BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















quarta-feira, 30 de junho de 2010

CAMPANHA ELEITORAL:EQUÍVOCOS E ACERTOS DE CESAR MAIA

ESTA ANÁLISE DE CESAR MAIA(ABAIXO),

É INTERESSANTE, PORQUE MOSTRA QUE A MILITÂNCIA POLITICA PASSA A TER UM PAPEL IMPORTANTE NA ATIVIDADE DE CAMPANHA. VINDO DESTE, MOSTRA TAMBÉM O DESESPERO DE QUEM SABE QUE O CANDIDATO DELE, SERRA/FHC NÃO LEVA ESTA.

A MILITÂNCIA SEMPRE TEVE PAPEL IMPORTANTE. E OS QUE NUNCA A ABANDONARAM SABEM DISSO.

É QUE ELES JOGARAM SEMPRE QUE A TV,JORNAIS, PODESSEM INFLUENCIAR AS CONCIÊNCIAS DAS PESSOAS. E A CAMPANHA RESTRIGIR-SE A ESTES VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO.

FIZERAM ISSO NA DITADURA, COM COLLOR,FHC ETC. MAS AS CONDIÇÕES OBJETIVAS TAMBÉM GARATIRAM A ELEIÇÃO DESTES. NÃO BASTA APENAS O QUERER A VONTADE DAS ELITES REACIONÁRIAS E SEUS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
TEM QUE HAVER ALGUMA BASE REAL. SETORES(CLASSES) DA SOCIEDADE QUE SE SINTAM CONTEMPLADAS E QUE AS CONDIÇÕES MATERIAIS RESPALDEM A IDÉIA DOMINANTE.

A MIDIA COLONIZADA, PARTIDARIZOU-SE, PASSOU A DEFENDER INTERESSES ESCUSOS,ESCONDENDO,DISTORCENDO A REALIDADE. CERTAMENTE QUE ISSO FICOU CADA VEZ MAIS CLARO AOS OLHOS DO POVO BRASILEIRO. SUAS PROGRAMAÇÕES PASSARAM A ESPELHAR A IDEOLOGIA DA BARBÁRIE, DAS NOVELAS AS REPORTAGENS, TODA A PROGRAMAÇÃO DAS TVS É PURA CHATICE,CRETINICE.

HÁ UMA REJEIÇÃO NATURAL DO POVO. A TV COM RARÍSSIMAS EXCEÇÕES MOSTRA REALIDADE DO POVO,SUA CULTURA. QUANDO MOSTRA, VEÍCULA AS QUESTÕES MACABRAS,VIOLENTAS QUE ACONTECE NA SOCIEDADE, FRUTO DO CAPITAISMO E DA MISÉRIA. MAS CULPAM O PRÓPRIO POVO POR VIVER NESTA SITUAÇÃO. ESTÃO MISÉRIA PORQUE QUEREM. A TV NÃO TEM NADA HAVER COM O BRASIL, DISTANTE POR COMPLETO DESTE.

NO CASO DE SERRA/FHC E VICE-VERSA OS VENTOS "FEDORENTOS", INTERNACIONAIS, SOBRE A DIMINUIÇÃO DO PAPAEL DO ESTADO NA ECONOMIA E ETC, VINHAM COM MUITA FORÇA. COM CLINTON,BLAIR,TACHER E ETC. QUE ELES INTITULAVAM DE TERCEIRA VIA.

NO BRASIL FHC/SERRA BERRARAM QUE IRIAM ACABAR COM A "ERA VARGAS". MAS ESTA É QUE ACABOU COM ELES. O "GETULISMO" SAIU MAIS FORTALECIDO E GANHOU AS ELEIÇÕES COM LULA, FORMADO NO SENAI, POR IRONIA, CRIADO POR GETULIO VARGAS.

CHEGARAM A PROPAGAR QUE O CAPITALISMO SERIA ETERNO, QUE A" LUTA DE CLASSE NÃO EXISTE", O FIM DO SOCIALISMO E ETC. COM A DERROCADA,TRAIÇÃO DE GORBACHEV, NA URSS.

MAS ASSIM COMO A VIDA, O SOCIALISMO NÃO CAMINHA EM LINHA RETA

CERTAMENTE QUE MUITOS CAIRAM NESSA CONVERSA FIADA, MAS ERA A OFENSIVA DO IMPERIALISMO, TENTANDO SOBREVIVER AS MUDANÇAS QUE SE AVIZINHAM. POIS O CAPITALISMO NÃO MAIS SE SUSTENTA, TANTO QUE AGORA NA EUROPA, ESTÃO QUERENDO ACABAR COM O ESTADO DE "BEM ESTAR SOCIAL". CORTANDO DIREITOS SOCIAIS,TRABALHISTAS. NA ALEMANHA, HÁ UM MOVIMENTO DE REEGUER NOVAMENTE O MURO.

NA FRANÇA,GRÉCIA,ALEMANHA,INGLATERRA, PORTUGAL,ESPANHA,IRLANDA, ESCÓCIA,SUIÇA,SUÉCIA,HOLANDA A SOCIAL-DEMOCRACIA COMEÇA A MOSTRAR SUAS UNHAS, ABANDONANDO A PELE DE CORDEIROS.

OU SEJA, O CAPITALISMO É CAPITALISMO, LUCRO,LUCRO,LUCRO. MOSTROU QUE O ESTADO CAPITALISTA ESTA PARA SALVAR O CAPITAL. HOJE O CAPITAL-FINANCEIRO ESPECULATIVO-BÉLICO, NEM QUE PARA ISSO ESMAGUE OUTROS SETORES DO CAPITAL PRODUTIVO, A CLASSE MÉDIA E PRINCIPALMENTE A CLASSE OPERÁRIA.
E QUALQUER TENTATIVA DE ALGUM PAÍS QUE QUEIRA REAFIRMAR SUA INDEPENDÊNCIA NACIONAL, MESMO DENTRO DOS DITAMES DO CAPITALISMO É AGREDIDO, COMO O IRAQUE, A IUGUSLÁVIA,IRÃ. O CAPITAL FINANCEIRO-ESPECULATIVO MOSTRA SUA FACE FASCISTA.
NO BRASIL OS ALIADOS DO IMPERIALISMO ATACAM CONSTANTEMENTE O GOVERNO DO PRESIDENTE LULA, QUE SALVOU O CAPITALISMO BRASILEIRO E TENTA FORTALECE-LO.

PENSO QUE CESAR MAIA EQUIVOCA-SE QUANDO PENSA QUE O PSDB,DEM TERIAM QUE TER ESTAS INSERÇÕES DE MASSA . NÃO É CARACTERISTICAS DESTES PARTIDOS, ESTAR INSERIDO NO MOVIMENTO SOCIAL, COM "CARÁTER DE ESQUERDA".

É ILUSÃO IDEOLÓGICA DE QUEM GOVERNOU O MUNICIPIO DO RJ, QUE TEVE QUE SE INDISPOR COM FHC/SERRA EM VÁRIAS QUESTÕES.

OS MARQUETEIROS NÃO ENTENDEM E NEM VÃO ENTENDER SE APEGAREM APENAS A SUAS EXPERIÊNCIAS DE TV E NÃO FOREM A REALIDADE CONCRETA. E MUITOS NÃO IRÃO. A MUITA ARROGÂNCIA.
PENSO QUE TODOS OS CANDIDATOS DAS MAJORITÁRIAS DEVERIAM TER TEMPO IGUAL NA TV, EVITARIAM CONCHAVOS.
NAS ULTIMAS ELEIÇÕES TENTARAM RESTRINGIR, COM APOIO DA MIDIA COLONIZADA, A CAMPANHA A TV. OS CANDIDATOS POUCO IAM AS RUAS, SÓ OS COM POUCOS RECURSOS.

OS CANDIDATOS E SEUS COMITÊS FICAVAM O TEMPO TODO RODANDO COM VEÍCULOS COM SEUS JINGLES OS BAIRROS. PAGAVAM-SE FORTUNAS A FORMAÇÃO DE "EQUIPES". QUE NÃO PASSAVAM E PASSAM DE DISTRIUIDORES DE PAPEL.
NÃO FAZIA-SE COMÍCIOS OU PEQUENOS COMICIOS NOS BAIRROS, DIZIAM QUE ERA FORA DE "MODA". COM ISSO TENTARAM ESMAGAR A MILITÂNCIA.
CERTAMENTE A TV ABERTA TEM AINDA UM PAPEL IMPORTANTE NA ELEIÇÃO MAS NÃO É ELA QUE É MAIS DETERMINANTE. O CANDIDATO TEM QUE "GASTAR SAPATO".

CRESCE NESTE SENTIDO O PAPEL DA MILITÂNCIA, DAS RUAS. O IMPORTANTE É O ENGAJAMENTO POPULAR NA CAMPANHA. COM ESSE ENGAJAMENTO HÁ O DEBATE DE IDÉIAS.
O POVO BRASILEIRO INTELIGENTE, SABE QUE NESTE MOMENTO O SEU FUTURO ESTA EM JOGO. NESTES MOMENTOS QUANDO O PODER ESTA EM LUTA, TODOS QUEREM OPINAR, PARTICIPAR.

NÃO ADIANTA COMO FAZ SERRA/FHC IR PARA TV E MENTIR DESCARADAMENTE, ESTA FORA DA REALIDADE, E AINDA OMITIR-SE QUE FEZ PARTE DO GOVERNO FHC/SERRA O PIOR DA HISTÓRAIA REPUBLICANA.

A REALIDADE CONCRETA MOSTRA QUE HOUVE MUDANÇAS PROFUNDAS NA VIDA DO BRASILEIRO.ESTAS MUDANÇAS PROFUNDAS QUE A OPOSIÇÃO NÃO SABE LHE DA. NÃO TEM QUADROS FORMADOS, SÓ OS OS DO DINHEIROS.

O PSDB/DEM,SERRA/FHC FORAM CONTRA ESSAS MUDANÇAS. E NO GOVERNO DELES FIZERAM TUDO AO CONTRÁRIO E NA OPOSIÇÃO TRABALHARAM CONTRA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SOCIAL O BRASIL.
TANTO QUE SEU CANDIDATO SERRA/FHC NÃO SABE O QUE DIZER, FICA DISSIMULANDO, NÃO TEM CORAGEM DE ENFRENTAR O GOVERNO DO PRESIDENTE LULA.
O PSDB/DEM NÃO TEM MILITÂNCIA DE RUA QUE IRÁ GARANTIR QUE SEU CANDIDATO VENÇA.

CONTAM APENAS COM APOIO DA MIDIA COLONIZADA EM DECADÊNCIA.
QUANDO CESAR MAIA CHEGA ESTA AUTOCRÍTICA COM RELAÇÃO AS CAMPANHAS, MOSTRA-NOS QUE PRECISAMOS INTENSIFICAR A LUTA NAS RUAS.

FAZER A MILITÂNCIA,MILITÂNCIA,MILITÂNCIA!
A LUTA SE SEGUE.

AYLTON MATTOS




O QUE MUDOU E ALGUNS MARQUETEIROS NÃO ENTENDERAM AINDA!

1. Ontem, este Ex-Blog publicou uma nota onde procura mostrar que o impacto da TV em campanhas eleitorais já não é mais o mesmo. A TV continua como o veículo de massa mais importante. Mas antes, emocionava e, com isso, criava e mobilizava multiplicadores de opinião, que são peças centrais nas vitórias eleitorais.

2. Os multiplicadores são eleitores que tendo confiança num candidato, vão muito além de seus votos: assumem seu candidato como se fossem eles mesmos os candidatos. Pedem votos, argumentam, defendem e atacam. É esse multiplicador que faz um candidato mudar de patamar em direção à vitória.

3. O candidato, em sua movimentação, contatos diretos, reuniões..., vai conquistando multiplicadores. Até poucos anos atrás tinha a TV como seu instrumento básico. Na medida em que a TV emocionava e mobilizava, ia formando eleitores especiais, eleitores multiplicadores. De uns cinco anos para cá, a TV perdeu esse papel. Continua sendo o principal meio de comunicação de massa, mas agora informa, espalha e distribui informações. Mas não emocionando nem mobilizando, a TV não cria mais multiplicadores, ou pelo menos o faz em quantidade muito menor e apenas estimulando os que já eram, ou seriam, multiplicadores.

4. Dessa forma, as equipes dos candidatos devem desenvolver processos que, aproveitando a informação distribuída pela TV sobre os candidatos, construam pontes para a formação de multiplicadores. Sempre o contato físico direto é o mais importante. Porém, a capacidade física de alcançar uma parte significativa do eleitorado é restrita. Por isso, sua performance direta deve ser muito mais apurada, para motivar novos multiplicadores.

5. A internet certamente contribui, mas como já se disse aqui, não é uma panaceia. Até porque muda a interação entre veículo e eleitor, que na mídia tradicional é unilateral, da imprensa ao eleitor. Na internet, os dois polos, emissor e receptor, são produtores de conteúdo e o internauta está 365 dias por ano ligado. Com isso, as campanhas eleitorais não o estimulam tanto.

6. A inventiva em campanhas eleitorais, hoje, é exatamente identificar ou criar mecanismos que ofereçam alternativa à TV como mobilizadores. Serão muitos, além dos conhecidos como boca a boca, reuniões em casa, comícios, palestras, debates e, agora, internet. Há que se criar alternativas agora, com o refluxo desse papel da TV.

7. Talvez, se esta questão tivesse sido avaliada antes, a aliança PSDB-DEM não tivesse passado pelos dias de dificuldades e desconfianças que passa.

terça-feira, 29 de junho de 2010

UNIÃO EUROPÉIA: O ESCANDALO GREGO

A crise grega é uma crise do capitalismo ea crise da União Europeia, hoje ameaçada de desintegração .

O plano de austeridade imposto à população por uma santa aliança do FMI, os governos da UE e do governo socialista grego também não é só uma punição aos trabalhadores e aposentados grego, mas o anúncio dos planos austeridade generalizada na Europa . O plano de 100.000.000.000 € rigor francês Fillon prová-lo! Estes elementos dramáticos na sua implementação, porque envolvem cortes nos gastos do governo, o bem-estar e renda da população, recordar os fundamentos da União Europeia que têm vindo a denunciar o Tratado de Maastricht em 1992.

A Europa dos 27 está às ordens de mercado. Ele organiza a competição , a competição entre as nações , trabalhista, fiscal e de prestações sociais na Europa, o maior benefício do capital e dos mercados. Com um terrível sentimento de nivelamento por baixo.

Para ser mais competitivo do que seu vizinho : os gastos do governo e reduzir os impostos para os ricos , reduzir constantemente as acusações "contra as empresas, o "fardo" que mina a sorte de investimento fiscalizar lucros mínimos empresas.

Agora , os governos europeus se deslocaram para outro estágio. Preocupado com um eixo de mudar o mundo capitalista e é ajustado para a Ásia e os países emergentes , os capitalistas europeus aqui agitar a perder a concorrência global. Desde as conquistas sociais acumuladas por décadas de lutas na Europa, parecem ser as bolas no novo capitalismo global. A bola que é para se livrar planos de austeridade Faixas , pondo em causa o direito à aposentadoria ou cortes salariais para os trabalhadores com as normas europeias de strandard mundo .

A violência desse plano envolve também a regredir em termos de democracia. O FMI, que assola o Terceiro Mundo está batendo à porta da Europa. Como simbólica. A União Europeia, organizado pelos sucessivos Tratados não é um espaço de solidariedade , mas uma máquina para destruir as conquistas sociais do movimento operário europeu. Esta Europa foi construída conjuntamente pelos conservadores e os liberais a social-democracia europeia. Esta prometemos Europa social no final do caminho da desregulamentação liberal. A crise em grego é o momento da verdade. capital da Europa é construída contra os povos da Europa.

Os gregos não têm outra escolha senão aceitar a ditadura do FMI e os governos da UE . Como se aceitar a ditadura dos mercados financeiros , no entanto, eles têm guardado último ano do colapso em dívida , a fim de socorrê-los . Significou Fillon explicar que as agências de rating não sancionada França. As agências de notação que são conhecidos por estar intrinsecamente ligada às bolsas de valores e interesses do mercado.

Portanto , a dívida é a palavra grega a oportunidade de justificar um plano de austeridade já nos tubos , como acontece em França , também, o mesmo governo que aumentou os presentes mais favorecida agora quer pagar a conta crise para a população.

Não tem a necessidade de coordenação de resistência , mobilização e de alternativas para o nível europeu era imperativo . É a solidariedade ea recusa de pagar a conta deve ser expressa em toda a Europa . O PS na votação sobre o plano exigido para a Grécia , a sua condução e suas taxas de juro de francês para 5% apenas para tomar um vergonhoso e nojento. O diretor do FMI, o socialista francês Dominique Strauss-Kahn , o governo socialista de Papandreou grego até votação parlamentar francês , a linha divisória que atravessa a esquerda entre o "sim" ao capitalismo em todas as sua brutalidade e do " não " entre adaptação e resistência, as atualizações.

Tanto na Grécia e na Europa , o grupo daqueles que rejeitam os planos de austeridade, recusando-se a pagar uma dívida que não é deles , mas o produto da 25 anos de isenção fiscal liberais e empresas mais ricas. Quem quiser uma outra Europa : a dos povos , solidariedade e cooperação , os serviços públicos , direitos sociais e democráticos unificado a partir do topo de uma ecologia social antiproductiviste ... Bem , nem dócil aceitação dos ditames da Europa mercados ou o declínio dos mortais nacionalista de extrema direita .

Portanto , a esquerda europeia anti- capitalista poderia defender o cancelamento da dívida , a nacionalização dos bancos na Europa ea criação de um banco público teria o monopólio europeu do crédito. Quem assumiria o euro , a economia , impõem uma diferente distribuição de riqueza e de emprego, desenvolver planos para a reconstrução económica e social em uma abordagem de desenvolvimento sustentável. A grande mudança completa. Condicionada à participação na mobilização de milhões de homens e mulheres se rebelaram. Mais uma vez os gregos a liderança.

Grond Pierre -François

Petróleo derramado pela British Petroleum alcança a costa do estado do Mississippi

Espessas manchas de petróleo apareceram na costa do Mississippi, segundo informaram no dia 27, as agências Reuters e Assocdiated Press. Desde o dia 20 de abril que o acidente causado - por comprovada negligência e falta de capacidade tecnológica – pela plataforma Deepwater Horikzon da British Petróleo (BP).

As praias, denominadas Ocean Springs, são recantos turísticos e ficam próximas a Biloxi, uma pequena baía usada para pesca.

Até agora a região costeira do Estado da Luisiana havia sido o mais atingido. A BP informou de início que o vazamento era de 5.000 barris/dia mas depois admitiu dezenas de milhares de barris

quando diversos pesquisadores comprovaram a falsidade das afirmações até que, há poucos dias, vazou documento secreto da empresa admitindo 100 mil barris/dia média acima do que havia sido aventado por alguns cientistas.

A mancha já atingiu o mar das costas de Alabama e Flórida, também.
HP



GOVERNO IRANIANO REPELE AS MENTIRAS DA CIA CONTRA O PAÍS

O Irã rebateu nesta segunda-feira as acusações feitas pela CIA de que o país teria capacidade para produzir duas armas nucleares. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou como “notícias falsas” e “parte de uma guerra psicológica” as declarações do chefe da CIA, Leon Panetta e disse que esta agência de espionagem norte-americana sabe que o programa nuclear da República Islâmica não tem objetivos militares. “Os dirigentes americanos e, em particular seus serviços de inteligência, sabem melhor do que ninguém que o programa iraniano não é, de maneira alguma, militar”, acrescentou o porta-voz da diplomacia do país pérsico.

“Este tipo de declaração faz parte de uma guerra psicológica lançada para dar uma visão negativa das atividades nucleares pacíficas do Irã”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast.

Segundo o porta-voz, o país “continuará nas suas atividades nucleares pacíficas sem ser influenciado por estas falsas notícias e este ruído”.

Em entrevista ao canal norte-americano ABC, Panetta afirmou que a CIA possuía informações de que o Irã teria capacidade para fabricar “duas armas nucleares” até 2012.

“Achamos que têm urânio levemente enriquecido suficiente para duas armas (nucleares)”, explicou.

Segundo o chefe da inteligência norte-americana, o Irã precisaria de um ano para enriquecer este urânio, de forma a produzir uma bomba, e levaria pelo menos “outro ano para desenvolver o sistema de lançamento da arma para torná-la viável”, acrescentou o diretor da agência de inteligência americana.
HP

ONU: 85% DO LUCRO COM COCAINA VAI PARA OS DISTRIBUIDORES NOS EUA

Mais de 85% do lucro bruto pelo tráfico de cocaína e folhas de coca é açambarcado pelos traficantes norte-americanos do produto. Ou seja, quem faz a distribuição da cocaína nos EUA, revelou Antonio Luigi Mazzitelli, representante para México e América Central do Escritório da ONU contra a Droga e o Delito (UNODC).

Mazzitelli explicou que, segundo cálculos de 2008, os lucros gerados pelo tráfico de drogas nos EUA totalizaram 35 bilhões de dólares, dos quais 29,5 se distribuíram entre 200 grandes atacadistas. Há ainda 6 000 médios, e milhares de pequenos vendedores ficam com o restante.

Os mais próximos do último elo de distribuição obtêm um “bom benefício”; porém são os que enfrentam os maiores riscos de ser arrestados, sequestrados ou vítimas de bandos rivais.

“A maior parte do benefício do dinheiro gerado pelo negocio fica nos mercados finais, mais próximo (do distribuidor e consumidor final)”, explicou Mazzitelli.

As cifras, divulgadas no Informe Mundial sobre as Drogas 2010, desmistificam, disse o especialista, a idéia de que os traficantes de droga latino-americanos são os mais poderosos e beneficiados da cadeia.
HP

DILMA NO RODA-VIVA DESCARTA ORTODOXIA E IMPRESSIONA PELA FIRMEZA E TRANQUILIDADE

'Não tem sentido que o receituário dos países desenvolvidos --que cometeram barbaridades-- tenha que ser o mesmo que o dos países emergentes.

Seria uma solidariedade burra. Esse remédio não é nosso. Eles têm que reduzir o déficit deles em 50%. É uma redução brutal. Falam que nós temos uma dívida muito alta. Não é verdade. Comparem nossa dívida interna [líquida, ou seja descontadas as reservas internacionais] com a dos EUA e do Japão. Nós estamos fazendo o nosso dever de casa, independentemente do G-20' [Dilma Rousseff].

Em tempo: o Brasil deve encerrar 2010 com um déficit fiscal --medida de solvencia financeira do setor público-- entre 1,7% e 2,6% do PIB, inferior aos 3,3% do PIB de 2009 e um dos menores do mundo.

Estimativas da revista "The Economist" indicam um déficit fiscal de 12% do PIB para o Reino Unido e de 8,8% no caso dos EUA --decorrencia, em grande parte, de gastos do Estado para contornar a crise financeira gerada pela lógica especulativa dos livres mercados. Esses aspectos foram esquecidos pelos entrevistadores do Roda-Viva

PORQUE FHC DEU ERRADO

FHC teve a audácia de assumir o modelo neoliberal adotado por François Mitterrand, a partir do seu segundo ano de governo, e por Felipe Gonzalez, desde o começo.

Acreditou no Consenso de Washington, de que qualquer governo “sério” teria que adotar as suas recomendações, não apenas cuidando dos desequilíbrios fiscais, mas centrando seu governo na estabilidade monetária.

A passagem dos governos Thatcher e Reagan aos de Blair e Clinton dava a impressão a um observador superficial que, qualquer que fosse o governo, o ajuste fiscal seria o seu eixo. Que haveria que terminar com os direitos sociais sem contrapartidas – como tinha feito Clinton, ao dar por terminado o Estado de bem estar social, instalado por Roosevelt.

Para isso, no Brasil, seria preciso atacar o Estado herdado de Getúlio e os movimentos sociais, que certamente defenderiam os direitos sociais a serem atacados, para recompor as contas públicas. Até ali, os tucanos tinham dado passos tímidos primeiro nessa direção, com o “choque de capitalismo” do Covas em 1989, passaram a atitudes mais audazes, como a entrada de uma avançada do partido no governo Collor – entre eles, Celso Lafer, Sergio Rouanet -, preparando o desembarque oficial, de que se salvaram pelo veto do Covas e pela queda do Collor.

Chamado pelo desorientado – até hoje – Itamar, FHC assumiu, eufórico, a globalização neoliberal como “o novo Renascimento da humanidade” (sic), nas suas próprias palavras. Era um destino inexorável, que a “atrasada” esquerda brasileira não percebia e seria esmagada pela nova onda. Seu vocabulário desqualificador das divergências, sua empáfia privatizadora, sua truculência ao mudar o nome da Petrobrás para torná-la um “global player” e privatizá-la, revelavam a auto- confiança daquele que representava a voz inteligente da “terceira via” nas periferias da vida, que convivia com Blair, Clinton e companhia nos seus ágapes globais.

Confiou-se de tal maneira de que o controle monetário, a partir da caracterização tentadora de que “a inflação é um imposto aos pobres”, que embora tivesse a sua mulher encarregada de políticas sociais – no estilo mais tradicional das primeiras damas -, o peso dessas nunca passou do figurino e do marketing, sem efeito algum que se contrapusesse à desigualdade social, acelerada no seu governo, uma vez passados os efeitos imediatos do controle da inflação. Um economicismo barato dominou seu governo – que ao contar com o coro unânime da imprensa, com a maioria absoluta no Congresso e com o apoio internacional, - acreditava no seu sucesso inevitável.

Afinal, Mitterrand e Felipe Gonzalez tinham se perpetuado por mais de uma década no governo dos seus países, Clinton e Blair gozavam também de grande popularidade, a adesão de forças tradicionais ao neoliberalismo parecia dar certo na Argentina, no México, no Chile. Não haveria alternativa ao Consenso de Washington e ao Pensamento Único, como havia previsto Margareth Thatcher – parecia estar plenamente convencido FHC, ainda mais quando foi reeleito no primeiro turno em 1998 – com pressa, porque a crise já era iminente e o Malan já negociava nova Carta de Intenções com o FMI, preparando-se para levar as taxas de juros, em janeiro de 1999 aos estratosféricos 48%, sem nenhum protesto do ministro José Serra.

Os primeiros anos da estabilização monetária foram os de auge de FHC, que lhe propiciaram um segundo mandato, mas naquele momento já havia iniciado seu declínio. As Cartas de Intenções do FMI, a profunda convicção nas teses do Estado mínimo, da predominância do mercado, nas privatizações, na abertura da economia, levaram o país a uma profunda e prolongada recessão, ao mesmo tempo em que o próprio sucesso do controle da inflação começava a desandar.

Serra não era o candidato da predileção de FHC, entre os dois travou-se uma dura guerra, quando a saúde afastou Covas da parada. Mas qualquer que fosse o candidato, teria perdido para Lula naquele momento. Serra tentou não arcar com o ônus do governo FHC e FHC tentou dizer que a derrota era do Serra e dele. Mas, abraçados ou não, os dois foram a pique.

Essa derrota pesa definitivamente sobre o destino tucano. Não tiveram capacidade de conquista de bases populares mais além da estabilidade monetária, até porque não tinham plano de retomada do desenvolvimento – palavra totalmente enterrada por eles – e de distribuição de renda. Foram derrotados pelo seu sucesso efêmero e artificial, financeiro, especulativo.

Hoje, quando a depressão da derrota – agora inevitável – domina o ninho tucano, os ataques, as cotoveladas e caneladas sobram para todo lado. Certamente consciente da derrocada do Serra, FHC se apressou a dizer, antes mesmo da divulgação da pesquisa do Ibope, que via com sérias preocupações as possibilidades do candidato tucano, apesar de que ele tinha “ajudado”. Deixava o cadáver para os outros, aqueles que tentaram esconde-lo, a ele e a seu governo. Imaginem-se as palavras que Serra deve ter reservado para FHC, que na hora da débâcle, lhe dá as costas.

A escolha do vice tornou-se um calvário. Não se trata agora de escolher um vice que consiga votos, mas um que tire menos votos e, conforme a indecisão foi aumentando a lista de pré-candidatos, descontente a menor gente. Chega-se ao que a pesquisa do Datafolha os tinha livrado, aparentemente: o de chegar a uma Convenção em queda livre nas pesquisas e sem o Aécio.

O governo FHC deu errado como o neoliberalismo deu errado. Sua derrota e a crise final dos tucanos representam isso. Por isso, a vitória da Dilma tem que ser a vitória da esquerda e do campo popular, da superação do neoliberalismo, do fortalecimento do Estado, do desenvolvimento econômico e social, do Brasil soberano, da construção de uma sociedade justa, solidária e próspera.

Emir Sader

sábado, 26 de junho de 2010

COMO DESEJARIA ESTAR ERRADO

QUANDO estas linhas se publiquem no jornal Granma, amanhã, sexta-feira, o dia 26 de julho, data na qual sempre lembramos com orgulho a honra de ter resistido os embates do império, ficará distante, apesar de que somente restam 32 dias.

Aqueles que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade — o imperialismo dos EUA, uma mistura de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação as demais pessoas que habitam o planeta — o calcularam tudo com precisão matemática.

Na reflexão de 16 de junho escrevi: "Entre jogo e jogo da Copa Mundial de Futebol, as notícias diabólicas vão deslizando aos poucos, de forma tal que ninguém se ocupe delas".

O famoso evento esportivo entrou nos seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias os times integrados pelos melhores futebolistas de 32 países competiram para avançar rumo a fase de oitavas de final; depois vêm sucessivamente as fases de quartas de final, semifinais e o final do evento.

O fanatismo esportivo cresce incessantemente, cativando centenas e talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta.

Haveria que se perguntar quantos, no entanto, conhecem que desde 20 de junho navios militares norte-americanos, inclusive o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros navios de guerra com mísseis e canhões mais potentes que o dos velhos navios de guerra utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945, navegavam rumo as costas iranianas através do canal de Suez.

Juntamente com as forças navais ianques avançavam navios militares israelenses, com armamento igualmente sofisticado, para inspecionar quanta embarcação parta para exportar e importar produtos comerciais que o funcionamento da economia iraniana requer.

O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos EUA, com o apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma poderosa resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito.

Outra resolução mais forte foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos.

Com posterioridade, uma terceira resolução mais poderosa ainda, foi aprovada pelos países da Comunidade Europeia. Tudo isto aconteceu antes de 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do presidente francês, Nicolas Sarkozy à Rússia, segundo notícias, para entrevistar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dimitri Medvédev, com a esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora se trata de calcular quando as forças navais dos EUA e de Israel se desdobrarão frente às costas do Irã, para unir-se aos porta-aviões e demais navios militares norte-americanos que estão à espreita nessa região.

O pior é que, igual que os Estados Unidos, Israel, seu gendarme no Oriente Médio, possui modernos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidas pelos EUA, que o tornou na sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo, entre as oito reconhecidas como tais, que incluem à Índia e o Paquistão.

O Xá do Irã foi derrocado pelo aiatolá Ruhollah Jomeini em 1979 sem empregar uma arma. Depois, os Estados Unidos impuseram-lhe a guerra àquela nação com o emprego de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque juntamente com a informação requerida pelas suas unidades de combate e que foram empregues por estas contra os Guardiães da Revolução. Cuba o conhece porque nesse então era, como temos explicado outras vezes, presidente do Movimento de Países Não-Alinhados. Sabemos muito bem os estragos que causou na sua população. Mahmud Ahmadineyad, atualmente chefe de Estado no Irã, foi chefe do sexto exército dos Guardiães da Revolução e chefe dos Corpos dos Guardiães nas províncias ocidentais do país, que levaram o peso principal daquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto os EUA quanto Israel, depois de 31 anos, subestimam o milhão de homens das Forças Armadas do Irã e sua capacidade de combate por terra, e às forças de ar, mar, e terra dos Guardiães da Revolução.

A estas se acrescentam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, selecionados e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.

O governo dos EUA elaborou um plano para organizar um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, dividisse os iranianos e derrubasse o regime.

Tal esperança é atualmente inócua. Resulta risível pensar que com os navios de guerra estadunidenses, unidos aos israelenses, despertem as simpatias de um só cidadão iraniano.

Pensava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coreia, e ali estaria o detonador da segunda guerra coreana que, a sua vez, daria lugar de imediato à segunda guerra que os Estados Unidos lhe imporiam ao Irã.

Agora, a realidade muda as coisas no avesso: a do Irã desatará de imediato a da Coreia.

A direção da Coreia do Norte, que foi acusada do afundamento do "Cheonan", e sabe perfeitamente que foi afundado por uma mina que os serviços de inteligência ianque conseguiram colocar no casco desse navio, não esperará um segundo para atuar enquanto no Irã se inicie o ataque.

É justo que os fanáticos do futebol desfrutem das competições da Copa do Mundo. Somente cumpro o dever de exortar o nosso povo pensando, sobretudo em nossa juventude, cheia de vida e esperanças, e especialmente nas nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos surpreendam absolutamente desprevenidos.

Dói-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e nas assombrosas criações das quais têm sido capazes em só uns poucos milhares de anos.

Quando os sonhos mais revolucionários se estão cumprindo e a Pátria se recupera firmemente, como desejaria estar errado!

Fidel Castro Ruz

24 de junho de 2010

21h34

Rede Globo é alvo de "vuvunzelazo" na internet

A Globo não está mais falando sozinha no Brasil. A chamada grande mídia não se esgota na Rede Globo,

é verdade, mas esta simboliza a hegemonia do modelo midiático concentrador e excludente construído no Brasil ao longo das últimas décadas. A briga envolvendo o técnico da seleção brasileira e o maior conglomerado de comunicação do país deu visibilidade a esse novo cenário. O chamado para um "Dia sem Globo", convocado via twitter para esta sexta-feira, foi um movimento inédito no país, nos termos em que aconteceu. A ordem era não ver o jogo da seleção brasileira contra Portugal pelos veículos da Globo. Moveu ponteiro na audiência da emissora? Nada dramático, segundo os indicadores oficiais de audiência, mas algo parece ter se movido.

O blog Noticias da TV Brasileira divulgou os seguintes números dos índices de audiência das emissoras concorrentes da Globo no horário do jogo desta sexta-feira entre Brasil e Portugal:

“A Band obteve hoje com a transmissão do jogo Brasil X Portugal o seu melhor resultado de audiência até agora na Copa do Mundo: pela prévia do Ibope, média de 13 pontos. Nos dois primeiros jogos do Brasil a média da emissora tinha sido de 10 pontos. O resultado de hoje mais uma vez garantiu à Band o segundo lugar isolado. No horário do jogo, SBT deu 1,1, Record 0,9 e Rede TV 0,1.”

Luiz Carlos Azenha, por sua vez, informou no Vi o Mundo que os números preliminares do Ibope para a Grande São Paulo indicam um aumento na audiência tanto para a Globo quanto para a Bandeirantes em relação ao jogo anterior do Brasil na Costa do Mundo, domingo passado. “Na estreia do Brasil, a Globo cravou 45 pontos, contra 10 da Band. No terceiro jogo, entre Brasil e Portugal, os números preliminares indicam que a Globo obteve 44 pontos de média, contra 13 da Band”. No entanto, o “share” da TV Globo caiu (porcentagem de sintonizados na emissora sobre o número total de televisores ligados), de 75% no primeiro jogo para 72% no segundo e, agora, para 67%. O “share” da Bandeirantes, por sua vez, iniciou com 16%, passou para 17% e chegou a 20% no jogo contra Portugal. Todos esses números, adverte Azenha, são preliminares e se referem apenas à medição automática do Ibope na Grande São Paulo.

Mas a principal novidade desse episódio não é audiência da Globo ou da Bandeirantes, mas sim a exposição pública de um tipo de prática midiática (de manutenção de privilégios) que não era conhecido pela imensa maioria da população. Na terça-feira desta semana começaram a surgir os primeiros relatos (dos jornalistas Bob Fernandes, no portal Terra, e de Maurício Stycer, no UOL) sobre o conflito ocorrido no domingo entre Dunga e a Rede Globo. Segundo esses relatos, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção para a realização de entrevistas exclusivas. Essas entrevistas teriam sido negociadas diretamente pela Globo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Dunga não gostou e vetou.

A imensa maioria dos jornalistas condenou o modo como Dunga reagiu, proferindo palavrões durante a coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim. No dia seguinte, o episódio parecia que ia somar para um suposto aumento do desgaste da imagem de Dunga. Mas não foi isso que aconteceu. A repercussão do caso na internet indicou que a maioria dos internautas estava ficando com Dunga e contra a Globo. As enquetes nos portais esportivos e as seções de comentários nestes espaços mostravam um amplo apoio para o técnico contra a emissora. Ainda na terça,

Internautas começaram a propor um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira. Na madrugada de terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que convidava as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo.

A reação da Globo e de seus parceiros

A alergia à crítica da Globo e de suas empresas parceiras provocou cenas curiosas, como a consulta à distância a psicanalistas para diagnosticar problemas mentais no treinador. Os jornais O Globo, no Rio de Janeiro, e Zero Hora, em Porto Alegre, publicaram matérias quase idênticas.

O primeiro noticiou, dia 22 de junho, em matéria assinada por Fernanda Thurler: “E se o destempero entrar em campo – Psicanalista teme que atitude exaltada do treinador seja incorporada pelos jogadores ”. Na mesma linha, ZH disse, em matéria de Itamar Melo: “Especialistas analisam Dunga”. Praticamente a mesma matéria. Só mudaram os psicanalistas ouvidos. No caso do Globo, Alice Bitencourt e Chaim Katz. A ZH foi de Mario Corso, João Ricardo Cozac e Robson de Freitas Pereira.

O jornalista Leandro Fortes apontou, em seu blog Brasília, eu vi, o surgimento de uma nova era Dunga e uma de suas primeiras conseqüências: o fim do besteirol esportivo. Ele escreveu:

“O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado”.

O fato é que a Globo e as grandes empresas midiáticas não estão falando mais sozinhas e perderam a legitimidade auto-atribuída que os apresentava como porta-vozes dos interesses, anseios e desejos da sociedade. Eles não são esses porta-vozes. O número de porta-vozes da sociedade aumentou significativamente e eles estão se valendo das novas ferramentas tecnológicas para expressar suas opiniões. Há quem diga que é muito barulho por uma questão envolvendo um campeonato de futebol. Na verdade, é muito mais do que isso. Os palavrões e o “destempero” de Dunga serviram ao menos para mostrar que há muitas vozes gritando do lado de cá da tela. E, nesta semana, essas vozes fizeram tanto barulho quanto as vuvunzelas.
Editorial - Carta Maior

quarta-feira, 23 de junho de 2010

NOBLAT E HIPPOLITO: "OS FUKUYAMAS TUCANOS"

O governo Lula, que tomou posse em 2003, acabou antes da hora”.

“O governo Lula acabou.”

As duas afirmações foram feitas no delírio que tomou conta de grande parte da imprensa tucana em 2005, o que levou a muitos espasmos de ejaculação precoce. A primeira, de um livro de uma empregada da empresa familiar dos Marinhos, a nunca suficientemente sóbria Lucia Hippolito.

Publicada no auge do que acreditavam seria a crise terminal do governo Lula, no livro “Por dentro do governo Lula”, sugerindo que a perspicaz personagem tinha captado as entranhas do governo, pela sua suposta formação de historiadora. O subtítulo reitera esse olhar privilegiado – “Anotações num Diário de Bordo”, o que pode explicar a pouca sobriedade, provocada pelo vai e vem da viagem.

A segunda afirmação foi feita por um amiguinho, dando uma força para a coleguinha, tomando euforicamente como um fato o fim do governo. O texto é de Ricardo Noblat, na quarta capa do desafortunado livro da pouco sensata funcionaria da mesma empresa que ele.

Ao que se saiba, passados cinco anos, nenhum dos dois fez autocrítica, reconsiderou as suas apreciações, considerou que tinham tido um acesso de onipotência e que tinham se equivocado redondamente. Nada disso. Seguem adiante com suas argutas “análises” cobrando seus salários da mesma empresa, como se não tivesse errado redondamente.

Ninguém acredita no que dizem eles e seus colegas na mídia direitista.

Todos eles acreditavam que o governo Lula era um gigante de pés de barro, sem apoio popular, totalmente entregue às ameaças da oposição, inevitavelmente condenado ao impeachment ou a sangrar continuamente até eleições em que ou Lula sequer seria candidato ou seu candidato seria facilmente derrotado pela oposição – por Alckmin ou por Serra. Acreditavam que Lula seria um outro Jânio ou um outro Collor – heróis efêmeros dessa mesma mídia.

Não decifraram o enigma Lula e foram devorados por ele. Lula deu a volta por cima e ascendeu dos 28% de apoio a que chegou a estar reduzido no auge da crise de 2005 aos mais de 80% atuais. Quando a oposição mandou mensageiros com a proposta de capitulação ao Lula – retira-se a proposta do impeachment e Lula renunciaria a candidatar-se a um segundo mandato, proposta que não foi levada pela Dilma, que esteve sempre alinhada com Lula, ao contrário do que disse a venenosa reportagem do Valor -, ouviu um palavrão daqueles do Lula, que disse que viraria o país de cabeça para baixo.

E virou. Não apenas no apelo ao apoio popular, mas sobretudo pelas políticas sociais, que haviam começado a deslanchar com as mudanças no governo, especialmente com o papel de coordenação que passou a ter a Dilma no governo.

Supostos analistas políticos que cometem erros desse calibre, não se emendam, não renunciaram a seus cargos, continuam na mesma toada, revelam como não conhecem o país e tampouco a política, o poder, o governo e o povo brasileiro.

Acreditavam, como Fukuyamas tucanos, que o governo Lula tinha acabado, que seus amigos tucanos voltariam ao poder e o país voltaria a ser deles. Seus patrões já preparavam os apressados cadernos com a necrologia do governo Lula. Como havia dito um ex-ministro da ditadura: “Uma hora o PT teria que ganhar, fracassaria e os deixaria governar o país sem oposição popular”.

Se equivocaram e, pelo que tudo indica, continuam a equivocar-se. Lula não manteria sua popularidade com a crise internacional. Manteve e consolidou o apoio ao governo. Lula não transferiria sua popularidade para a Dilma. Transfere. Dilma, como nunca se havia candidatado, não seria uma boa candidata. Ela se revela excelente candidata. Serra mostraria ser experiente, tranqüilo, seguro. Ele se revela destemperado, inseguro, intranqüilo.

A história não acabou, o governo Lula não “acabou antes da hora”, tem tudo para eleger sua sucessora. Os corvos ladram, a caravana passa.

EMIR SADER

UM ATO CONTRA A PROSTITUIÇÃO DA MIDIA

Reproduzo artigo de Leonardo Severo, publicado no sítio da CUT:

“É uma triste verdade que a supressão da imprensa não poderia privar mais completamente a nação de seus benefícios do que se prostituíssem os jornais, entregando-se à publicação de mentiras”, já nos alertava em 1807, o então presidente norte-americano Thomas Jefferson. Passados mais de duzentos anos, pesos pesados na luta pela democratização da comunicação – e do próprio país - como Mino Carta e Fábio Konder Comparato transformaram o lançamento do livro “Liberdade de expressão x Liberdade de imprensa”, de Venício Lima, na noite de segunda-feira (21) no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, em maiúscula manifestação contra a prostituição da mídia.

Em seu livro, didático e direto, o professor Venício lembra, sem precisar recorrer à demolidora crítica marxista de Lenin

 ou Gramsci, da falácia empregada pelos porta-vozes dos conglomerados midiáticos em sua ânsia de mascarar a dominação e a transformação da informação em mercadoria. Cada vez mais convertidos em “partido do capital”, os barões da mídia buscam “satanizar a expressão controle social” e identificar “liberdade de imprensa com liberdade de empresa”, denunciou o professor. Nesta linha, condenou, conseguiram intimidar setores do governo durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Assim, sem necessitar recorrer à “crítica marxista clássica”, alerta o autor, “refiro-me, apenas, ao debate interno às premissas liberais, consolidadas e praticadas em sociedades que têm servido de referência à nossa democracia, na perspectiva do direito à comunicação centrado no indivíduo (e não em empresas) – razão última e sujeito de todas as liberdades e direitos”.
 

Com este Norte, Venício faz ecoar as palavras proféticas de Jefferson, um dos heróis da independência dos EUA: “Não se pode agora acreditar no que se vê num jornal [ainda não havia rádio e televisão]. A própria verdade torna-se suspeita se colada nesse veículo. A verdadeira extensão deste estado de falsas informações é somente conhecida daqueles que estão em posição de confrontar os fatos que conhecem com as mentiras do dia. O homem que não lê jornais está mais bem informado do que aquele que os lê, porquanto o que nada sabe está mais próximo da verdade que aquele cujo espírito está repleto de falsidades e erros”.

Responsável pelo prefácio do livro, o jurista Fábio Konder Comparato fez um breve relato histórico sobre a censura exercida pelas autoridades reais e eclesiásticas da liberdade de imprimir no mundo e de como se desenvolveu este controle de poder também em nosso país. Na atualidade, apontou, “o objetivo do oligopólio empresarial é a defesa do sistema capitalista. A liberdade é a falta de controle, a ausência de leis, isso é fundamental para os empresários que controlam os meios de comunicação”.

Na avaliação do jurista, é inaceitável que passados mais de 20 anos da promulgação da Constituição de 1988, não tenham sido regulamentados os artigos que dizem respeito à Comunicação. Na verdade, enfatizou, isso se deve ao fato do “oligopólio empresarial exercer um domínio sobre o Congresso Nacional”. “Precisamos entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão dos parlamentares”, declarou Comparato, sob aplausos.

Expressão maior da Revista Carta Capital, o veterano jornalista Mino Carta ridicularizou os “jornalistas” que acabam se transformando em sabujos do dono do meio de comunicação, publicando mentiras”, e que, pior, “acabam acreditando no que escrevem, enganando-se a si mesmos com medo de perder o emprego ou por um simples sorriso do patrão”. Exemplificando o que qualificava como “jornalismo de péssima qualidade”,


Mino Carta fez a plateia vir abaixo com a entrevista de José Serra à Revista Veja, num simulacro de reportagem. Primeira pergunta: “Por que para a democracia brasileira é positivo experimentar uma alternância de poder depois de oito anos de governo Lula ?”. E outra: “Como o senhor conseguiu governar a cidade e o Estado de São Paulo sem nunca ter tido uma única derrota importante nas casas legislativas e sem que se tenha ouvido falar que lançou mão de ‘mensalões’ ou outras formas de coerção sobre vereadores e deputados estaduais ?” O plenário transformou-se em mar de risos.

“O pavor desta mídia é que Lula colha mais uma vitória”, disse Mino Carta, ressaltando que o processo eleitoral será um divisor de água importante. Mas há obstáculos a serem removidos, enfatizou o jornalista da Carta Capital, frisando que “um dos grandes aliados da mídia é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que é quem mais contribui com os donos do poder com as altas taxas de juros”.

Em sua intervenção, o jornalista Luis Nassif também citou a promiscuidade entre o BC e os donos dos meios de comunicação, lembrando que o Banco Central sinaliza com o aumento da inflação e a mídia “faz um alarido que dá espaço para o BC aumentar os juros”. “É um jogo de guerra, de manipulação absoluta, de distorção. Hoje o jornalista vai a campo, colhe 10 informações, distorce duas e deixa a terceira para o editor distorcer”, explicou.
 

Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, relembrou as inúmeras ações judiciais movidas contra ele por Daniel Dantas – o grande operador do esquema tucano nas famigeradas “privatizações” da telefonia – chamado por FHC de “brilhante”, para reforçar a denúncia de que “a elite nativa se apropriou da liberdade de expressão para nos calar pelo bolso através da Justiça”. Segundo Paulo Henrique, é fundamental respaldar a ADIN por omissão, proposta pelo jurista Fábio Konder Comparato, para garantir a regulamentação dos artigos que proíbem a formação de oligopólios no setor, garantem espaço à produção regional e independente e estabelecem a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal.

Para Paulo Henrique, o momento é de somar força e consciência em defesa da trincheira democrática que – ainda – é a internet, alvo dos que querem “fechar a linha de oxigênio” da comunicação. Condenando o PUM (Partido Unificado da Mídia), ressaltou que embora o governo Lula não tenha avançado neste estratégico quesito, que é a democratização da comunicação, concorda com Mino Carta que “seu maior legado será a tunda que vai dar no Serra“.

Entre outros sindicalistas e jornalistas, estiveram presentes o presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, Altamiro Borges – organizador do evento junto com a Editora Publisher Brasil; a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvândia Moreira; o presidente da Afubesp e diretor da Rede Brasil Atual, Paulo Salvador; o presidente da Altercom, Joaquim Palhares; Bia Barbosa e João Brant, do Coletivo Intervozes; Renato Rovai, editor da Revista Fórum; Renata Mielli, do Portal Vermelho, e Wagner Nabuco de Araújo, diretor geral da Caros Amigos.

Sintetizado em 162 páginas e 23 artigos que aprofundam a análise, a conceituação e o debate da relação entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa, o livro de Venício conta com cinco enriquecedores capítulos, didaticamente organizados: “O ensinamento dos clássicos”, “O ponto de vista dos empresários”, “A posição das ONGs”, “Questões em Debate”, e “As Decisões Judiciais”.

http://altamiroborges.blogspot.com/2010/06/um-ato-contra-prostituicao-da-midia.html

OPUS DEI QUER EXORCIZAR A INTERNET

Em recente artigo no jornal O Estado de S.Paulo, o articulista Carlos Alberto Di Franco, que se apresenta como “doutor em comunicação”, mas esconde os seus vínculos com a seita Opus Dei, resolveu exorcizar a internet. Ele teme os efeitos nefastos desta ferramenta, talvez uma obra do demônio, que ainda garante certas brechas para a pluralidade informativa. No altar dos barões da mídia, ela prega: “Ou fazemos jornalismo de verdade..., ou seremos descartados por um leitorado cada vez mais fascinado pelo aparente autocontrole da informação na plataforma virtual”.

Para ele, a chamada “grande imprensa” tem cometido muitos erros, o que a torna mais vulnerável diante do fascínio da internet. Ele não se refere às manipulações grosseiras, ao falso denuncismo ou ao sensacionalismo barato. Di Franco está preocupado é com o fantasma do “esquerdismo” nas redações, com o “engajamento ideológico” e a “fácil concessão ao jornalismo declaratório”. Ele gostaria, talvez, que todos os jornalistas fossem fiéis seguidores do Opus Dei e que auto-flagelassem dos seus desvios com chicotes de corda e silício (cinta de arame amarada na virilha).

Religião e política

Os motivos da ira “divina” do chefão da seita no Brasil são emblemáticos da postura reacionária desta organização. No campo religioso, ele critica “a recente enxurrada de matérias sobre abuso sexual na Igreja”. Ela acha um exagero a mídia falar em “pedofilia epidêmica” e garante que “o número de delitos ocorridos é muitíssimo menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade”. Risível, faz comparação com o número de casos entre “os professores de educação física”. Como o Opus Dei goza de forte influência no Vaticano, ele tenta limpar a sua imagem.

Já no terreno político, ele exige uma mídia ainda mais direitista. “Gastamos páginas repercutindo o obstinado apoio de Lula à ditadura cubana (...) e não vamos à fonte que esclarece as razões da estratégia do presidente da República. É só contar ao leitor a história do Foro de São Paulo. Lá está tudo, inclusive a matriz inspiradora do Plano Nacional de Direito Humanos (PNDH-3)... Estamos diante de um projeto de corte radical-socialista, que está sendo implantado na Venezuela, no Equador e na Bolívia e que tem em Cuba o seu ponto de referência”.

Uma história sinistra

O temor do Opus Dei diante da internet é compreensível. Afinal, ela permite que os internautas conheçam algumas verdades sobre esta seita fascista – o que geralmente é omitido pela mídia hegemônica, inclusive pelo jornal Estadão, que oculta a biografia de Di Franco. Replico abaixo artigo que relata um pouco desta história sinistra:


O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.

Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.

O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.

Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas

Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.

Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.

Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.

Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Infiltração na mídia

Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.

Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.

O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”

Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.

A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.

Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.

O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”

O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.

Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Os tentáculos no Brasil

No Brasil, o Opus Dei fincou a sua primeira raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, segundo na hierarquia. “Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à ‘opção pelos pobres’, fundamentos da Teologia da Libertação”, explica Marina Amaral na revista Caros Amigos.

Ainda segundo seu relato, “aos poucos, o Opus Dei foi encontrando seus aliados na direita universitária... Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra Martins e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco ‘apitou’ (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários”.

Crescimento na ditadura

Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do atual presidenciável. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.

Seu crescimento dependeu da benção dos generais golpistas e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus “embaixadores”, relacionando-se com donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Confrontado com esta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: “Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei”.

ALTAMIRO BORGES