos aos alunos, já que a prefeitura não consegue prover educação de qualidade.

  Os pais dos estudantes acusam a prefeitura de mentir sobre uma suposta “crise de subutilização” das escolas públicas, para beneficiar as escolas privadas. 

Notícias do manicômio



DAVID BROOKS
  Há semanas em que você não pode dar notícias a partir dos EUA de maneira racional o que muitas vezes é, objetivamente, um mosaico de loucuras. Se alguém consegue fazer isso, suspeita-se que só foi possível porque se tornou um interno a mais no hospício.
  De dentro, eles insistem, tudo tem uma explicação lógica. Porém às vezes isso só prova que eles estão loucos.
  Por exemplo, entre as principais notícias dos últimos dias destaca-se o anúncio de que os líderes do Congresso já não consideram necessário a proibição de armas de assalto, ou seja, nada mais nada menos do que armas de guerra, no projeto de lei para impor maior controle das armas de fogo. O motivo: não há apoio suficiente entre os parlamentares. Na verdade, de acordo com uma pesquisa da CNN, o apoio público a controles mais rígidos sobre armas caiu de 52% a 43% desde o morticínio de Newtown.
  O direito dos cidadãos de possuir armas, argumenta-se aqui, é garantido pela Constituição. A partir da lógica interna do manicômio, alguns alegam algo que soa quase revolucionário: que os cidadãos têm o direito de se armar, não apenas para proteger-se dos maus que andam por aí, mas do próprio governo e dos seus possíveis abusos dos direitos dos cidadãos, como, por exemplo, as tentativas de tomar-lhes as armas.
  Reivindicação dos pais de 20 crianças assassinadas em Newtown há apenas três meses, bem como de uma deputada federal, cuja carreira foi interrompida por uma bala na cabeça, disparada por um louco armado; o envio por redes sociais de uma das imagens mais impactantes desta semana – as lentes dos óculos de John Lennon ainda manchadas de sangue, com a mensagem de sua viúva, Yoko Ono, de que mais de um milhão 57 mil pessoas foram mortas por armas de fogo nos Estados Unidos desde que John Lennon foi baleado e morto em 8 de dezembro de 1980, ou as estatísticas diárias dos tiroteios em Chicago com saldos de jovens mortos, ou o fato de que essas armas de assalto são as favoritas do crime organizado no México e nos Estados Unidos: todas estas mensagens racionais e os fatos a favor da criação de controles mais rígidos sobre armas, colidem contra a dinâmica manicômio oficial.
  Envergonho-me de que o Congresso não tenha a coragem para promover este controle, disse um pai de uma das crianças mortas na escola primária de Newtown há apenas três meses.
  Mas a vergonha não parece incomodar um Congresso que tem um índice de aprovação do público de apenas 12%. Embora a nota principal em Washington nos últimos anos seja de que há uma estagnação do processo político, onde tudo emperra - desde reformas de controle de armas e imigração até o orçamento federal – por uma suposta polarização ideológica, outro fenômeno sugere exatamente o oposto. De fato, o que é indiscutível é a existência de um consenso bipartidário sobre as políticas neoliberais que geraram o maior nível de desigualdade econômica desde a Grande Depressão e acabou com o tão aclamado sonho americano e, por outra parte, a construção de um Estado de segurança nacional sem precedente, ameaça as liberdades e garantias que o governo alega defender, incluindo a fundamental liberdade de expressão.
  James Goodale, o advogado do New York Times em 1971, quando o jornal tomou a decisão de publicar os Papéis do Pentágono, o maior vazamento de documentos secretos oficiais na história do país antes do caso de Bradley Manning e o Wikileaks, e enfrentou o governo obcecado com segredos oficiais e manipulação pública do presidente Richard Nixon, recentemente qualificou o tratamento de informações confidenciais e liberdade de imprensa pelo presidente Barack Obama, de pré-diluviano, conservador, reacionário, pior do que Nixon, em uma entrevista com o Columbia Journalism Review.
  Em outras partes do hospício havia notícias esta semana. Só para citar algumas: de acordo com Financial Times, a empresa Halliburton, encabeçada pelo ex-vice-presidente Dick Cheney antes da guerra contra o Iraque, obteve contratos no valor de US$ 39,5 bilhões para prestar serviços a invasão estadunidense, o negócio do sangue paga bem. Além disso, Obama, que disse estar empenhado em combater a mudança climática, nomeou como próximo secretário de Energia Ernest Moniz, um cientista nuclear do MIT, que conduziu um programa de pesquisa financiado por grandes empresas de energia e também foi consultor ou integrante de diretorias de várias destas, incluindo a inglesa BP, responsável por um dos piores desastres ambientais no Golfo do México.
  Ao mesmo tempo, o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, acaba de anunciar que vai fechar cerca de 60 escolas para lidar com um déficit orçamentário. O mesmo acontece em outras cidades, como Nova York, Filadélfia, Washington, Baltimore e Detroit. No entanto, nessas mesmas cidades há fundos para abrir dezenas de novas escolas charter que são publicamente subsidiadas porém administradas de forma privada, isto é, um esforço para privatizar o sistema público e destruir os sindicatos dos professores.
  Neste clima de austeridade também há dinheiro para construir mais prisões. Os governos federal e dos estados gastam cerca de 70 bilhões de dólares por ano no sistema prisional, os estados gastam em prisões quase o mesmo que em universidades. Isto no país onde há mais presos no mundo, tanto em números absolutos como em porcentagem de sua população. A União Americana de Liberdades Civis relata que isso significa que um em cada 99 habitantes está preso. Com 5% da população mundial, os Estados Unidos têm 25% da população carcerária do mundo.
  Tudo isso, e mais, é relatado como se fosse mais ou menos normal. A loucura tornou-se normal. Mas, certamente, essa informação é classificada como secreta, para o bem de todos nós no hospital mental.

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Eleições e democracia: como a mídia golpista falseia os fatos


No enfoque dos diferentes processos eleitorais, palavras como democracia, ditadura, popular, populismo, opressão, liberdade de imprensa, censura, perdem totalmente seus significados etimológicos e são manipulados para confundir as mentes e impor uma visão unilateral dos fatos

PAULO CANNABRAVA FILHO*








Atualmente e não tão recentemente, têm havido eleições em várias partes do mundo e chama a atenção como os meios de comunicação tratam a cobertura desses eventos, seja no aspecto mídia-espetáculo, seja no aspecto conceitual, o que é muito mais importante.
O que mais salta à vista é o diversionismo ideológico explícito no enfoque desses diferentes processos eleitorais. Palavras como democracia, ditadura, popular, populismo, opressão, liberdade de imprensa, censura, perdem totalmente seus significados etimológicos e são manipulados para confundir as mentes e impor uma visão unilateral dos fatos. Um ato de guerra contra uma população desarmada, por exemplo, é terrorismo, contudo, na mídia os terroristas são as vítimas da agressão imperial.
Fica no ar a dúvida: o que é uma democracia? A de Atenas ou de Roma? A do Reino Unido ou da Itália? A dos Estados Unidos ou de Cuba?
É preciso refletir, repensar a democracia desde seus primórdios históricos. A queda da monarquia (e nem todas as monarquias caíram) deu lugar à criação de um sistema eleitoral que contivesse as massas oprimidas e assegurasse a hegemonia para a nova classe emergente.
O poder monárquico se confundia com o poder da Igreja de Roma, para garantir a sobrevivência da hegemonia ameaçada com atomização dos Impérios, desde Roma até os atuais. E nesse contexto a Igreja de Roma se configura como o mais antigo e poderoso dos conglomerados empresariais transnacionais.
Vale a pena uma reflexão, e o fazemos com intuito provocatório, sobre alguns dos processos eleitorais em evidência ou não tão em evidência na mídia.
VENEZUELA BOLIVARIANA
Desde 1999 a Venezuela já realizou 16 eleições de acordo com as regras que tipificam a chamada "democracia ocidental e cristã" com participação massiva da população. O ex-presidente Carter e outros observadores de peso, admitiram publicamente que o processo eleitoral venezuelano é o mais limpo e democrático. Ele não poderia falar nada diferente, pois é o tipo de eleição que seu país quer impingir ao mundo. Não obstante, como não deu resultado o marketing político e a campanha publicitária bilionária dos partidos tradicionais e foi eleito um adventício, ou seja, um de fora da corte, o governo legalmente eleito foi todo tempo demonizado.
Se tivesse sido eleito um oligarca branco ou um caboclo servil seria apresentado pelos meios como exemplo da democracia em nossa América. Mas, como foi eleito um caboclo, de origem humilde, é exemplo de populismo, de demagogia, de ditador castro-comunista. Só não acusaram Chávez de comedor de criancinhas.
Em abril a Venezuela realizará novas eleições para a presidência. Se eleito Maduro terá sido eleito por utilização da máquina governamental. Se Caprilles for eleito (quase impossível) será por manifestação democrática. E já não faltam os que estão semeando discórdia acusando Maduro de violar a Constituição, o que não é verdade.
Se a expressão das massas populares se transforma em força política, os conservadores entram em pânico por que se lhes fecha o caminho de retorno e reconstrução da hegemonia.
No caso da Venezuela não há dúvida de que o que sustentou Chávez 14 anos no poder foi a força política dessa expressão das massas. As fotografias e os audiovisuais sobre as manifestações de pesar pela morte de Chávez deixa ver nitidamente a cor da pele e a dimensão dessa multidão. Não obstante, a mídia dos conservadores trata por todos os meios desqualificar, demonizar essa democracia, por causa daquilo que ela tem de melhor: é popular, de massas.
Fato novo da Nossa América, os meios conservadores já não conseguem convencer às grandes massas, pois estas adquiriram saber, têm opinião própria, reconhecem a seus líderes e não se deixam mais conduzir pelos arautos do Apocalipse. Quase todos os meios impressos venezuelanos são de oposição. A televisão e as rádios ainda têm grande importância, mas, ao assumir um combate insano contra um governo e um líder que é do agrado das massas, perderam credibilidade. Paralelamente, surgem meios públicos e estatais de comunicação, porém, não vinculados a uma estratégia de comunicação revolucionária.
Sabiamente, a Revolução Bolivariana deu voz aos bairros organizados através das rádios comunitárias. E estão surgindo informativos impressos alternativos, além dos foros de discussão sobre o processo bolivariano por toda parte.
Isso não aparece nos meios, como tampouco aparecem as conquistas da Revolução, tais como: a erradicação do analfabetismo; nenhuma criança fora da escola; é o 5º país do mundo com maior taxa de matrícula escolar e universitária; saúde gratuita para todos; construção de 8.500 hospitais, etc.
Dados da ONU confirmam que, antes de Chávez, a Venezuela tinha 70% de pobreza, com 40% de pobreza extrema. Hoje a pobreza está em torno de 26% e a pobreza extrema foi reduzida para 6%. A inflação, que era de 103%, está hoje em 22,8%.
Tudo isso foi alcançado a duras penas, com erros e acertos. Os críticos apontam tão somente os erros e reclamam de ineficiência do setor produtivo. Se esquecem de que também em seus países os obstáculos para o desenvolvimento são os mesmos: ausência de infraestrutura, ausência de uma base produtiva prévia, ditadura do capital financeiro, e, fundamente, ausência de mão de obra qualificada.
IGREJA DE ROMA
No processo eleitoral do Vaticano 115 cardeais elegeram, entre eles, um novo papa. Alguém elegeu esses cardeais? Evidentemente que não. Eles conduzem uma Igreja de uns 400 mil presbíteros e quase um bilhão de seguidores (fiéis), entre os quais mulheres, que, apesar de maioria, são admitidas na igreja apenas como serviçais. Nenhum desses padres votou para eleger um bispo nem tem direito algum de opinar sobre os candidatos a papa. Vão dizer que no caso se trata de religião, coisas do espírito, tudo é diferente. Não é bem assim. O Vaticano é um estado e reconhecido como tal tem representação diplomática de vários outros estados. O Brasil, por exemplo, mantém embaixador no Vaticano. Tem também um banco central (o IOR) e uma disputa feroz pelo poder vacante.
Do ponto de vista das regras políticas que servem de paradigmas para definir as democracias ocidentais e cristãs, o Vaticano é a mais típica e prolongada das ditaduras. O cargo de bispo de Roma, que é também de pontifício ou Papa, além de ser escolhido por um punhado de "iluminados", é por toda a vida. Só perde o mandato por morte. No caso – muito raro - de renúncia, o direito canônico não prevê a perda da condição de representante de deus. Sendo o papa vitalício, após a fumacinha branca veio a proclamação: habemus papi.
O direito canônico (a constituição deles) determina a infalibilidade do papa. Isso significa que as ordens ditadas por ele têm que sem cumpridas sem discussão. Por isso, após a escolha, todos os seus eleitores juram se submeter à palavra do papa. Muito democrático, não é?
Nesta democracia do Vaticano, patriarcal e machista, quem desobedecer ou contrariar a palavra (leia-se vontade) do papa é imediatamente castigado, senão com a excomunhão, com "cale a boca e fique quietinho no seu canto", como ocorreu com o teólogo brasileiro frei Leonardo Boff. Não faz muito tempo, o castigo poderia ser bem maior. O museu da inquisição em Lima deixa qualquer pessoa, até mesmo da Operação Condor, horrorizada com a crueldade dos instrumentos de tortura. Para os mais recalcitrantes em aceitar a palavra infalível do papa, o castigo era a fogueira. Hoje existem outros métodos menos explícitos.
Apesar de minúsculo, o Vaticano possui uma das maiores fortunas do mundo. Suas propriedades se estendem por quase todos os centros urbanos, notadamente nas metrópoles cuja história se desenvolveu mais ou menos paralela à do Vaticano, ou Igreja de Roma. O IOR, ou Banco do Vaticano, é o banco preferido pela máfia italiana e por quantos se enriquecem com negócios ilícitos. Os investimentos do Vaticano estão no mercado financeiro, petróleo, comunicação, indústria bélica, aluguel de imóveis e tudo que possa gerar lucro. Os grandes especuladores financeiros e os portadores de dinheiro ilícito operam em paraísos fiscais como Bahamas, Luxemburgo, Mônaco, entre tantos, e o próprio Vaticano e seus bancos filiados (lembre-se do Banco Ambrosiano). Por que ninguém se atreve a levantar os ativos do Vaticano?
Toda a conquista territorial e política de extermínio das populações nativas de Nossa América foi feita em conluio com a Igreja de Roma. Ao longo da história, todas as ditaduras, das mais cruéis às mais brandas, massacraram seus povos com o beneplácito do Vaticano. Toda política de saqueio e genocídio do colonialismo europeu foi realizada com as bênçãos pontifícias. Que democracia é esta?
ESTADOS UNIDOS
Nos EUA, já sua primeira constituição dizia que os governantes deveriam ser brancos e ricos. O desenvolvimento capitalista que conduziu à potência que o país é hoje manteve esse princípio. Para se chegar ao estado de bem estar que deveria servir de modelo para o mundo, correu muito sangue dos trabalhadores reprimidos, perseguição ao diferente, exclusão social, racismo e saqueio das riquezas e da força de trabalho das nações em desenvolvimento.
Nos Estados Unidos, só tem chance de se eleger para qualquer posto executivo ou legislativo quem tem muito dinheiro e for ungido com o apoio de um dos partidos do status quo. O processo passou por aperfeiçoamentos que tornaram suas eleições bem mais democráticas que as do Vaticano, mas tão elitista quanto.
Lá, no dia da eleição, o cidadão que quiser comparecer às urnas, vai, vota no seu candidato, mas quem decide o vencedor não será o seu voto e sim o de um Colégio Eleitoral. Antes, para ser aceito como candidato por um dos dois partidos hegemônicos, terá de passar pelas prévias nos principais colégios eleitorais. Existem outros partidos, porém, o custo para uma campanha é tão alto que a realidade que se impõe é a de um bipartidarismo em que as únicas diferenças entre Democratas e Republicanos são de método ou de índole, nunca de princípios ou de concepção de estado e de governo.
Por exemplo, em 2000, George Bush perdeu a eleição para Al Gore pelo voto popular, ganhou no tapetão, isto é, por decisão do Colégio Eleitoral, que é o mesmo que dizer por fraude. O Colégio é integrado por 538 delegados, indicados pelos partidos nos estados, em número proporcional ao peso demográfico, e vence quem obter os votos de 270 delegados. Mas eles mesmos e nossa mídia insistem em que democracia é isso.
Esse modelo, em que dois partidos com a mesma proposta se alternam no poder é o que apregoam como paradigma para os povos de Nossa América. Tentaram impor pela força no Brasil, quando da ditadura civil militar (1964-1985), depois de ter fechado o Congresso e extinto cerca de 16 partidos, criaram o MDB e a ARENA.
ELEIÇÕES NO EQUADOR OBSERVADAS PELO MUNDO
Em meados de fevereiro, os equatorianos foram às urnas para eleger presidente e vice-presidente, os parlamentares à Assembleia Nacional e cinco representantes ao Parlamento Andino. Para vencer no primeiro turno, de acordo com a Constituição, é necessário mais de 40% dos votos e 10% a mais que outros colocados. Não alcançado este quociente, haveria segundo turno.
Tudo foi feito dentro das regras do jogo que qualificam a democracia formal. Fato inédito na história do Equador e de qualquer outro país de Nossa América, para garantir a lisura dessas eleições foram enviados mais de 600 observadores. Além da OEA e da Unasul, o Parlamento Andino, Liga Árabe, União Africana, Associação das Nações do Sudeste Asiático e a União Interamericana de Organismos Eleitorais, além de cerca de 60 personalidades políticas e intelectuais, compondo um contingente de cerca de 300 pessoas.
O presidente Rafael Correa foi reeleito com quase 60% dos votos (57,17%), 34,49% de diferença do segundo colocado, o banqueiro Guillermo Lazo, o preferido da mídia mundial. O empresário Álvaro Noboa Pontón, segundo favorito na torcida midiática, conseguiu 3,72% dos votos.
Confirmado pelo voto popular, Correa agora passou à categoria de "ditador eleito", tal como Chávez. Se a vitória fosse de Noboa, sem dúvida as manchetes diriam que foi "restaurada a democracia" no Equador.
Correa conquistou a confiança do povo por governar com decência, por utilizar os recursos advindos do petróleo e outras commodities em obras de infraestrutura e de redenção social, com ênfase nas áreas de educação e saúde, e também por ouvir as maiorias e minorias. As oligarquias de Nossa América não se conformam com que, enquanto os modelos por eles apregoados estão economicamente estagnados ou cresceram abaixo de 3% nos últimos seis anos, o Equador cresceu 4,3%.
Não é fácil superar os estragos provocados em décadas de desgoverno conduzidos por agentes do capital financeiro especulativo e dos saqueadores das riquezas nacionais. Tal o descalabro que até mesmo a moeda nacional foi substituída pelo dólar estadunidense. Tudo isso com apoio dos meios de comunicação. Meios que se transformaram em partidos e instrumentos da contrarrevolução e do entreguismo. Com tudo isso, a população de mais baixa renda que era de 37,6% em 2006 baixou para 27,3% em 2012.
Por pretender democratizar o sistema de governo e os meios de comunicação, por pretender garantir que cumpram com a Constituição e as leis, que as riquezas minerais e naturais sejam utilizadas em benefício da Nação, e por pretender dar voz às maiorias, e democratizar os meios de comunicação, Rafael Correa passou para a categoria de ditador, por nacionalizar o petróleo, comunista. Ou seja, está sendo tratado pela mídia como se inimigo fosse da democracia. Democracia para quem, cara-pálida?
ELEIÇÕES NA CUBA SOCIALISTA
Cuba realizou eleições para a Assembleia Nacional em janeiro, com mais de 90% de comparecimento. Todos os candidatos de todos os municípios foram eleitos. Em fevereiro, os 612 deputados eleitos elegeram o novo governo, com mandato de cinco anos.
Como o sistema eleitoral e de governo cubano não segue a cartilha da democracia ocidental e cristã, já descritas nos tópicos anteriores, os meios de comunicação, quando não ignoraram o fato, retiraram-lhe importância. Para a mídia, Cuba é simplesmente a ditadura dos Castro. Será mesmo?
Antes disso, em 2011, o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba aprovou novas diretrizes para a estratégia de desenvolvimento do país, as quais vêm sendo seguidas pelo governo. Esse congresso revelou fatos de grande relevância que estão a ocorrer em Cuba e escondidos pelos meios de comunicação servis ao Império. O que mais me chamou a atenção foi o componente humano: 50% negros, 50% mulheres e 50% jovens. Fato realmente surpreendente, um grande avanço numa Cuba de origem social machista e elitista governada por brancos.
A composição da nova Assembleia Nacional e do novo governo revela o mesmo fenômeno de ascensão social e renovação etária. A idade média dos integrantes do Conselho de Estado é de 57 anos, 39% são negros ou mestiços e quase 42% mulheres. E percebe-se, tanto nos discursos como na prática cotidiana, que as mulheres se dispõem a aumentar ainda mais a presença nas entidades, em todas as instâncias do país.
Ao ser reconduzido à presidência, Raúl Castro anunciou que este é seu último mandato e que nenhum outro cubano poderá permanecer no poder, seja executivo ou legislativo, por mais de dois mandatos (dez anos). Essa e outras reformas, que dependem de reforma da Constituição, deverão ser aprovadas em plebiscito. Justificam com que há que dar lugar às novas gerações e estas não têm o carisma e a legitimidade dos que fizeram a Revolução vitoriosa de 1959.
Todos os meios especulam sobre o futuro de Cuba sem Fidel. O que será de Cuba? Para onde irá Cuba? São perguntas que devem ser formuladas às novas gerações que, formadas pela Revolução, estão ascendendo – sob o silêncio sepulcral dos grandes conglomerados de mídia - às direções dos organismos políticos e de governo.
* É jornalista e editor da revista virtual bilíngue Diálogos do Sul.
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Combater a inflação à custa do crescimento já é página virada, diz Dilma na África do Sul


Se funcionasse, não teríamos inflação

Quem quiser aumentar taxa de juro vai ter que arranjar outro pretexto
A presidente Dilma Rousseff criticou “as vozes” que propugnam pela alta dos juros e a recessão como forma de trilhar o caminho de um suposto e fictício combate à inflação. “Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico”, disse ela. “Até porque nós temos uma contraprova dada pela realidade. Tivemos um baixo crescimento no ano passado e houve um aumento da inflação porque teve um choque de oferta devido à crise. Um dos fatores era externo”, afirmou.

Contra a inflação, o caminho é o crescimento, afirmou Dilma  

Em Durban, a presidente lembrou que o país teve baixo crescimento em 2012 e mesmo assim a inflação subiu
Em entrevista coletiva realizada em Durban, terceira maior cidade do país de Nelson Mandela, onde foi participar da reunião dos países integrantes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a presidente Dilma Rousseff criticou na quarta-feira (27) "as vozes" que propugnam pela alta dos juros e a recessão como forma de trilhar o caminho de um suposto e fictício combate à inflação. Dilma desqualificou as propostas nesse sentido ao responder a um repórter sobre o tema. "Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico", disse.
"Até porque", acrescentou a presidente, "nós temos uma contraprova dada pela realidade. Nós tivemos um baixo crescimento no ano passado e houve um aumento da inflação porque teve um choque de oferta devido à crise. Um dos fatores era externo", lembrou. "Então, eu acredito o seguinte: esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende?". "Eu vou acabar com o crescimento do país?", indagou. "Isso eu acho que é uma política superada", completou. "Isso não significa que o governo não está atento e, não só atento, acompanha diuturnamente essa questão da inflação", disse Dilma.

"Não achamos que a inflação está fora de controle, pelo contrário, achamos que ela está controlada e o que há são alterações e flutuações conjunturais. Mas estaremos sempre atentos", destacou a presidente. Ela frisou que o caminho para resolver os problemas dos preços internos é aumentar a produção. "Não tem nada que nós possamos fazer internamente, a não ser expandir a nossa produção, para conter o aumento dos preços das commodities derivado da quebra de safra nos Estados Unidos", afirmou. A mídia tentou distorcer e dar uma conotação diferente a fala da presidente que, em nota, rebateu e denunciou a manipulação das suas palavras.
As críticas da presidente Dilma à xaropada neoliberal, que insiste em defender juros altos, arrocho fiscal, desemprego e corte nos gastos e investimentos públicos, está absolutamente certa. O país está escolado nos desastres que essas políticas antipovo já provocaram. Não faz muito tempo esse receituário foi integralmente aplicado por essas bandas. No período Fernando Henrique Cardoso essa era a cartilha dominante e o resultado foi que o país quebrou três vezes. A população repudiou a subserviência daquele governo aos interesses dos monopólios e bancos internacionais. FH acabou com os investimentos, favoreceu as importações e alimentou a especulação financeira com juros nas nuvens. Milhões de trabalhadores perderam seus empregos e o país acabou de joelhos diante do FMI. E nada disso contribuiu para reduzir inflação nenhuma. Pelo contrário, no final do governo FH, a economia estava estagnada e a inflação beirava os 20% ao ano.

A presidente está certa também ao apontar o crescimento econômico como única saída para combater a inflação. O governo Lula foi o grande exemplo de que esse é o caminho mais adequado. As prioridades foram invertidas e centrou-se em políticas de crescimento do país com foco na ampliação do mercado interno, na valorização salarial e nos grandes investimentos. Esses projetos foram sintetizados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não se ouviu falar em inflação naquele período. Mais de 10 milhões de empregos foram criados e a indústria cresceu mais de 10% ao ano em 2010. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil chegou a crescer 7,5% naquele ano, enquanto nesta mesma época Estados Unidos e Europa se afundavam em crise e recessão.
E é bom que a presidente Dilma diga de forma categórica, como fez agora em Durban, que não quer a redução do crescimento, porque seus auxiliares parecem não estar sintonizados com ela nesta visão. O ministro Guido Mantega, que continuou na Fazenda em seu governo, resolveu inverter a política vitoriosa do governo Lula. Logo no início da nova administração cortou investimentos, manteve juros altos por um longo período, favoreceu a apreciação cambial e quebrou as indústrias. Fez também uma campanha e um pressão desavergonhada contra os aumentos salariais e o resultado não podia ser outro. Afundou a economia.
O desastre de Mantega não demorou a chegar. O setor público pagou R$ 236 bilhões de juros em 2011, 23% a mais que em 2010. O câmbio foi a R$ 1,60, favorecendo as importações e desarticulando as cadeias produtivas internas. O arrocho orçamentário, para ampliar o superávit primário, desacelerou o PAC. O crescimento do PIB recuou para 2,7%. A indústria estagnou e a taxa de investimento (FBCF), que Lula havia conseguido elevar de 15,3%, em 2003, para 19,5%, em 2010, recuou para 19,3%.
Por pressão da presidente, os juros começam a cair. Mas, eles só começaram a descer no segundo semestre de 2011. E com um agravante: os investimentos públicos, por decisão de Mantega, continuaram escassos. Isso se refletiu nos índices gerais de investimento. A taxa de investimento - Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - recuou de 19,3% para 18,1%, contrariando o compromisso da nossa presidente de elevá-la a 24%, até 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 recuou mais ainda e acabou ficando em míseros 0,9% - quando a média dos países emergentes e em desenvolvimento registrou o índice de 5,3%. E o pior, a indústria amargou uma queda de 2,5% em relação ao ano anterior.
A insistência nessa política de juros altos e corte de investimentos vem agravando ainda mais a situação. Como não há sinais de que as medidas adequadas estejam sendo tomadas até agora, a fala da presidente em Durban pode significar uma mudança de rumos. E é urgente que signifique mesmo.
Porque, ao invés da necessária ampliação dos investimentos públicos, o que se ouve são ridículas esperanças nos capitais estrangeiros. São anúncios pomposos de tecnocratas e lobistas, lançando ilusões de que esses capitais poderiam vir para "ajudar" o Brasil a crescer. Desde, é claro, que o patrimônio público lhes sejam entregues a preços de banana e financiamentos subsidiados do BNDES.
O programa de concessões da área de infraestrutura ao capital estrangeiro, recentemente anunciado, é um sintoma desse descaminho. Se a presidente Dilma quer mesmo combater a inflação com aumento de produção, se ela quer resolver as reais necessidades de nosso povo e promover o desenvolvimento, como está dizendo, deverá fazer uma correção no atual rumo empreendido por seus auxiliares. É urgente que ela impeça que a orquestração pela elevação das taxas de juros obtenha seus intentos. E é urgente também que sejam ampliados rapidamente os investimentos públicos para que o país possa retomar o seu caminho de crescimento. Todas as medidas lembradas pela presidente em seu discurso na África do Sul são realmente necessárias e têm que ser tomadas em breve. Antes que seja tarde.
SÉRGIO CRUZ

Cubanos moram nas ruas... da Espanha



Por Altamiro Borges

A vida é cruel! Os cubanos que deixaram a ilha como “dissidentes”, atraídos pela propaganda de consumo capitalista e pelas promessas de governos de direita, viraram moradores de rua na Espanha. Segundo reportagem da Folha – venenosa, mas reveladora –, “ex-presos políticos do regime castrista e suas famílias” hoje vegetam em barracas no centro de Madri. O governo espanhol simplesmente cortou a ajuda que os mantinha no país. Eles foram usados como arma de campanha contra Cuba e agora estão abandonados. Triste fim!


“O grupo faz parte dos 115 dissidentes cubanos que, após acordo entre Cuba e Espanha mediado pela Igreja Católica em 2010, foram enviados à Europa com suas famílias. Apenas nove deles continuam na Espanha. A maioria deixou o país, migrando para os Estados Unidos ou retornando a Cuba. Entre os que ficaram, cinco estão com suas famílias acampados há quase um ano em uma barraca improvisada no centro de Madri, em frente ao prédio do Ministério de Assuntos Exteriores. Um deles se suicidou”, relata a Folha.

Os cubanos “dissidentes” foram atraídos pelas falsas promessas do paraíso capitalista. O governo espanhol se comprometeu a pagar, por um ano e com possibilidade de prorrogação, um auxílio mensal de moradia e alimentação. Além disso, ele prometeu ajudá-los a encontrar postos de trabalho e a matricular seus filhos em escolas e universidades. “Com o desemprego na casa dos 25% da população economicamente ativa espanhola, a maioria não conseguiu emprego. E o governo desistiu de prolongar a ajuda”.

"Foi um erro dos dois governos. A Espanha em crise não nos oferece chances de trabalho, e o governo de Cuba não nos deu opção. Eu não vim para cá, fui trazido. Então este problema quem criou não fomos nós”, lamenta o marceneiro cubano José Miguel Fernández, um dos que vivem acampados em Madri com a mulher e o sobrinho. Preso em Cuba por apedrejar um edifício público, o “dissidente” chegou à Espanha em 2011 e recebeu ajuda de moradia por apenas seis meses. Hoje, ele e sua família sobrevivem de doações.

Com seu costumeiro veneno, a Folha conclui a reportagem afirmando que “o grupo estuda regressar a Cuba, mas diz que situação lá é ainda pior”. Não é o que indicam vários estudos de organismos internacionais que nada têm de comunistas. Na heroica ilha, que há 52 anos enfrenta o criminoso bloqueio dos EUA, pelo menos não há pessoas dormindo nas ruas e os índices de justiça social são dos mais altos do mundo. Em artigo recente, o francês Salim Lamrani listou alguns destas conquistas da revolução cubana:

*****

- Cuba dispõe da taxa de mortalidade infantil (4,6 por mil) mais baixa do continente americano – incluindo Canadá e EUA – e do terceiro mundo.

- A American Association for World Health, cujo presidente de honra é Jimmy Carter, aponta que o sistema de saúde de Cuba é “considerado de modo uniforme como o modelo preeminente para o terceiro mundo”.

- A American Association for World Health aponta que “não há barreiras raciais que impeçam o acesso à saúde” e ressalta “o exemplo oferecido por Cuba, o exemplo de um país com a vontade política de fornecer uma boa atenção médica a todos os cidadãos”.

- Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total), Cuba é, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a nação melhor dotada do mundo neste setor.

- Segundo a New England Journal of Medicine, a mais prestigiada revista médica do mundo, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito […]. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA.

- Segundo o Escritório de Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano sobre três critérios, expectativa de vida, educação e nível de vida durante a última década.

- Segundo a Unesco, Cuba dispõe da taxa de analfabetismo mais baixa e da taxa de escolarização mais alta da América Latina.

- Segundo a Unesco, um aluno cubano tem o dobro de conhecimentos do que uma criança latino-americana. O organismo enfatiza que “Cuba, ainda que seja um dos países mais pobres da América Latina, dispõe dos melhores resultados quanto à educação básica”.

- Um informe da Unesco sobre a educação em 13 países da América Latina classifica Cuba como a primeira em todos os aspectos.

- Segundo a Unesco, Cuba ocupa o décimo sexto lugar do mundo – o primeiro do continente americano – no Índice de Desenvolvimento da Educação para todos (IDE), que avalia o ensino primário universal, a alfabetização dos adultos, a paridade e a igualdade dos sexos, assim como a qualidade da educação. A título de comparação, EUA está classificado em 25° lugar.

- Segundo a Unesco, Cuba é a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional à educação, com cerca de 13% do PIB.

- A Escola Latino-americana de Medicina de Havana é uma das mais prestigiadas do continente americano e já formou dezenas de milhares de profissionais da saúde de mais de 123 países do mundo.

- O Unicef enfatiza que “Cuba é um exemplo na proteção da infância”.

- Segundo Juan José Ortiz, representante da Unicef em Havana, em Cuba “não há nenhuma criança nas ruas. Em Cuba, as crianças ainda são uma prioridade e, por isso, não sofrem as carências de milhões de crianças da América Latina, que trabalham, são exploradas ou caem nas redes de prostituição”.

- Segundo o Unicef, Cuba é um “paraíso para a infância na América Latina”.

- O Unicef ressalta que Cuba é o único país da América Latina e do terceiro mundo que erradicou a desnutrição infantil.

- A organização não governamental Save the Children coloca Cuba no primeiro lugar entre os países em desenvolvimento no quesito condições de maternidade, à frente de Argentina, Israel ou Coreia do Sul.

- A primeira vacina do mundo contra o câncer de pulmão, a Cimavax-EGF, foi elaborada por pesquisadores cubanos do Centro de Imunologia Molecular de Havana.

- Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, cerca de 132 mil médicos cubanos e outros profissionais da saúde colaboram voluntariamente em 102 países.

- Ao todo, os médicos cubanos atenderam mais de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas em todo o planeta.

- Atualmente, 38.868 colaboradores sanitários cubanos, entre eles 15.407 médicos, oferecem seus serviços em 66 nações.

- Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “um dos exemplos mais exitosos da cooperação entre os cubanos com o Terceiro Mundo tem sido o Programa Integral de Saúde América Central, Caribe e África”.

- Em 2012, Cuba formou mais de 11 mil novos médicos: 5.315 são cubanos e 5.694 são de 69 países da América Latina, África, Ásia… e inclusive dos Estados Unidos.

- Em 2005, com a tragédia causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, Cuba ofereceu a Washington 1.586 médicos para atender as vítimas, mas o presidente da época, George W. Bush, rejeitou a oferta.

- Segundo Elías Carranza, diretor do Instituto Latinoamericano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente, Cuba erradicou a exclusão social graças “a grandes conquistas na redução da criminalidade”. Trata-se do “país mais seguro da região, [enquanto que] a situação em relação aos crimes e à falta de segurança em escala continental se deteriorou nas últimas três décadas com o aumento do número de mortes nas prisões e no exterior”.

- Em relação ao sistema de Defesa Civil cubano, o Centro para a Política Internacional de Washington, dirigido por Wayne S. Smith, ex-embaixador norte-americano em Cuba, aponta em um informe que “não há nenhuma dúvida quando à eficiência do sistema cubano. Apenas alguns cubanos perderam a vida nos 16 furacões mais importantes que atingiram a ilha na última década, e a propabilidade de se perder a vida em um furacão nos EUA é 15 vezes maior do que em Cuba”.

- O informe da ONU sobre “O estado da insegurança alimentar no mundo 2012” aponta que os únicos países que erradicaram a fome na América Latina são Cuba, Chile, Venezuela e Uruguai.

- Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), “as medidas aplicadas por Cuba na atualização de seu modelo econômico com vistas a conseguir a soberania alimentar podem se converter em um exemplo para a humanidade”.

- Segundo o Banco Mundial, “Cuba é reconhecida internacionalmente por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maioria dos países em vias de desenvolvimento e, em alguns setores, é comparável ao de países desenvolvidos”.

- O Fundo das Nações Unidas para a População salienta que Cuba “adotou, há mais de meio século, programas sociais muito avançados, que permitiram ao país alcançar indicadores sociais e demográficos comparáveis aos dos países desenvolvidos”.

- Desde 1959, e da chegada de Fidel Castro ao poder, nenhum jornalista foi assassinado em Cuba. O último que perdeu a vida foi Carlos Bastidas Argüello, assassinado pelo regime militar de Batista em 13 de maio de 1958.

- Segundo o informe de 2012 da Anistia Internacional, Cuba é um dos países da América que menos viola os direitos humanos.

- Segundo a Anistia Internacional, as violações de direitos humanos são mais graves nos EUA do que em Cuba.

- Segundo a Anistia Internacional, atualmente, não há nenhum preso político em Cuba.

- O único país do continente americano que não mantém relações diplomáticas e comerciais normais com Cuba são os EUA.

A manipulação da fala presidencial para justificar alta de juros



Foi o que o sistema Globo fez ao cobrir Dilma na África do Sul: ela afirmou que era contra sacrificar crescimento e emprego em favor do combate à inflação, enquanto a Globo pôs no ar que ela não considerava o controle da inflação uma prioridade.


Há uma maneira simples e direta de manipular o noticiário de imprensa para ludibriar a opinião pública em relação a algum assunto de interesse: esconda-se atrás de uma “fonte” anônima ou, mais especificamente, do “mercado”. Foi o que o sistema Globo fez com notável cinismo na cobertura de uma entrevista da presidenta Dilma na África do Sul: ela afirmou que era contra sacrificar o crescimento econômico e do emprego em favor de um suposto combate à inflação, enquanto a Globo pôs no ar que ela não considerava o controle da inflação uma prioridade.


A Globo, manipuladora como é, não assumiu de forma explícita a crítica à presidenta. Disse, sim, que os “mercados”, ansiosos por aumentar os juros a pretexto de combater a inflação, reagiram mal à declaração dela. Normalmente, a emissora teria saído à cata de um economista com interesse próprio em jogo (há tantos) para vocalizar a crítica, escondendo-se atrás dele. Por um dos incidentes normais no jornalismo de tevê – pode ter faltado tempo para repercutir a fala da presidenta junto a um esbirro do mercado-, recorreu a algum fantasma neoliberal de casa para fazer no escuro o trabalho sujo.

Essa prática de jornalismo de interesses é o que há de mais sórdido na imprensa brasileira. Nesse caso específico, estamos diante de uma conspiração midiática para aumentar a taxa de juros sob o pretexto de combater uma inflação longe de estar fora de controle. Isso é mais comum do que o leitor ou telespectador imagina. Nem é exclusividade nossa: nos Estados Unidos, um colunista do principal jornal financeiro, The Wall Street Journal, foi demitido depois que se provou que anunciava na sua coluna num dia a ação que se valorizaria no dia seguinte!

É muito difícil provar “manipulação”. Mas todos que a sentem sabe do que se trata. A presidenta Dilma reagiu com rapidez e eficácia. Tinha, a seu favor, um bom número de jornalistas fazendo a cobertura da viagem, o que impedia um segundo nível de manipulação, desta vez truncando as palavras literais dela. É claro que, desmascarado, o sistema Globo não se deu por vencido. Na última sexta-feira o jornal do grupo fez um longo editorial com um titulo fundamentalmente cínico: “Presidente acerta ao esclarecer que combaterá inflação”. 

Vamos traduzir o significado do editorial, por partes. Primeiro, segundo o editorialista, a presidenta “acerta”. Quer dizer, de forma subliminar, antes ela tinha errado. Agora O Globo, com sua autoridade infalível, declara que ela está certa. Segundo, a presidenta esclarece que combaterá a inflação, e é por isso que ela acerta. Contudo, desde a primeira declaração manipulada, a presidenta expressou um compromisso com a estabilidade de preços, com a ressalva, porém, de não subordinar isso ao crescimento da economia e do emprego. O jornal omite isso.

Se o editorial do Globo fosse submetido ao mesmo tipo de manipulação a que foram submetidas as declarações presidenciais, poderíamos dizer que estamos diante de um grupo midiático que se comporta como partido político e, pior ainda, como fundo de aplicações financeiras. E isso não está limitado à direção empresarial. Os apresentadoras e comentaristas da Globo são tão entusiastas do noticiário neoliberal que vomitam sobre a opinião pública, indiferentes ao estrago que provocam (qual seria o custo para a sociedade de uma retomada da elevação da taxa de juros agora?), que é difícil imaginar, pela expressão de seu rosto, pelo tom da voz, pelos esgares que fazem, que são inocentes úteis a serviço dos patrões. São, de fato, inocentes remunerados não só mediante salários, mas comprados por consultorias e palestras!

Contudo, essa situação não tem solução simples. Pode-se impedir monopólios de emissoras de televisão por se tratar de concessões públicas, mas não há como impedir o estabelecimento de redes, mesmo quando não passam de um recurso fictício para encobrir monopólios. Por outro lado, o princípio da liberdade de imprensa e de opinião é um instrumento fundamental para o desenvolvimento da democracia de cidadania ampliada. Além disso, não sei como na prática funcionaria o tal controle social da mídia, como muitos reclamam.

Entretanto, quando governos se sentem manipulados pela mídia, eles têm o recurso do controle das verbas publicitárias. Podem também, mediante o mesmo recurso, estimular a concorrência e apoiar mídias alternativas. Há sempre o risco ideológico – governos não são eternos, e podem mudar de mãos levando nelas os controles. Há o caminho da difusão ampla e da democratização da informação pela internet. Mas melhor é o verdadeiro controle social, ou seja, o da audiência: o noticiário da Globo está manipulando declarações de uma presidenta progressista? Que o povo boicote o noticiário da Globo e os anunciantes que lhe dão suporte financeiro. Não há melhor pedagogia que o corte do dinheiro! 

Ah, deixem de fora do boicote as novelas. Elas são de boa qualidade, agradam o público, são um bom produto de exportação do Brasil e em geral são ideologicamente inofensivas.


http://www.cartamaior.com.br

sábado, 30 de março de 2013

O servil Marcelo Tas entrevista FHC




Por Altamiro Borges

Por sugestão do internauta Marcelo Gonçalves, o blog do amigo Renato Rovai postou o vídeo acima. Ele ajuda a entender o humorismo reacionário do CQC, comandado por Marcelo Tas. O jornalista até tenta se travestir de independente, irreverente e meio "anarquista". Pura balela! Ele sempre foi um tucano enrustido e um elitista metido, que só engana os mais ingênuos. Não é para menos que ele tem tanto ódio do chamado "lulopetismo" e que tenha autorizado a cafajestice do CQC nesta semana contra o deputado José Genoino.



No vídeo, o chefão Marcelo Tas - "o intrépido, irônico, lacônico, duro", como brinca Rovai - entrevista Fernando Henrique Cardoso. É só bajulação, puxa-saquismo da pior qualidade! Com o tempo, a ligação com os tucanos e reacionários só aumentou. Não é para menos que ele foi chefe de cerimônia de um evento dos demos e que hoje é uma das estrelas do Instituto Millenium, o antro dos barões da mídia golpista.

O SISTEMA


O próximo, o outro, não é seu irmão, nem seu amante. 

O outro é um competidor, um inimigo, um 

obstáculo a ser vencido ou uma coisa a 

ser usada. 

O sistema, que não dá de comer, 

tampouco dá de amar: 

condena muitos à fome de pão e muitos 

mais à fome de abraços. 

(Eduardo Galeano)

sexta-feira, 29 de março de 2013

RPDC chama forças progressistas a deter as provocações dos EUA



Coreia Popular adverte EUA para “campanha frenética de ameaças” e que ensaios de agressão nuclear já consistem em violação inaceitável da soberania da RPDC
O governo da República Popular Democrática da Coreia, através de seu Ministério do Exterior, enviou informe ao Conselho de Segurança da ONU (CS da ONU) alertando que a situação se agravou devido a que "os Estados Unidos move uma provocação, simulando guerra nuclear na Península Coreana".
O governo da RPDC também expediu uma conclamação a "todos os partidos progressistas e todos os que se opõem à guerra e são amantes da paz a se unirem contra a beligerância dos EUA e suas práticas arbitrárias".
"A injustiça nunca pode se tornar justiça apenas por ser praticada por países que pensam tirar vantagem de sua musculatura militar", afirma a declaração.
"Os EUA escalaram suas provocações com exercícios de simulação de guerra nuclear, com o uso de bombardeiros B-52 e submarinos equipados com ogivas nucleares transitando na fronteira do país", acrescenta o governo da Coreia Popular.
Os atos hostis se intensificaram após o lançamento de seu satélite com fins pacíficos "até chegarem ao limiar da guerra nuclear".
Segundo o exército da RPDC "os bombardeiros estratégicos B-52 voaram sobre o céu da Coreia do Sul na madrugada para ensaiar o lançamento de bombas nucleares" e que os generais norte-americanos já se referiram a um ataque desta natureza como "ataque nuclear preventivo".
"Com suas sanções, tentam impedir que a RPDC atinja a prosperidade e seu povo construa uma nação desenvolvida e florescente, de forma que sua política hostil ao país termine em fracasso. É isso que eles temem, a ponto de ensaiarem uma guerra nuclear", esclarece a nota.
O chefe encarregado das Conversações Militares entre o Norte e o Sul da Coreia denuncia a "frenética campanha fratricida travada pelos títeres sul-coreanos em adesão às provocações nucleares e ao alvoroço das sanções dos EUA contra a RPDC".
Informa também que os presentes movimentos militares já se configuram em "violação da soberania da RPDC por parte dos EUA, passando das ameaças e chantagens à ação aventureira".
O Comando do Exército da RPDC considera que nestas circunstância não faz sentido o contato telefônico entre os dois exércitos pois "são incompatíveis a guerra e o diálogo, o confronto e a reconciliação".
Enfatiza que "ao primeiro ataque pelos EUA, suas base militares serão reduzidas a cinzas". Informando que as Forças Armadas da RPDC estão equipadas com instrumentos reais de poder dissuasório, inclusive nuclear e esclarece também que todas as medidas, incluindo a colocação de seus arsenais balísticos em estado de alerta máximo, podem ser suspensas com a suspensão da beligerância dos EUA na região. "As medidas que tomamos serão executadas estritamente enquanto seguirem os atos hostis anacrônicos contra a RPDC".
NATHANIEL BRAIA
http://www.horadopovo.com.br/

Mídia omite greve de fome em Guantánamo


Por Altamiro Borges


















O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CIVC) anunciou ontem (27) que antecipará a visita ao campo de concentração de Guantánamo, mantido pelos EUA em território cubano. O motivo é a greve de fome dos prisioneiros, muitos deles sem julgamento, que já dura sete semanas. A delegação será composta por duas pessoas, com um médico entre elas. "Para tentar entender as tensões atuais e a greve de fome em curso, decidimos começar essa visita antes. O CIVC tinha previsto inicialmente visitar os prisioneiros de Guantánamo a partir de 1º de abril”, explicou o porta-voz do, Bijan Farnudi.



A greve de fome é um protesto contra as condições desumanas dos presos, muitos deles vítimas de torturas e humilhações. O movimento teve início em 6 de fevereiro, após uma inspeção dos soldados ianques. Os detentos denunciaram que os carcereiros confiscaram bens pessoais, como fotografias, cartas e exemplares do Corão, fato considerado como uma "profanação religiosa". Segundo o Center for Constitutional Rights, a maior parte dos 130 presos que se encontram no Campo 6 da prisão aderiu à greve de fome.

No início deste ano, a ONU divulgou comunicado criticando os EUA por violarem a legislação internacional dos direitos humanos. Ela ainda condenou o fato de muitos deles não terem sido julgados e serem mantidos presos por tempo indefinido. Antes de iniciar seu primeiro mandato, em 2009, o agora reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, havia prometido o fechamento da prisão. Esta promessa também foi esquecida. 

A mídia colonizada, que fez tanto escarcéu com a visita da dissidente cubana Yoani Sánchez, evita tratar do assunto. A prolongada greve de fome está totalmente invisibilizada nos jornalões, revistonas e redes de tevê. O discurso sobre direitos humanos da mídia é pura bravata, que só engana os ingênuos!