BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Jornalista e blogueiro egípcio fala sobre rebelião

Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito. Hossam destaca o papel que a juventude e o movimento sindical estão desempenhando nos protestos contra a ditadura egípcia e prevê momentos difíceis nas relações com os EUA. "Qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras".

Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito.

Por que foi necessária uma revolução na Tunísia para tirar os egípcios das ruas em uma quantidade sem precedentes?

No Egito dizemos que a Tunísia foi mais um catalisador que um instigador, porque as condições objetivas para um levantamento existiam no país e durante os últimos anos a revolta estava no ar. Já tivemos duas mini-intifadas, ou “mini-Tunísia” em 2008. A primeira foi um levantamento em abril de 2008 em Mahalla, seguido por outro em Borollos, no norte do país.

As revoluções não surgem do nada. Não temos mecanicamente uma amanhã no Egito porque ontem ocorreu uma na Tunísia. Não é possível isolar esses protestos dos quatro últimos anos de greves de trabalhadores no Egito ou de eventos internacionais como a intifada al-Aqsa e a invasão do Iraque pelos EUA. A eclosão da intifada al-Aqsa foi especialmente importante porque nos anos 80 e 90 o ativismo nas ruas havia sido efetivamente impedido pelo governo como parte da luta contra insurgentes islâmicos. Só seguiu existindo nos campus universitários ou nas centrais dos partidos. Mas quando estourou a intifada em 2000 e a Al Jazeera começou a transmitir suas imagens, isso inspirou a nossa juventude a tomar as ruas, da mesma maneira que hoje a Tunísia nos inspira.

Como se desenvolvem os protestos?

É muito cedo para dizer como se desenvolveram. É um milagre que continuaram ontem depois da meia noite, apesar do medo e da repressão. A situação chegou a um ponto em que todos estão fartos, seriamente fartos. E mesmo que as forças de segurança consigam aplastar os protestos hoje não poderão aplastar os que ocorrerão na próxima semana, no próximo mês ou, mais adiante, durante este ano. Definitivamente há uma mudança no grau de coragem do povo. O Estado usou a desculpa do combate ao terrorismo nos anos 90 para acabar com todo tipo de dissenso no país, um truque utilizado por todos os governos, incluindo os EUA. Mas uma vez que a oposição formal a um regime passa das armas a protestos massivos, é muito difícil enfrentar esse tipo de dissenso. Pode-se planejar a liquidação de um grupo de terroristas que combate nos canaviais. Mas o que vão fazer diante de milhares de manifestantes nas ruas? Não podem matar a todos. Nem sequer podem garantir que os soldados o façam, que disparem contra os pobres.

Qual a relação entre eventos regionais e locais neste país?

É preciso entender que o regional é local no Egito. No ano de 2000, os protestos não começaram como protestos contra o regime, mas sim contra Israel e em apoio aos palestinos. O mesmo ocorreu com a invasão dos EUA no Iraque três anos depois. Mas uma vez que se sai para as ruas e se enfrenta a violência do regime, a pessoa começa a se fazer perguntas: por que Mubarak envia soldados para enfrentar os manifestantes ao invés de enfrentar Israel? Por que exporta cimento para Israel, que o utiliza na construção de assentamentos, ao invés de ajudar os palestinos. Por que a política é tão brutal conosco quando só tratamos de expressar nossa solidariedade com os palestinos de maneira pacífica? E assim os problemas regionais como Israel e Iraque passaram a ser temas locais. E, em poucos instantes, os manifestantes que cantavam slogans em favor dos palestinos começaram ma fazê-lo contra Mubarak. O momento decisivo em termos de protestos foi em 2004, quando o dissenso se tornou interior.

Na Tunísia, os sindicatos desempenharam um papel crucial na revolução, já que sua ampla e disciplinada organização assegurou que os protestos não fossem sufocados facilmente. Qual o papel do movimento dos trabalhadores do Egito no atual levantamento?

O movimento sindical egípcio foi bastante atacado nos anos oitenta e noventa pela polícia, que utilizou munição de guerra contra grevistas pacíficos em 1989 durante greves nas plantas siderúrgicas e, em 1994, nas greves das fábricas têxteis. Mas, desde dezembro de 2006, nosso país vive continuamente as maiores e mais sustentadas ondas de ações grevistas desde 1946, detonadas por greves na indústria têxtil na cidade de Mahalla, no delta do Nilo, centro da maior força laboral do Oriente Médio, com mais de 28 mil trabalhadores. Começou por temas trabalhistas, mas se estendeu a todos os setores da sociedade com exceção da polícia e das forças armadas.

Como resultado dessas greves, conseguimos obter dois sindicatos independentes, os primeiros de sua classe desde 1957, o dos cobradores de contribuições de bens imóveis, que inclui mais de 40 mil funcionários públicos e o dos técnicos de saúde, mais de 30 mil dos quais lançaram mês passado um sindicato independente daqueles controladas pelo Estado.

Mas é verdade que há uma diferença importante entre nós e a Tunísia. Ainda que fosse uma ditadura, a Tunísia tinha uma federação sindical semi-independente. Mesmo que sua direção colaborasse com o regime, os seus membros eram sindicalistas militantes. De modo que, quando chegou a hora das greves gerais, os sindicatos puderam se somar. Mas aqui no Egito tempos um vazio que pretendemos preencher rapidamente. Os sindicalistas independentes foram alvo de uma caça ás bruxas desde que trataram de se estabelecer; já há processos iniciados contra eles pelos sindicatos estatais e respaldados pelo Estado, mas eles seguem se fortalecendo apesar das continuadas tentativas de silenciá-los.

É certo que, nos últimos dias, a repressão foi dirigida contra os manifestantes nas ruas, que não são necessariamente sindicalistas. Esses protestos reuniram um amplo espectro de egípcios, incluindo filhos e filhas da elite. De modo que temos uma combinação de pobres e jovens das cidades junto com a classe média e os filhos filhas da elite. Penso que Mubarak conseguiu agrupar todos os setores da sociedade com exceção de seu círculo íntimo de cúmplices.

A revolução tunisiana foi descrita como fortemente liderada pela juventude e dependente para seu êxito da tecnologia das redes sociais como Facebook e Twitter. E agora as pessoas se concentram em torno da juventude no Egito como um catalisador importante. Trata-se de uma “intifada juvenil” e ele poderia ocorrer sem o Facebook e outras novas tecnologias midiáticas?

Sim, é uma intifada juvenil na rua. A internet desempenha um papel na difusão da palavra e das imagens do que ocorre no terreno. Não utilizamos a internet para nos organizar. A utilizamos para divulgar o que estamos fazendo nas ruas com a esperança de que outros participem da ação.

Como deve ter ouvido, nos EUA, o apresentador de programas de entrevistas Glenn Beck atacou uma acadêmica, Frances Fox Piven, por um artigo que ela escreveu chamando os desempregados a realizar protestos massivos por postos de trabalho. Ela recebeu inclusive ameaças de morte, algumas de pessoas sem trabalho que parecem mais felizes fantasiando sobre usar uma de suas numerosas armas do que lutando realmente por seus direitos. É surpreendente pensar no papel crucial dos sindicatos no mundo árabe atual, tendo em conta as mais de duas décadas de regimes neoliberais em toda a região, cujo objetivo primordial é destruir a solidariedade da classe trabalhadora. Por que os sindicatos seguiram sendo tão importantes?

Os sindicatos sempre são o remédio mágico contra qualquer ditadura. Olhe a Polônia, a Coréia do Sul, a América Latina ou a Tunísia. Os sindicatos sempre foram úteis para a mobilização das massas. Faz falta uma greve geral para derrotar uma ditadura, e hoje não há nada melhor que um sindicato independente para fazê-lo.

Há um programa ideológico mais amplo por trás dos protestos, ou o objetivo é mesmo livrar-se de Mubarak?

Cada um tem suas razões para sair às ruas, mas eu suponho que se nosso levante tiver êxito e derrubarmos Mubarak aparecerão divisões. Os pobres querem impulsionar a revolução para uma posição muito mais radical, impulsionar a redistribuição radical da riqueza e combater a corrupção, enquanto que os chamados reformistas querem colocar freios, pressionar mais ou menos por mudanças “desde cima” e limitar um pouco os poderes, mas mantendo alguma essência do Estado atual.

Qual é o papel da Irmandade Muçulmana e como influencia o cenário atual o fato de ter permanecido até aqui distante dos atuais protestos?

A Irmandade sofreu divisões desde a eclosão da intifada al-Aqsa. Sua participação no Movimento de Solidariedade à Palestina quando se enfrentou com o regime foi desastrosa. Basicamente, cada vez que seus dirigentes chegam a um compromisso com o regime, especialmente os acólitos do atual guia supremo, desmoralizam seus quadros da base. Conheço pessoalmente vários jovens que abandonaram o grupo. Alguns deles se uniram a outros grupos, outros seguem independentes. A medida que cresce o atual movimento de rua e os militantes da base participam, haverá mais divisões porque a direção superior não pode justificar por que não toma parte desse novo levante.

[N.T. Nesta segunda-feira (31), a Irmandade Muçulmana divulgou um comunicado rejeitando o novo governo e pedindo que prossigam as manifestações para a queda do regime do presidente Hosni Mubarak]

Qual o papel dos EUA neste conflito? Como as pessoas na rua avaliam suas posições?

Mubarak é o segundo maior beneficiário da ajuda externa dos EUA, depois de Israel. Ele é conhecido como o capanga dos EUA na região; é um dos instrumentos da política externa dos EUA, que implementa seu programa de segurança para Israel e assegura o fluxo sem problemas do petróleo enquanto mantem os palestinos confinados. De modo que não é nenhum segredo que esta ditadura goza do respaldo de governos dos EUA desde o primeiro dia, inclusive durante a enganosa retórica em favor da democracia protagonizada por Bush. Por isso, não há surpresa diante das risíveis declarações de Clinton, que mais ou menos defendiam o regime de Mubarak, já que um dos pilares da política externa dos EUA é manter regimes estáveis a custa da liberdade e dos direitos civis.

Não esperamos nada de Obama, a quem com sideramos um grande hipócrita. Mas esperamos que o povo estadunidense – sindicatos, associações de professores, uniões estudantis, grupos de ativistas – se pronunciem em nosso apoio. O que queremos é que o governo dos EUA se mantenha completamente fora do assunto. Não queremos nenhum tipo de apoio, simplesmente que corte imediatamente a ajuda a Mubarak e retire o apoio a ele, e também que se retire de todas as bases do Oriente Médio e deixe de apoiar o Estado de Israel.

Em última instância fará tudo o que for preciso para se proteger. De repente, pode adotar a retórica mais anti-americana que se possa imaginar se isso puder ajudar a salvar sua pele. No final das contas, está comprometido com seus próprios interesses e se avaliar que perderá o apoio dos EUA, se voltará em outra direção. A realidade é que, qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras. De modo que não esperamos nenhuma ajuda dos EUA. Só que nos deixem em paz.
(*) Mark LeVine é professor de história na universidade da Califórnia Irvine e pesquisador visitante sênior no Centro de Estudos do Oriente Médio na Universidade Lund, na Suécia. Seus livros mais recentes são
Heavy Metal Islam (Random House) e Impossible Peace: Israel/Palestine Since 1989 (Zed Books).

Fonte: http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/01/201112792728200271.html

Traduzido do inglês para o Rebelión por Germán Leyens


(*) Traduzido do espanhol para a Carta Maior por Marco Aurélio Weissheimer

Wikileaks revelam sabotagem contra Brasil tecnológico

Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedi dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos fo Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. O artigo é de Beto Almeida.

O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 - de fabricação ucraniana - no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.

Veto imperial

O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.

Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.

Guinada na política externa
O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.

Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja ,finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.
Bomba! Bomba!

O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks recentemente e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.

A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.

Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.

Desarmamento unilateral
A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.
Intervencionismo crescente

O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.

São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikilieks.

Beto Almeida

domingo, 30 de janeiro de 2011

Euforia, banho de sangue e caos

Mais do que a tresloucada eleição do vice-presidente de Mubarak e do que a designação de um convescote num governo sem poder, as ruas do Cairo demonstraram que os líderes dos EUA e da União Europeia (UE) não entenderam nada. Acabou-se. Os débeis intentos de Mubarak, ao declarar que se deve terminar com a violência, quando sua própria segurança policial foi responsável, nos últimos cinco dias pelos atos mais cruéis, incendiaram ainda mais a fúria daqueles que passaram 30 anos sob uma ditadura sanguinária.

Os tanques egípcios, os manifestantes sentados sobre eles, as bandeiras, as 40 mil pessoas que choravam e alentavam os soldados na Praça da Liberdade, enquanto rezavam ao redor deles os irmãos da Irmandade Muçulmana, sentados entre os passageiros dos tanques. Seria o caso de comparar isso com a liberação de Bucareste? Sentado sobre um dos tanques de fabricação dos EUA, só podia recordar aquelas cenas cinematográficas maravilhosas sobre a liberação de Paris. Uns dois metros dali, a polícia de segurança de Hosni Mubarak, com seus uniformes pretos ainda disparava contra os manifestantes que estavam próximos do Ministério do Interior. Era uma celebração de uma vitória selvagem e histórica: os mesmos tanques de Mubarak estavam liberando a capital de sua própria ditadura.

Na pantomima do mundo de Mubarak – e de Barack Obama e de Hillary Clinton, em Washington -, o homem que ainda se autoproclama presidente do Egito realizou a eleição mais absurda de um vice-presidente para acalmar a fúria dos manifestantes. O eleito foi Omar Suleiman, chefe dos negociadores egípcios com Israel e um antigo agente da inteligência, um homem de 75 anos, com vários anos de visitas a Tel Aviv e a Jerusalém, assim como com vários infartos que os provam. Como este funcionário enfrentará a raiva e o desejo de libertação de 80 milhões de egípcios fica a cargo da imaginação. Quando contei aos que estavam ao meu redor no tanque sobre a designação de Suleiman, começaram a rir.

As tropas, em roupas esgarçadas, rindo e até aplaudindo, não manifestaram qualquer intenção de borrar a grafitagem que a multidão tinha pintado nos tanques: “Fora Mubarak” e “Teu regime está acabado, Mubarak”, aparecia em cada um dos tanques que percorriam as ruas do Cairo. Em um dos tanques que davam a volta ao redor da Praça da Liberdade estava um dos Irmãos Muçulmanos, Mohamed Beltagi. Mais cedo tinha passado perto um comboio de veículos blindados que estavam a postos próximo ao subúrbio de Garden City, enquanto as pessoas abriam o caminho entre as máquinas e levavam laranjas aos soldados, aplaudindo-os como patriotas egípcios.

Mais do que a tresloucada eleição do vice-presidente de Mubarak e do que a designação de um convescote num governo sem poder, as ruas do Cairo demonstraram que os líderes dos EUA e da União Europeia (UE) não entenderam nada. Acabou-se. Os débeis intentos de Mubarak, ao declarar que se deve terminar com a violência, quando sua própria segurança policial foi responsável, nos últimos cinco dias pelos atos mais cruéis, incendiou ainda mais a fúria daqueles que passaram 30 anos sob uma ditadura sanguinária. Prova disso são as suspeitas de que muitos dos saques estão sendo levados a cabo por policiais civis, assim como o assassinato de 11 homens numa área rural há 24 horas, para destruir a integridade dos manifestantes que estão tentando tirar Mubarak do poder.

A destruição de um número importante de centros de comunicações por parte dos homens com rostos tapados, que devem ter sido coordenados de alguma maneira, também levantou o alerta e veio a ideia de que os responsáveis seriam os agentes da civil que tinham golpeado os manifestantes. Mas os incêndios de delegacias de polícia no Cairo, em Alexandria e Suez, assim como em outas cidades foram obra dos policiais civis. Quase à meia noite de sexta para sábado, multidões de homens jovens atiçaram fogo ao longo da auto estrada de Alexandria.

Infinitamente mais terrível foi o vandalismo no Museu Nacional do Egito. Depois de a polícia abandonar o lugar, os saqueadores arrombaram a porta do edifício pintado de vermelho e destruíram estátuas faraônicas de quatro mil anos, múmias egípcias e impressionantes botes de madeira originariamente talhados para acompanhar os reis em suas tumbas. Mais uma vez, deve-se dizer, circularam rumores de que a polícia tinha causado esses atos de vandalismo antes de ter abandonado o museu na sexta à noite. Tudo parece recordar o que se passou no museu de Bagdá em 2003. O saque não foi tão grave como o do Iraque, mas o desastre arqueológico é pior. Os manifestantes se reuniram à noite, em círculo, na Praça da Liberdade, para rezar.

E também houve promessas de vingança. Uma equipe da cadeia de televisão Al Jazeera encontrou um depósito com 23 cadáveres em Alexandria, aparentemente assassinados pela polícia. Muitos tinham seus rostos horrorosamente mutilados. Outros onze mortos foram descobertos num depósito no Cairo. As famílias, que se congregaram ao redor de seus restos ensanguentados, prometiam represálias contra os policiais.

O Cairo agora oscila da euforia à mais sombria cólera em questão de minutos. Ontem pela manhã cruzei a ponte do rio Nilo para ver as ruínas do quartel do partido de Mubarak. Em frente, seguia de pé um pôster que promovia as bondades do oficialista Partido Nacional Democrata (PND), as promessas que Mubarak, não pôde cumprir em 30 anos. “Tudo o que queremos é a saída de Mubarak, novas eleições e nossa liberdade, e honra”, disse-me um psiquiatra de 30 anos.

A denúncia de Mubarak de que essas manifestações seriam parte de um “plano sinistro” é o núcleo de seu pedido de reconhecimento internacional. De fato, a resposta de Obama foi uma cópia exata de todas as mentiras que Mubarak está usando durante três décadas, para defender seu regime. O problema é o de sempre: as linhas do poder e as da moralidade não se unem quando os presidentes estadunidenses tem de tratar com o Oriente Médio. A liderança moral dos Estados Unidos desaparece quando se trata de confrontar os mundos israelense e árabe. E o exército egípcio é parte dessa equação. Recebe 1,3 milhões de dólares de ajuda estadunidense. O comandante dessas forças armadas e amigo pessoal de Mubarak, o general Mohamed Tantawi estava em Washington, no momento em que a polícia tratava de reprimir com violência os manifestantes. O final pode ser claro. A tragédia ainda não terminou.

Tradução: Katarina Peixoto

O Egito a caminho da revolução. O que fazer?


Aqueles que temem o crescimento do “islamismo radical” como fator de instabilidade nessa região, deveriam estar mais atentos em relação às “ditaduras amistosas” que, na verdade, são as principais responsáveis pela insegurança no mundo. Desemprego em massa, preços dos alimentos e repressão política é uma combinação explosiva mais perigosa do que os homens bomba. No caso do Egito dois terços da população são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados.

As mobilizações populares na Tunísia, Egito, Iêmen e em outros lugares são um alerta para o chamado mundo desenvolvido e seria uma grande avanço para a democracia se esta região que permanece imersa na violência, em fraudes eleitorais e miséria crescente da população recebesse o devido apoio internacional nesse momento.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os EUA poderão revisar a ajuda ao Egito. O presidente Obama solicitou às autoridades egípcias que evitem o uso de qualquer tipo de violência contra manifestantes pacíficos, alertando que " aqueles que protestam nas ruas têm uma responsabilidade de expressar-se pacificamente. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a “estabilidade do país é muito importante, mas não a qualquer preço”. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que "os líderes do Egito escutem as preocupações legítimas e os desejos de seus cidadãos”. O primeiro ministro britânico David Cameron declarou: “Eu acho que precisamos de reformas. Quero dizer que nós apoiamos o progresso e o reforço da democracia”.

Como avaliar a atitude desses líderes mundiais? Patética, cínica, hipócrita, irresponsável? Talvez devêssemos recorrer a um grande pensador liberal do século XIX, Aléxis de Tocqueville, e ouví-lo a respeito dos períodos revolucionários na França. Tocqueville alertava para o fato de líderes, que adquiriram experiência em lidar com a política em ambiente de ausência de liberdade, quando se encontraram diante de uma revolução que chegou “inesperadamente”, se assemelhavam aos remadores de rio que, de repente, se vêem instados a navegar no meio do oceano. Os conhecimentos adquiridos em suas viagens por águas calmas vão proporcionar mais problemas do que ajuda nessa aventura, e na maioria das vezes exibem mais confusão e incerteza do que os próprios passageiros que supostamente deveriam conduzir.

Já havia sinais reveladores dessas turbulências, mas o Ocidente preferia se preocupar com burcas, minaretes e terrorismo. Um relatório do Banco Mundial, publicado em 2009, informava que os países árabes importavam cerca de 60% dos alimentos que consomem e já são os maiores importadores de cereais no mundo, dependendo de outros países para a sua segurança alimentar. A elevação dos preços nos mercados mundiais, desde 2008, já causou ondas de protestos em dezenas de países e milhões de desempregados e pobres nos países árabes, como foram os casos da Argélia , em 1988, e da Jordânia em 1989. Um exemplo mais recente, além da região árabe, é o Quirguistão onde um aumento da eletricidade e tarifas de celulares causaram manifestações com dezenas de mortos e milhares de feridos.

Aqueles que temem o crescimento do “islamismo radical” como fator de instabilidade nessa região, deveriam estar mais atentos em relação às “ditaduras amistosas” que, na verdade, são as principais responsáveis pela insegurança no mundo. Desemprego em massa, preços dos alimentos e repressão política é uma combinação explosiva mais perigosa do que os homens bomba.

A demografia no mundo árabe é também um grande problema. A população cresceu cinco vezes durante o século XX, e o crescimento continua a uma média anual de 2,3%. A população do Egito está em torno de 80 milhões. Em 2050 (de acordo com projeções da ONU) deverá ter 121 milhões. A população da Argélia irá crescer de 33 milhões em 2007 para 49 milhões em 2050; a do Iêmen de 22 a 58 milhões. Isso significa que mais empregos precisam ser criados - e mais alimentos importados, ou aumentar a capacidade para produzir mais. No caso do Egito dois terços da população são jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% estão desempregados.

Baseada no turismo, na agricultura e na exportação de petróleo e algodão, a economia é incapaz de sustentar a taxa de crescimento demográfico. 40% da população vive com menos de US$ 2 (R$ 3,30) por dia, o país está na 101ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

De certa forma a auto-imolação do jovem tunisiano, Mohamad Bouazizi, que deflagrou a onda de protestos na Tunisia revela, no nível individual, aquilo que está acontecendo nas sociedades daquela região como um todo. Ele não se rebelou, apenas porque não encontrou trabalho que refletisse suas ambições profissionais, mas sim quando um oficial da polícia confiscou as frutas e legumes que estava vendendo sem autorização. Quando foi fazer uma reclamação para buscar justiça, sua demanda foi rejeitada.

Provavelmente foi este sentimento de injustiça que levou Mohamed Bouazizi e milhares de pessoas às ruas, empenhados em quebrar o ciclo da miséria e opressão.

Talvez seja mais confortável para a chamada comunidade internacional lidar com um mundo árabe dividido entre nacionalistas, relativamente seculares, de um lado e islamismo radical, de outro, do que um mundo mais complexo, com problemas econômicos, sociais e políticos que conta com sua cumplicidade.
(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP
BIG BROTHER BRASIL
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial (BOSSAL) tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
 
(Luiz Fernando Veríssimo)

sábado, 29 de janeiro de 2011

FMI lidera o coro reacionário por “ajuste” recessivo no Brasil

A experiência histórica é farta em exemplos de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não é um bom conselheiro para países como o Brasil. Mas a instituição, que serve aos desígnios do imperialismo americano e europeu, teima em dar palpites infelizes sobre a economia nacional. O mais recente está contido em relatório divulgado nesta quinta-feira (27), que faz alarde sobre a suposta deterioração das contas fiscais, que teria sido “particularmente brusca”.


De acordo com o FMI, na atual situação, o governo brasileiro não deve realizar “sua meta fiscal (superávit primário da ordem de 3% do Produto Interno Bruto, PIB) por ampla margem". O superávit, que nada mais é do que uma poupança feita para pagar juros da dívida interna com recursos subtraídos dos investimentos públicos, nos é apresentado como um dogma que não admite contestações. Negligenciá-lo é considerado um pecado mortal, imperdoável.
Política anticrise
Parte da política adotada pelo governo Lula em 2009 e também no ano passado para contornar os efeitos da crise mundial do capitalismo consistiu em reduzir sensivelmente o superávit primário, de forma a usar os recursos públicos disponíveis para ampliar os investimentos e evitar a queda do consumo. Isto compreendeu, entre outras coisas, renúncias fiscais, capitalização do BNDES, tímida ampliação do prazo do seguro-desemprego para algumas categorias e fomento do crédito público.

A política anticrise traduz uma orientação antagônica às receitas impostas pelo FMI que foram aplicadas pelo país no passado (durante a ditadura militar, anos 1980, e no governo FHC) e teve inegável êxito. O Brasil saiu rapidamente da crise e voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2009. Se o caminho escolhido fosse o da austeridade fiscal recomendado pela direita neoliberal o resultado não seria o mesmo e provavelmente estaríamos, agora, às voltas com estagnação econômica e desemprego em alta.

Coro reacionário
É tal orientação (contra a crise) que o FMI critica no relatório, acusando o governo de manter uma política fiscal muito relaxada. A famigerada instituição, gendarme da oligarquia financeira, não está isolada nesta crítica. Lidera um coro reacionário, que emana do mercado financeiro, serve a interesses obscuros e ecoa com força na mídia hegemônica. O suposto “descalabro” fiscal é a verdade absoluta do momento e, na versão do pensamento dominante, seria a causa profunda da aceleração da inflação, tese contestada por inúmeros economistas, inclusive pelo renomado crítico da globalização neoliberal e do FMI, o norte-americano Joseph Stiglitz.

É importante assinalar que, embora tenha sustentado os gastos públicos num momento de queda da receita (decorrente da crise e das isenções fiscais), o Brasil não incorreu em déficit público primário, ao contrário do que sucedeu com os Estados Unidos, Japão e União Europeia. Manteve o superávit primário, embora menor, e o crônico saldo negativo das despesas financeiras (designado de déficit nominal) provocado pelo escorchante pagamento dos juros, que consomem mais de 5% do PIB.
Déficit imperial e inflação
Já o déficit nos EUA é deveras escandaloso. Deve chegar a US$ 1,5 trilhão, cerca de R$ 2,5 trilhões, neste ano, de acordo com a previsão do Escritório de Orçamento do Congresso. Significa mais de 10% do PIB estimado em US 14,6 trilhões. O valor da dívida pública da velha e decadente potência não é menos chocante, está ultrapassando os últimos limites estabelecidos pelo Parlamento e se estes não forem elevados em breve o governo pode se tornar inadimplente e cair em moratória.

Todavia, Washington não só continua com a gastança como também não abre mão do privilégio de emitir dólares para resgatar títulos públicos, embora seja evidente que esta atitude é uma das principais causas da inflação e da guerra cambial que ameaça o mundo. O FMI, embora recomende um “ajuste [fiscal] significativo” para o império, não se atreve a dar palpites sobre o uso abusivo das impressoras do Federal Reserve.

Ao contrário do que dizem o FMI e a direita, o Brasil não enfrenta uma crise fiscal e nem demanda um ajuste recessivo para reprimir a demanda. O problema número 1 da economia é dado pela mais alta taxa básica de juros reais do planeta, que deprime os investimentos, valoriza o câmbio e desequilibra o orçamento. Infelizmente, parece que a área econômica do governo está se deixando levar pelo canto de sereia neoliberal, em detrimento da valorização do salário mínimo, do PAC e do desenvolvimento nacional.

Da redação, Umberto Martins, com agências
Presidenta Dilma Rousseff participa de cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto em Porto Alegre. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Após cumprir agenda no Rio de Janeiro, a presidenta Dilma Rousseff foi a Porto Alegre (RS) participar da cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Na ocasião, a presidenta homenageou o povo judeu que, segundo ela, soube manter viva a integridade, por meio de uma resistência cultural e religiosa vibrante e insubordinável.
“O holocausto não é nem nunca será só um momento histórico. O holocausto abre no mundo uma determinada prática de trato do opositor político, que consiste em calá-lo, mas não apenas silenciá-lo, trata-se silenciá-lo através de sua redução a sub-humanidade, através da tortura, da dor e da morte lenta (…). Não se confunda o dever da memória com a passividade da simples lembrança. A memória expressa a firme determinação de impedir que a intolerância e a injustiça se banalizem no caminho da humanidade”, disse.

A presidenta Dilma lembrou que o povo brasileiro, endossado pela Constituição Federal e as legislações a ela associadas, rejeita qualquer tipo de discriminação e de preconceito e celebra a primazia dos Direitos Humanos sobre quaisquer outros direitos. A presidenta foi clara ao reafirmar o compromisso de seu governo como um incansável defensor desse valores de igualdade, dignidade humana e respeito aos direitos humanos.
blog do planalto

Governo amplia prazo para sugestões de classificação dos programas de Tvs





O cidadão que quiser contribuir com sugestões sobre a programação dos canais de televisão abertos ou fechados tem mais tempo para se manifestar. O Ministério da Justiça prorrogou até o mês de abril o prazo para apresentação de sugestões. Inicialmente, o processo terminaria ontem (27/1), depois de já ter sido ampliado por um mês pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Agora, o interessado pode se manifestar no canal Cultura Digital, que armazenará todo o debate sobre classificação indicativa.

As grandes questões abordadas no debate são as corriqueiras discussões sobre o impacto dos jogos eletrônicos e campanhas publicitárias voltadas para as crianças e jovens, muitas vezes vendidos e veiculados sem classificação, além da fixação da faixa etária em turnos para as emissoras de Tv. Nesta discussão, emissoras e associações de Tv defendem a fixação da faixa de 12 anos para o período da manhã e liberação da faixa de 14 anos em qualquer horário, enquanto opiniões contrárias ressaltam que algumas propostas não demonstram nenhuma preocupação com a formação da criança e do adolescente.

Desde novembro de 2010, quando o debate foi aberto, a população pôde opinar sobre o tema (já foram registrados 1,5 mil comentários) e foram ouvidos também produtores de conteúdo, famílias, empresas, associações, Tvs por assinatura, redes de televisão aberta, institutos especializado, entre outros.

Ainda assim, o novo secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, acredita que é preciso ampliar o calendário de discussões para garantir a participação de amplos setores da sociedade brasileira.

blog do planalto


Brasil e Argentina assinarão uma série de medidas que visam estreitar as relações entre os dois países tanto no campo do comércio quanto das relações econômico-sociais, dentre as quais destacam-se convênios para a construção de reatores nucleares e de duas usinas hidrelétricas e um programa bilateral de habitação. Os acordos serão assinados durante a visita da presidenta Dilma Rousseff à Argentina na próxima semana, informou nesta sexta-feira (28) o embaixador Antonio Simões, subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe, em briefing à imprensa concedido no Palácio Itamaraty, em Brasília (DF).

De acordo com o embaixador, a escolha da Argentina como o primeiro país a ser visitado pela presidenta após sua posse se deve à importante parceria entre os dois países e ao aumento significativo do comércio bilateral, que atualmente gira em torno de US$ 33 bi. Além disso, ressaltou Simões, pela primeira vez na história os dois países são governados por mulheres.
“Entre 80% e 90% [desse comércio] é composto por manufaturados (…), então é um comércio muito interessante, pois é um comércio que gera emprego de carteira assinada, que gera prosperidade nos dois países e gera, sobretudo, uma interdependência econômica que é extremante importante para alavancar o desenvolvimento da relação também em outras áreas”, disse.
As presidentas Dilma Rousseff e Cristina Kirchner também assinarão uma declaração para a promoção da igualdade de gênero e proteção às mulheres, um memorando sobre bioenergia, um protocolo adicional para trabalhar de forma mais aprofundada a questão das fronteiras e a construção de uma ponte sobre o rio Peperi-Guaçu, que liga Santa Catarina à província argentina de Misiones.
Além disso, informou Simões, será instituído um fórum de altos executivos Brasil e Argentina, instância onde se discutirá o desenvolvimento dos dois países sob a ótica empresarial, e no campo econômico-social, um memorando para promoção comercial conjunta entre os dois países em diversos mercados.
“Esses [acordos] dão bem o caráter estratégico que estamos trabalhando. A gente tem pela frente um horizonte de aprofundamento da relação [bilateral] muito interessante. Nós temos de um lado coisas que vinham do governo passado, mas nós temos novos horizontes sendo abertos também pelas duas presidentas”, afirmou.
blog do planalto

Mantega diz que situação fiscal do Brasil é invejável frente a outros países

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, refuta relatório divulgado pelo FMI sobre economia brasileira. Foto: Elza Fiúza/ABr

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira (28/1), que o relatório Monitor Fiscal, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), traz algumas observações equivocadas em relação ao Brasil. De acordo com a publicação do FMI, estaria havendo uma deterioração da situação fiscal do país, conclusão refutada pelo ministro.
“Isto é um equívoco. Os próprios quadros que estão colocados mostram que, de 2009 para 2010, nós estamos tendo uma melhoria fiscal, ou seja, o resultado primário em 2010 será maior do que em 2009”.
O resultado fiscal divulgado hoje pelo Tesouro Nacional demonstra que o superávit primário do governo central já chegou a 2,16% do PIB, número superior ao registrado no ano passado, quando o setor público, somatório do governo central, estados e municípios, ficou em torno 2,1% do PIB. Além disso, a expectativa é de que o déficit nominal de 2010 fique entre o intervalo de 2,40% e 2,70% do PIB, portanto menor que o do ano passado: 3,34% do PIB. O Brasil continua entre os países com o menor déficit nominal entre as nações mencionadas pelo FMI no documento. “Temos uma situação fiscal invejável em relação a outros países”, disse Mantega.

Ainda de acordo com o ministro, a previsão de déficit nominal feita pelo FMI para 2011 também estaria equivocada. O Fundo prevê um déficit nominal de 3,1% do PIB, enquanto o governo brasileiro trabalha com uma previsão em torno de 1,8% do PIB, quase a metade do número que foi publicado no relatório da instituição.
“Nós estamos melhorando. Em 2009 e 2010 nós fizemos exatamente aquilo que o Fundo sugeriu que fizéssemos: uma política anticíclica, aumentando investimentos e gastos, para poder recuperar o país. Os dados que estão sendo divulgados hoje são a prova de que estamos fazendo um bom desempenho fiscal”.

Para Mantega, as metas de superávit dos estados e municípios não serão alcançadas na totalidade: “Vai faltar alguma coisa para completar (a meta) dos 3,1% do PIB”. Mas o resultado só será conhecido na segunda-feira quando o Banco Central divulgar a nota de política fiscal, com os números do setor público consolidado.

Por fim, o ministro afirmou que a meta de superávit de 2011 será alcançada na totalidade: “Nós vamos fazer um ajuste de modo que a dívida que vai terminar 2010 em torno de 41% do PIB, que já é menor que 2009, que foi 42,5%. Em 2011, nós devemos terminar abaixo de 30% do PIB. A dívida vem caindo e continuará caindo”.

Mais cedo, numa entrevista no ministério da Fazenda foi procedida a divulgação dos resutlados da economia brasileira. DE acordo com os números, o Governo Central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) apresentou superávit primário (economia para pagamento dos juros da dívida) de R$ 79 bilhões (2,16% do PIB) entre janeiro e dezembro do ano passado, contra R$ 39,4 bilhões apurado no ano de 2009. O resultado supera a meta fiscal prevista para 2010, de R$ 76 bilhões (2,15% do PIB).

Em dezembro, o superávit foi de R$ 14,4 bilhões, ante R$ 1 bilhão registrado em novembro. “O resultado do mês passado foi o melhor para o mês de dezembro da série histórica e fez com que o Governo Central cumprisse a meta fiscal prevista para o ano de 2010. Completamos o ano com sucesso”, comentou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin ao divulgar os números.

O secretário lembrou que o resultado de 2010 foi influenciado também por receitas de concessões decorrentes do processo de capitalização da Petrobras. No sentido contrário, destacou o aumento das despesas do governo, ainda para reduzir o impacto da crise financeira na economia do país. Observou, porém, que a programação de despesas do governo se comportou conforme o previsto.

Para 2011, Augustin prevê a continuação da melhoria dos fundamentos da economia brasileira, com reflexos positivos e grande interesse de investimentos estrangeiros diretos. “Estamos avaliando com bastante otimismo o equilíbrio de todas as variáveis da economia brasileira”.

Investimentos – O secretário considerou positivo o aumento dos gastos com investimentos em 2010 muito acima das despesas de custeio. “Nós tivemos um crescimento dos investimentos 20% superior ao do PIB do país. Já as despesas com custeio em relação ao PIB cresceram apenas 2%. Queremos sempre investimento crescendo mais que o custeio”.

Na avaliação de Augustin, o cumprimento da meta fiscal e contas equilibradas permitem ao setor publico manter a infra-estrutura pública em bom funcionamento, impedindo, por exemplo, um apagão de energia elétrica, com houve em outros períodos.

Também é importante, continuou, para manter políticas sociais como o Bolsa Família e construir um setor público que possa intervir na economia, quando necessário, de forma expansionista, criando emprego e gerando crescimento.
blog do planalto

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O ESTADO DA UNIÃO.

É DIFÍCIL DEUS POSSA ABENÇOAR TANTA MENTIRA

Seis pessoas morreram e 14 ficaram feridas, incluindo a jovem congressista democrata Gabrielle Giffords, eleita pela terceira vez para o Congresso dos Estados Unidos, e que se opôs à lei anti-imigrante daquele Estado, que foi parte do território arrebatado do México na injusta guerra de 1848.

O Tea Party, a direita fascista do Partido Republicano, tinha conseguido um notável êxito entre os eleitores que se preocuparam em exercer o direito de voto nas eleições deste país. A população do Arizona, como a do resto dos Estados Unidos, reagiu com indignação. Sua conduta foi, sem dúvida, correta, e expressei isso.

Nunca duvidei dos fatores éticos que parecem ser características dos povos, independentemente da política e dos governos.

Se aquele discurso de Obama foi omisso, quanto à incrível mostra de primitivismo que reflete o uso generalizado e praticamente irrestrito de mortíferas armas de fogo, a mensagem sobre o Estado da União merece uma análise política e ética, já que os EUA são uma superpotência da qual, independentemente do presidente e do Congresso, depende, entre outros fatores importantes, o destino da espécie humana.

Nenhum país isolado tem ou pode ter uma resposta para os problemas que o mundo enfrenta hoje.

Obama, em primeiro lugar, está envolvido em um processo eleitoral. Tem que falar com os democratas e republicanos, os que votam e os que não votam, os milionários e os mendigos, os protestantes e os católicos, cristãos e muçulmanos, crentes e não crentes, negros e brancos, aqueles que apóiam e os que não suportam a pesquisa com células tronco, homossexuais e heterossexuais, cada cidadão e o seu oposto, para terminar clamando que todos eles são americanos, como se os 95,5%, ou seja, 6,9 bilhões de habitantes do resto do planeta, não existisse.

Nas primeiras página de seu discurso de uma hora, passou a afirmar:

"Neste momento, o que está em jogo não é quem vai ganhar a próxima eleição [...] O que está em jogo é se serão criados novos empregos e indústrias [...] se podemos manter a liderança que fez dos EUA não apenas um ponto no mapa, mas uma luz no mundo."

"Estamos prontos para o progresso. [...] a bolsa recuperou-se com fervor. Os lucros das empresas são maiores. A economia está crescendo novamente. "

Imediatamente após estas palavras, trata de nos comover com uma passagem que parece tirada de um conhecido filme norte-americano, que as pessoas da minha geração recordam: "E o vento levou", relacionado com a terrível guerra civil entre o norte industrial e o sul escravagista e agrário nos anos do homem excepcional que foi Abraham Lincoln.

"O mundo mudou. E para muitos, a mudança tem sido dolorosa", disse Obama."Vi nas janelas tapadas de fábricas outrora prósperas e nas vitrines vazias em ruas principais antes concorridas. Ouvi a frustração de estadunidenses que viram o declínio de seus salários ou o desaparecimento de seus empregos; homens e mulheres orgulhosas de seu trabalho que pensam que mudaram as regras no meio do jogo".

"As siderúrgicas, que chegaram a precisar de mil trabalhadores, agora podem fazer o mesmo trabalho com cem."

"Enquanto isso, países como a China e a Índia perceberam que, com algumas mudanças, podiam competir neste novo mundo. [...] Recentemente, a China se tornou a sede da maior unidade privada de pesquisa solar no mundo e do computador mais rápido do mundo. "

"Mas os EUA ainda têm a maior e mais próspera economia do mundo."

"Sabemos o que é preciso para competir por empregos e indústrias dos nossos tempos. Precisamos de mais inovação, educar melhor e construir mais que o resto do mundo. Devemos fazer dos Estados Unidos o melhor lugar do mundo para fazer negócios. [...] E esta noite gostaria de falar sobre como chegar lá."

Obama não fala nunca das grandes empresas monopólicas que hoje controlam e saqueam os recursos do planeta. Não menciona jamais o acordo de Bretton Woods, o sistema imposto a um mundo devastado pela guerra, no qual os Estados Unidos assumiram o controle das instituições financeiras e do Fundo Monetário Internacional, onde detêm ferreamente o poder de veto.

Jamais disse uma palavra sobre a colossal fraude de Nixon em 1971, quando suspendeu unilateralmente a conversão do dólar em ouro, imprimiu notas norte-americanas sem limite algum e adquiriu incontáveis bens e riqueza no mundo, que pagou principalmente com papéis, cujo valor, em 40 anos, foi reduzido para 2,5% do que era então.

Obama gosta de narrar, no entanto, histórias líricas sobre pequenos empresários que supostamente deslumbram, cativam e comovem os ouvintes que não estão cientes da realidade. Sua oratória, seu estilo e seu tom parecem desenhados para que se escutem, como crianças disciplinadas, suas histórias comoventes.

"Robert e Gary Allen são irmãos que têm uma pequena empresa de construção, em Michigan. Depois de 11 de setembro, ofereceram seus melhores funcionários para ajudarem a reparar o Pentágono. Mas a recessão os afetou muito, e sua fábrica estava operando com metade da capacidade. Hoje, com a ajuda de um empréstimo do governo, este espaço está sendo usado para fabricação de telhas fotovoltaicas que estão sendo vendidas em todo o país. Nas palavras de Robert, "nos reinventamos."

"Estamos lançando um desafio. Estamos dizendo para cientistas e engenheiros dos EUA que se constituírem equipes são os melhores cérebros em sua área e se concentrarem nos problemas mais difíceis de energia limpa, financiaremos os projetos Apollo da nossa era. "

Imediatamente, nos deixa sem respiração:

"No Instituto de Tecnologia da Califórnia estão desenvolvendo uma maneira de converter energia solar e água em combustível para nossos veículos."

Salvou-se o planeta! Ou pelo menos ele não morrerá popr excesso de CO2 ou por falta de energia. Me traz à mente uma história de mais de 40 anos, quando um grupo empreendedor de jovens cientistas me falou com grande entusiasmo dessa mesma ideia, a partir de princípios teóricos, e, em minha fé cega na ciência, tratei de conseguir tudo o que solicitaram, incluindo uma instalação isolada, onde passaram anos com tal ânimo que até explodiram um motor que quase matou um grupo deles, e ainda assim continuaram a tarefa.

Não nego nada, muito menos a um super instituto da Califórnia, mas, por favor, senhor presidente, informe ao mundo sobre essa possibilidade para que muitos outros cientistas trabalham nessa mesma direção. Não se trata de lucro, a humanidade estará disposta a pagar tudo o que os seus cientistas queiram, e eu tenho certeza que até Michael Moore aplaudiria que lhe concedessem 10 prêmios Nobel.

Imediatamente, e após outro comentário encorajador sobre Oak Ridge National Laboratory, e supercomputadores para que instalações nucleares produzam mais energia, o presidente nos garante: "Com mais pesquisas e incentivos, podemos acabar com nossa dependência do petróleo, com os biocombustíveis, e nos converter no primeiro país a ter um milhão de veículos elétricos em marcha em 2015. (Aplausos) "

Destemido, o presidente continua:

"Coloquem-se a pensar. Nos próximos dez anos, quase metade de todos os novos empregos exigirão educação superior, não apenas estudos secundários. No entanto, até um quarto dos nossos estudantes não estão sequer terminando o colegial. A qualidade do nosso ensino de matemática e ciência é inferior à de muitos outros países. Os Estados Unidos se tornou o nono em termos da proporção de jovens com um diploma universitário. Portanto, a pergunta é se nós, como cidadãos e como os pais, estamos dispostos a fazer o que é necessário para dar a cada criança a oportunidade de ter sucesso. "

"Alcançaremos a meta que tracei, há dois anos: que, para fins desta década, os Estados Unidos tenham a mais alta proporção de graduados do mundo. (Aplausos) "

"Outros vêm do exterior para estudar em nossas escolas e universidades. Mas apenas obtêm seu título, nós os enviamos de volta ao seu país para que possam competir contra nós. Não faz nenhum sentido. "

Claro que este roubo insólito e confesso de cérebros, que a nosso amigo Obama nem sequer interessa dissimular, devemos desculpar em consideração à sua paixão pela ciência e pela competição saudável.

"O terceiro passo para conquistarmos o futuro é reconstruir os Estados Unidos. Para atrair novos negócios para as nossas costas, precisamos das vias amias rápidas para transportar pessoas, mercadorias e informações, desde trens de alta velocidade até Internet de alta velocidade.

"Nossa infra-estrutura parecia ser a melhor, mas já não somos os primeiros. As casas da Coreia do Sul agora têm melhor acesso à Internet que as nossas. A Rússia e os países europeus investem mais em suas estradas e ferrovias que nós. A China constrói trens mais rápidos e aeroportos mais novos."

"Nos últimos dois anos, começamos a reconstruir para o século XXI um projeto que tem gerado milhares de empregos bem remunerados no gravemente afetado setor da construção. E esta noite proponho redobrar esses esforços ".

"Nos próximos 25 anos, nosso objetivo é dar a 80% dos americanos acesso aos trens de alta velocidade."

"Nos próximos cinco anos, faremos o possível para que as empresas façam chegar a próxima geração de tecnologia de alta velocidade sem fios a 98% dos americanos. [...] Isso significa que, a partir de uma comunidade rural do Iowa ou Alabama, os trabalhadores e as pequenas empresas poderão vender seus produtos em todo o mundo. "

".Farão com que os Estados Unidos sejam um lugar melhor para se fazer negócios e criar empregos."

"Um exército de lobistas fez com que o código tributário favoreça determinadas empresas e indústrias."

"Nos colocamos uma meta de duplicar as nossas exportações para 2014, porque quanto mais nós exportamos, mais empregos são criados no país. [...] Recentemente, assinamos acordos com a Índia e a China que vão respaldar mais de 250 mil empregos aqui nos Estados Unidos. "

"Deixei claro que [...] só subscreveria acordos que beneficiem os trabalhadores americanos e promovam emprego nos Estados Unidos. [...] É o que eu pretendo fazer ao buscar acordos com o Panamá e a Colômbia ... "

Algumas das coisas que Obama narra dão uma ideia dos dramáticos sofrimentos que, em pleno século XXI, têm que suportar os mais pobres no seu próprio país. Por exemplo, ele nos diz:

"Não estou disposto a dizer a James Howard, paciente do Texas com câncer no cérebro, que é possível que seu tratamento não seja coberto."

"Vivemos com um legado de gasto em déficit que começou há quase uma década. E depois da crise financeira, algo disso era necessário para manter o fluxo de crédito, para preservar os empregos e colocar dinheiro nos bolsos das pessoas ".

"Esta noite proponho que, a partir deste ano, congelemos o gasto nacional anual durante os próximos cinco anos".

"O secretário de Defesa também concordou em cortar dezenas de bilhões de dólares em despesas que ele e seus generais acreditam que podem prescindir"

"E se realmente nos importa o nosso déficit, simplesmente não podemos nos darmos ao luxo de uma extensão permanente de recortes tributários para os 2% mais ricos dos norte-americanos. Antes de tomar o dinheiro de nossas escolas ou bolsas de estudo para os alunos, temos que exigir que os milionários renunciem a seu corte de impostos. "

"Já que vocês merecem saber quando seus funcionários públicos se encontram com lobistas, vou pedir ao Congresso para fazer o que a Casa Branca já fez: colocar essa informação na internet"

Eu acho que a mera presença de um exército de lobistas trabalhando e negociando com os membros do Congresso é um fato vergonhoso para qualquer país civilizado.

"O exemplo moral dos Estados Unidos deve brilhar sempre para todos aqueles que anseiam por liberdade, justiça e dignidade", disse Obama, e, imediatamente, passou para um outro tópico.

"Considerem o Iraque, onde cerca de 100 mil de nossos bravos homens e mulheres têm saído de cabeças erguidas".

Missão cumprida, recordei.

"Graças à aprovação por republicanos e democratas do Nova Tratado START, continuou Obama-, serão colocadas muito menos armas e lançadores nucleares"

"Devido a um esforço diplomático de insistir para que o Irã cumpra as suas obrigações, o governo do Irã tem agora de enfrentar sanções mais duras, sanções mais rigorosas que nunca. E na península coreana, apoiamos nosso aliado Coreia do Sul e insistir que a Coreia do Norte cumpra seu compromisso de abandonar as armas nucleares. "

O Presidente, como se pode ver, não menciona uma só palavra sobre o assassinato seletivo de cientistas iranianos realizado pelas agências de inteligência dos Estados Unidos e seus aliados, que ele conhece perfeitamente bem.

Em vez disso, nos amplia a informação:

"Estas são apenas algumas das maneiras com que nós estamos forjando um mundo que favorece a paz e a prosperidade. Com nossos aliados na Europa, revitalizamos a Otan e aumentamos a nossa cooperação em tudo, desde o antiterrorismo até a defesa antimísseis ".

Naturalmente, o nosso ilustre amigo não diz uma só palavra sobre a necessidade urgente de evitar que o aquecimento global prossiga seu incremento acelerado, ou das chuvas catastróficas e das nevadas que acabam de golpear o mundo, nem da crise alimentar que ameaça agora 80 países do Terceiro Mundo e, claro, das dezenas de milhões de toneladas de milho e soja que as grandes empresas dos EUA estão a dedicar à produção de biocombustíveis, enquanto a população mundial, que já alcança 6,9 bilhões de habitantes, será equivalente a 7 bilhões em 18 meses.

"Em março viajarei para Brasil, Chile e El Salvador para forjar novas alianças em todo continente americano".

No Brasil, dese já, poderá apreciar os estragos e os mortos e desaparecidos provocados pelas chuvas sem precedentes que acabam de ter lugar no Rio de Janeiro e em São Paulo. Será, sem dúvida, ocasião propícia para uma auto-crítica pelo fato de que os EUA se recusaram a assinar o acordo de Kyoto e impulsionaram, já sob seu próprio governo, a política suicida de Copenhague.

No Chile, a política agora se complica. É de supor que alguém deve prestar homenagem a Salvador Allende, e aos milhares de chilenos assassinados pela ditadura de Pinochet, que os Estados Unidos impuseram ao Chile. Esta situação é agravada pelo que explico mais adiante. Outra situação constrangedora deve ocorrer em El Salvador, onde as armas fornecidas pelos Estadosa Unidos e as forças treinadas e educadas em escolas militares de contra-insurgência dos EUA torturaram e cometeram crimes horríveis contra os combatentes da FMLN, cujo partido obteve o voto da amioria em eleições recentes.

Apenas é possível acreditar no que se lê em seguida, quando o presidente diz:

"Em todo o mundo, estamos a apoiar aqueles que assumem responsabilidade, ajudando os agricultores a produzir mais alimentos; apoiando os médicos para que cuidem dos doentes ...."

Muitas pessoas sabem o que os Estados Unidos fizeram com os nossos médicos na Venezuela e outros países latino-americanos, construindo até planos para promover deserções e oferecendo vistos e dinheiro nos Estados Unidos para que abandonem sua dura e abnegada tarefa.

Ninguém ignora tampouco os acordos de livre comércio e os enormes subsídios aos produtos agrícolas dos EUA para arruinar os produtores de cereais e grãos na América Latina. Com estas práticas, arruinaram a prozução de milho e outros cereais no México, tornando-o dependente da agricultura dos EUA.

Em países tão pobres como o Haiti, que quase se autoabastecia de arroz, as transnacionais arruinaram a produção à base de excedentes subsidiados e impediram que o país se abastecesse dessa linha e oferecesse crescente emprego aos milhares de trabalhadores haitianos. Agora, de acordo com o discurso de Obama, os Estados Unidos são o campeão olímpico da assistência médica e da honradez administrativa do mundo. Estes temas são extensos e difíceis de abordar em uma única reflexão.

Queremos recordar que os países industrializados são os principais saqueadores de médicos e cientistas do Terceiro Mundo. O orçamento militar dos EUA ultrapassa o de todos os outros países juntos; suas exportações de armas são o dobro ou o triplo dos demais estados; seus arsenais arsenais nucleares implantados somam mais de 5 mil armas estratégicas; suas bases militares no exterior superam as 500; seus porta-aviões nucleares e frotas navais dominam os mares do planeta. Acaso o sonho americano pode ser modelo para o mundo? A quem pretende enganar o presidente dos Estados Unidos, com esse discurso?

Nas páginas finais de sua mensagem delirante, disse:

"É por esse sonho que estou diante de vocês esta noite. É por esse sonho que um garoto da classe trabalhadora de Scranton pode sentar-se atrás de mim. É por esse sonho que alguém que começou varrendo o chão do bar de seu pai em Cincinnati pode ser presidente da Câmara dos Representantes no país mais grandioso do mundo ".

"E esse sonho é o caso de um pequeno empresário chamado Brandon Fisher".

"Brandon abriu uma empresa em Berlim, na Pensilvânia, que se especializa em um novo tipo de tecnologia de perfuração. E um dia no verão passado vi a notícia de que no outro lado do mundo, 33 homens foram presos em uma mina no Chile e que ninguém sabia como salvá-los.

"Mas Brandon pensou que sua empresa podia ajudar. E então, formulou um resgate que veio a ser conhecido como Plano B. Seus funcionários trabalharam dia e noite para fazer o equipamento de perfuração necessário. E Brandon partiu para o Chile.

"Junto com os outros, começou a perfurar no solo um buraco de 2 mil metros, trabalhando três ou quatro horas - três ou quatro dias às vezes sem dormir. Trinta e sete dias depois, o Plano B teve êxito, e os mineiros foram resgatados. (Aplausos) Mas, porque não queria toda essa atenção, Brandon não estava lá quando os mineiros saíram à superfície. Já havia retornado para casa para trabalhar em seu próximo projeto.

"E, mais tarde, um de seus empregados disse sobre o resgate: 'Provamos que Center Rock é uma empresa pequena, mas que fazemos grandes coisas'(Aplausos). "

Obama falou na noite de 25 para 26. Hoje, 27 de janeiro, a agência de notícias norte-americana AP comunicou à imprensa mundialo segue:

"O chefe da equipe de resgate que recuperou com viva os 33 mineiros, presos por 69 dias no fundo de uma mina no Chile, corrigiu o presidente Barack Obama sobre o papel dos EUA no resgate.

"'Crer que foram eles unicamente os partícipes do êxito, acho que é exagerado. Não em parece correto', disse ao jornal El Mercurio, o engenheiro chileno Jorge Sougarret, que liderou o resgate dos mineiros, em outubro."

"Obama disse Brandon Fisher "viu uma história que veio do outro lado do mundo, 33 homens foram presos em uma mina no Chile e que ninguém sabia como poderiam salvá-los. "

"Fisher 'escolheu um projeto de resgate, conhecido como Plano B. Seus funcionários trabalharam dia e noite para fabricar o equipamento necessário para o salvamento. Trinta e sete dias depos, o Plano B teve êxito e os mineiros foram resgatados. "

"Sougarret disse que Fisher não desenhou o plano de resgate, um dos três que foram usados para trazer à superfície os mineiros, mas que a sua empresa colocou os martelos usado pelas perfuradoras. E que lhe pagaram US $ 100 mil pelos martelos.

"O que eles fizeram foi colocar à nossa disposição uma técnica, como houve outras mais. Não foi exclusiva. Por isso se chamou Plano B. E o Plano A e C continuaram funcionando. Portanto, não é uma operação exclusiva o que eles fizeram. Não há dúvida de que a sua equipe completa teve participação que permitiu finalmente que chegássemos ao sucesso ", disse Sougarret.

"O chefe da equipe de resgate, gerente de um dos cinco grandes depósitos de cobre de propriedade estatal, disse que a equipe técnica integrada pela estatal Codelco e duas grandes mineiras privadas decidiu a implementação do Plano B, que culminou com êxito em 13 de outubro, com o resgate por meio de uma sonda introduzida pela perfuração"

Depois de elogiar a proeza da pequena empresa Center Rock, independentemente dos méritos pessoais e da capacidade que possa ter o jovem Brandon Fisher, Obama, em sua desenfreada apologia que o levou nem sequer mencionar os esforços dos resgatistas chilenos que levaram semanas trabalhando arduamente para salvar os mineiros presos, terminou seu incendiado discurso:

"A idéia dos Estados Unidos continua. Nosso destino segue sendo o que nós decidimos que seja. E esta noite, mais de dois séculos mais tarde, é graças à nossa gente que o nosso futuro está cheio de esperança, nossa travessia continua e o estado de nossa nação é sólido.

"Obrigado, que Deus abençoe vocês e que Deus abençoe os Estados Unidos da América. (Aplausos) "
É difícil que Deus possa abençoar tantas mentiras.

Fidel Castro

Eu tenho um sonho... (parte 2)

Lendario Discurso de Martin Luther King, parte 1

Lula e o preconceito dos poderosos

WikiLeaks revela que EUA financia mídia oposicionista na Venezuela

O dono do jornal venezuelano El Nacional, Miguel Otero, e os da Globovisión, Guillermo Zuloaga, e Nelson Mezer-hane, que fazem oposição cerrada ao governo de Hugo Chávez, se reuniram em 2010 com o diplomata norte-americano Patrick Duddy para pedir financiamento que os tirasse da falência. A informação vazou em documentos do site Wikileaks, e explica como jornais que têm venda ao público praticamente nula continuam circulando.

As mensagens revelam que Otero dava como prazo máximo de funcionamento do jornal até abril do ano passado, se não recebesse recursos. O El Nacional, ainda que só para ser exposto nas bancas, continua sendo impresso diariamente até hoje.

Zuloaga e Mezerhane fugiram para a Florida acusados de várias fraudes, rombos financeiros, dívidas milionárias com o fisco, incitação ao magnicídio e outros crimes.

A advogada Eva Golinger, que tem se caracterizado por denunciar as manobras pensadas e executadas por Washington contra Caracas, declarou que outros documentos do Departamento de Estado dos EUA que estão sendo divulgados evidenciam o processo de seleção e cooptação de jornalistas para trabalhar nesses meios à serviço dos interesses anti-nacionais.

Para esse fim é usado como fachada um programa de intercâmbio internacional, cujo verdadeiro objetivo é pagar profissionais que se disponham a promover e defender os interesses dos EUA, mesmo tendo que se submeter ao aviltamento da sua profissão. Eva mencionou entre esses mercenários o agora deputado da Assembléia nacional, Miguel Angel Rodríguez, que recebeu milhares de dólares para assinar supostas reportagens de “investigação” e receber aulas em escritórios para essa finalidade nos Estados Unidos.
HP
Obama pede aos americanos união para
apertar cintos já. Bonança fica para 2035

O presidente Barack Obama foi ao Congresso para a tradicional peroração do Estado da União de início de ano, em que convocou os EUA a viver seu “Momento Sputnik” da atual geração – agora em relação à China, cujo presidente visitou na semana passada a Casa Branca e comprou 200 aviões da Boeing.
Para não perder o traquejo, Obama convocou os EUA também a se manter como a “luz do mundo”. Ainda que, como admitiu, a infraestrutura da “luz do mundo” só mereça “nota D”, e o bom povo norte-americano vá esperar uns 25 anos para andar de trem-bala.
Bem verdade que, para os 26 milhões de desempregados e o 1 milhão de famílias que tiveram suas casas tomadas pelos bancos, a coisa está mais para Titanic. Provavelmente, nem entenderam a profundidade da “recuperação” da economia vista por Obama: lucros das corporações de volta às alturas e bolsas em rally.
Algumas propostas parecem para já: acesso de 98% à banda larga em cinco anos; 1 milhão de veículos “elétricos” até 2015. Mais aulas de matemática, mais inovação e dobrar as exportações. Uma nova meta sugerida: até 2035, 80% da eletricidade gerada de “fontes limpas”: “eólica, solar, nuclear, carvão limpo e gás natural”. E o etanol?
Obama se esforçou para agradar aos republicanos, comprometendo-se em cortar o déficit e congelar gastos até do Medicare, Medicaid e Seguridade Social. De fora o Pentágono, ainda mais com duas guerras e 800 bases no mundo inteiro, milhares de ogivas nucleares e incontáveis contratos com a indústria bélica. Também consolou os setores mais progressistas do congresso, dizendo que “antes de cortar o dinheiro para as escolas, ou bolsas para os estudantes, deveríamos pedir aos milionários que abram mão das isenções fiscais [presente de Bush]”.
Do discurso do Estado da União anterior, e das metas de campanha presidencial, palavras vão ao vento. A reforma da saúde, privada, virou murmúrio. Enquanto as 10 mil páginas sobre a reforma financeira são esmiuçadas e o controle sobre Wall Street vai para as calendas, as operações com derivativos já são feitas em milisegundos. Não se fala mais sobre penalizar a exportação de postos de trabalho feita pelas corporações dos EUA.
Na platéia, desta vez, os parlamentares republicanos – inclusive os radicais do chá -, estavam no sapatinho. Bipartidariamente sentados, com uma cadeira vazia para a deputada democrata que sofreu o atentado em Tucson.
                                                                                                          
ANTONIO PIMENTA