BRASIL PRA FRENTE

BRASIL PRA FRENTE!
O RIO DE JANEIRO DE PÉ PELO BRASIL!





















sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

RELATO DE UM MARINE QUE ESTEVE NO IRAQUE

“Tenho sido um assassino psicopata”


Durante quase 12 anos o sargento Jimmy Massey foi um marine de coração duro. Em março de 2003, chegou ao Iraque com as tropas invasoras e dirigiu 45 homens que não duvidaram em matar civis inocentes. Em 2004, Jimmy Massey escreveu o livro Cowboys do Inferno, um testamento aterrador do genocídio que os EUA cometem dia a dia contra o povo iraquiano. Hoje um dos principais ativistas contra a guerra do Iraque, Jimmy responde às perguntas da jornalista cubana Miriam Elizalde, do Cubadebate


ROSA MIRIAM ELIZALDE


“Tenho 32 anos e sou um assassino psicopata treinado. As únicas coisas que sei fazer é vender aos jovens a idéia de se juntarem aos marines e matar. Sou incapaz de conservar um trabalho. Para mim os civis são depreciáveis, atrasados mentais, uns débeis, uma manada de ovelhas. Eu sou seu cão pastor. Sou um predador. Nas Forcas Armadas me chamam ‘Jimmy o Terrível’”.


Este é o segundo parágrafo do livro escrito há três anos por Jimmy Massey, com a ajuda da jornalista Natasha Saulnier, que foi apresentado na Feira do Livro de Caracas. Cowboys do Inferno é o relato mais violento já escrito sobre a experiência de um ex-membro do Corpo de Marines, um dos primeiros a chegar ao Iraque durante a invasão de 2003 e que decidiu contar todas as vezes que seja necessário o que significa ter sido por 12 anos um desapiedado marine e como a guerra o transformou.


Jimmy participou do painel principal da Feira, que teve um título polêmico: “Estados Unidos, a Revolução é possível”, e seu testemunho foi, sem dúvida, o de maior impacto na audiência. Vestido com roupa militar, óculos escuros, caminha com ares marciais e seus braços estão completamente tatuados. Parece exatamente o que era: um marine.


Quando fala é outra coisa: alguém profundamente marcado por uma aterradora experiência que tenta evitar a outros jovens incautos. Como assegura em seu livro, não foi o único que matou no Iraque: esta foi uma prática constante entre seus companheiros. Quatro anos depois de deixar a guerra, todavia, vive perseguido pelos pesadelos.


Rosa Miriam Elizalde: Que significam todas essas tatuagens?



Jimmy Massey: Tenho muitas. Fiz no exército. Na mão (entre os dedos polegar e anular), o símbolo da Blackwater, o exército mercenário que foi fundado onde nasci, na Carolina do Norte. Fiz num ato de resistência, porque os marines são proibidos de tatuarem-se entre os punhos e as mãos. Um dia eu e os integrantes do meu pelotão nos embebedamos e todos fizemos a mesma tatuagem: um cowboy com olhos injetados de sangue sobre várias asas, que representam a morte. No braço direito, o símbolo dos marines, com a bandeira norteamericana e do Texas, onde me alistei. No peito, do lado esquerdo, um dragão chinês que solta a pele e significa que a dor é a debilidade escapando do corpo. O que não nos mata nos deixa mais fortes.


R. M. E.: Por que disse que no Corpo de Marines encontrou as piores pessoas que já conheceu em sua vida?


J. M.: Os Estados Unidos só têm duas maneiras de usar os marines: para tarefas humanitárias e para assassinar. Nos 12 anos que passei no Corpo de Marines dos EUA jamais participei de missões humanitárias.


R. M. E.: Antes de ir para o Iraque você recrutava jovens para ingressarem nas Forças Armadas? O que significa ser um recrutador nos Estados Unidos?


J. M.: Ser um mentiroso. A administração Bush forçou a juventude para que entrasse para as Forças Armadas e o que basicamente fez - e eu fiz também - foi tratar de ganhar pessoas com incentivos econômicos. Durante três anos recrutei 74 pessoas, que nunca me disseram que queriam entrar para o exército para defender o país, nem se manifestavam sobre nenhuma razão patriótica. Queriam receber dinheiro para irem para uma universidade ou obterem seguro de saúde. Eu lhes descrevia primeiro todas essas vantagens e só no final lhes falava que iam servir à pátria. Jamais recrutei o filho de um rico. Para manterem o trabalho os recrutadores não podiam ter escrúpulos.


R. M. E.: Agora o Pentágono tem relaxado mais nos requisitos para a entrada nas Forças Armadas. O que significa isso?


J. M.: Os padrões para o recrutamento têm baixado enormemente, porque quase ninguém quer alistar-se. Já não é impedimento ter problemas mentais, nem antecedentes criminais. Podem ingressar pessoas que tenham cometido crimes de traição, se disserem que foram sentenciados a mais de um ano de prisão, o que se considera um delito sério. Podem ingressar jovens que não tenham terminado os estudos secundários. Se passam na prova mental, ingressam.



R. M. E.: Você mudou depois da guerra, mas que sentimentos tinha antes?


J. M.: Eu era como outro soldado qualquer, que acreditava no que diziam. Contudo, quando estava recrutando, comecei a me sentir mal: como recrutador tinha que mentir o tempo todo.


R. M. E.: Porém acreditava que seu país entrava numa guerra justa contra o Iraque.


J. M.: Sim. Os informes de inteligência que recebíamos diziam que Saddan tinha armas de destruição em massa. Depois descobrimos que era tudo mentira.


R. M. E.: Quando percebeu que o haviam enganado?


J. M.: No Iraque, onde cheguei em março de 2003. Meu pelotão foi enviado aos lugares que haviam sido do Exército iraquiano e vimos milhares e milhares de munições em caixas que tinham a etiqueta norteamericana e estavam ali desde que os Estados Unidos ajudaram o governo de Saddan na guerra contra o Iran. Vi caixas com a bandeira norteamericana e tanques dos EUA. Meus marines – eu era sargento de categoria E6, uma categoria superior a sargento, e dirigia 45 marines – me perguntaram porque haviam munições de nosso país no Iraque. Não entendiam. Os informes da CIA afirmavam que Salmon Pac era um campo de terroristas e que íamos encontrar armas químicas e biológicas. Não encontramos nada. Nesse momento comecei a pensar que nossa missão realmente era o petróleo.


R. M. E.: As linhas mais perturbadoras de seu livro são as que você se reconhece como assassino psicopata. Pode explicar porque disse isso?


J. M.: Fui um assassino psicopata porque me treinaram para matar. Não nasci com essa mentalidade. Foi o Destacamento de Infantaria da Marinha que me educou para que fosse um gangster das corporações estadunidenses, um delinquente. Me treinaram para cumprir cegamente a ordem do presidente dos Estados Unidos e trazer para casa o que ele pedia, sem pensar em nenhuma consideração moral. Eu era um psicopata porque nos ensinaram a disparar primeiro e perguntar depois, como faria um doente e não um soldado profissional, que só deve enfrentar outro soldado. Se tínhamos que matar mulheres e crianças, nós fazíamos. Portanto, não éramos soldados, mas mercenários.


R. M. E.: Que experiência exatamente fez você chegar a esta conclusão?


J. M.: Aconteceram várias. Nosso trabalho era ir a determinadas áreas das cidades e fazermos a segurança das estradas. Houve um incidente em particular – e muitos mais – que realmente me levou a beira do precipício. Foi com carros que levavam civis iraquianos. Todos os informes da inteligência que nos chegavam diziam que os carros estavam carregados com bombas e explosivos. Essa era a informação que recebíamos da inteligência. Os carros chegavam a nosso controle e fazíamos alguns disparos de advertência; quando não diminuíam a velocidade, disparávamos sem contemplação.


R. M. E.: Com metralhadoras?


J. M.: Sim. Esperávamos que haveriam explosões ao metralhar cada veículo. Mas não ouvíamos nada. Logo abríamos o carro e, o que encontrávamos? Mortos ou feridos, e nem uma só arma, nenhuma propaganda da Al Qaeda, nada. Salvo civis em um lugar equivocado num momento equivocado.


R. M. E.: Você também relata como seu pelotão metralhou uma manifestação pacífica. Foi isso?


J. M.: Sim. Nos arredores do Complexo Militar de Rashees, ao sul de Bagdá, perto do rio Tigre. Haviam manifestantes ao final da rua. Eram jovens e tinham armas. Quando avançamos havia um tanque que estava estacionado de um lado da rua. O motorista do tanque nos disse que eram manifestantes pacíficos. Se os iraquianos quisessem fazer algo podiam ter feito apontando o tanque. Mas não fizeram. Só estavam se manifestando. Isso nós sentimos bem porque pensamos: “Se fossem disparar, teriam feito naquele momento”. Eles estavam a cerca de 200 metros de nossa tropa.


R. M. E.: Quem deu a ordem de metralhar os manifestantes?


J. M.: O Alto Comando nos disse que não perdêssemos de vista os civis porque muitos combatentes da Guarda Republicana haviam tirado os uniformes, vestiam-se com roupas civis e estavam desencadeando ataques terroristas contra os soldados americanos. Os informes da inteligência que nos davam eram conhecidos basicamente por cada membro da cadeia de comando. Todos os marines tinham muito claro a estrutura da cadeia de comando que se organizou no Iraque. Creio que a ordem de disparar nos manifestantes veio de altos funcionários da Administração, isso incluía tanto os centros de inteligência militar como governamental.


R. M. E.: Você, o que fez?


J. M.: Regressei ao meu veículo, um jipe altamente equipado, e escutei um tiro por cima de minha cabeça. Meus marines começaram a atirar e eu também. Não nos devolveram nenhum disparo, mesmo eu tendo disparado 12 vezes.


Quis assegurar-me de que havíamos matado segundo as normas de combate, da Convenção de Genebra e dos procedimentos operacionais regulamentares. Tentei evitar seus rostos e procurei pelas armas, mas não havia nenhuma.


R. M. E.: E seus superiores, como reagiram?


J. M.: Me disseram que “a merda acontece”.


R. M. E.: Quando seus companheiros perceberam que tinham sido enganados, como reagiram?


J. M.: Eu era o segundo comandante. Meus marines me perguntavam por que estávamos matando tantos civis. “Você pode falar com o tenente?”, me perguntavam. “Dizer que tem que ter barreiras adequadas, preparadas pelos engenheiros de combate”. A resposta foi: “Não”. No momento que os marines descobriram que era uma grande mentira, enlouqueceram mais.


Nossa primeira missão no Iraque não foi para dar apoio humanitário, como diziam os jornais, mas para assegurar os campos petrolíferos de Bassora. Na cidade de Karbala usamos a artilharia por 24 horas. Foi a primeira cidade que atacamos. Pensei que íamos dar ajuda médica e alimentar à população. Não. Seguimos direto aos campos de petróleo. Antes de chegar ao Iraque, estivemos no Kuwait.


Chegamos em janeiro de 2003 e nossos veículos estavam cheios de comida e remédios. Perguntei ao tenente o que íamos fazer com os suprimentos, pois apenas cabíamos nós com tantas coisas dentro. Ele respondeu que seu capitão havia ordenado deixar tudo no Kuwait. Pouco depois nos deram a ordem de queimar tudo: alimentos e provisões médicas e humanitárias.


R. M. E.: Você também denunciou o uso de urânio empobrecido...


J. M.: Tenho 35 anos e só conservo 80% de minha capacidade pulmonar. Fui diagnosticado com uma doença degenerativa da coluna vertebral, fadiga crônica e dor nos tendões. Antes, todos os dias corria 10 Km por puro prazer, e agora só poso caminhar entre 5 e 6 Km todos os dias. Tenho medo de ter filhos por isso. Minha cara está inflamada. Veja esta foto (mostra-me a imagem da credencial da Feira do Livro), foi tirada pouco depois que regressei do Iraque. Pareço um Frankenstein. Tudo isso se deve ao urânio empobrecido, agora imagina o que estará acontecendo com o povo no Iraque.


R. M. E.: O que aconteceu quando regressou aos EUA?


J. M.: Me trataram como um louco, um covarde, um traidor.


R. M. E.: Seus superiores disseram que é mentira tudo que contou.


J. M.: A evidência contra eles é incômoda. O Exército norteamericano está esgotado. Quanto mais tempo durar esta guerra, mais possibilidade haverá de que minha verdade apareça.


R. M. E.: O livro que você apresentou na Venezuela está editado em espanhol e em francês. Porque não foi publicado nos Estados Unidos?


J. M.: As editoras exigiram que eu eliminasse os nomes reais das pessoas envolvidas e que eu apresentasse a guerra no Iraque envolta em uma neblina, menos cruamente. Não estou disposto a fazer isso. Editoras como New Press, supostamente de esquerda, se negaram a publicá-lo porque temiam se verem envolvidas em ações apresentadas por pessoas apresentadas no livro.


R. M. E.: Por que jornais como o The New York Times e o The Washington Post jamais reproduziram seu testemunho?


J. M.: Eu não repetia o credo oficial, de que as tropas estavam no Iraque para ajudar o povo, nem repetia que os civis morriam por acidente. Me nego a dizer isso. Não havia nenhum disparo acidental contra os iraquianos e me nego a mentir.


R. M. E.: Tem mudado essa atitude?


J. M.: Não. O que tenho feito é incorporar opiniões e obras de pessoas com objeções de consciência: que são contra a guerra em geral ou que participaram da guerra, mas não tiveram este tipo de experiência. E resistem, no entanto, a olhar de frente a realidade.


R. M. E.: Tem fotografias ou documentos que provem o que você está nos contando?


J. M.: Não. Me tiraram todos os pertences quando me ordenaram regressar aos Estados Unidos. Voltei do Iraque só com duas armas: minha mente e uma faca.


R. M. E.: Haverá alguma saída a curto prazo para a guerra?


J. M.: Não. O que vejo é a mesma política entre democratas e republicanos. São a mesma coisa. A guerra é um negócio para ambos os partidos, que dependem do Complexo Militar Industrial. Necessitamos de um terceiro partido.


R. M. E.: Qual?


J. M.: O do socialismo.


R. M. E.: Você participou em um debate cujo título é “Estados Unidos: A Revolução é possível”. Acredita que realmente haverá revolução nos EUA?


J. M.: Já começou. No sul, onde nasci.


R. M. E: Mas essa tem sido tradicionalmente a região mais conservadora do país.


J. M.: Depois do Katrina isso mudou. Nova Orleans parece Bagdá. As pessoas do sul estão indignadas e se perguntam todos os dias como é possível que se atrevam a investir em uma guerra inútil e em Bagdá, quando nada é feito em Nova Orleans. Lembre-se também que no Sul iniciou-se a primeira grande rebelião do país.


R. M. E.: Você iria a Cuba?


J. M.: Admiro Fidel e o povo de Cuba, portanto, se me convidarem, irei à Ilha. Não me importa o que diga o meu governo. Ninguém controla onde vou.


R. M. E.: Você sabe que o símbolo do desprezo imperial com a nossa nação é uma fotografia de marines urinando sobre a estátua de José Martí, o Herói de nossa Independência?


(Três marines americanos subiram até a cabeça de mármore da estátua do Herói Nacional cubano José Martí, em Havana, em 11 de março de 1949, e ali urinaram. As fotos foram publicadas pelo jornal Hoy, de Havana, no dia seguinte).


J. M.: Sim, eu sei. No Corpo de Marines nos falavam de Cuba como uma colônia dos Estados Unidos e nos ensinaram algo de História. Parte da formação de um marine é aprender algumas coisas dos países que pensamos invadir, como diz a canção.


R. M. E.: A canção dos marines?


J. M.: (Canta) “From the halls of Montezuma, to the shores of Tripoli…” (Desde as salas de Montezuma até as praias de Trípoli...)


R. M. E.: Quer dizer, os marines querem estar em todo o mundo.


J. M.: O sonho é dominar o mundo..., ainda que pelo caminho nos transformem todos em assassinos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O LEGADO DOS AMALDIÇOADO: UMA BREVE HISTÓRIA DO HAITI

A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica.



O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano.


Antonio Lassance


Sob os escombros de sua tragédia, o Haiti carrega o fardo de uma trajetória sabotada. Compreender historicamente como esta região foi sistematicamente arrasada é a única maneira de evitar que se pense, como fez o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que uma maldição se abateu sobre aquele país. Um breve panorama nos permite ver a injustiça contra um povo que tem um legado bendito para toda a América.



A região onde se encontra o Haiti viu, ao longo dos séculos, o massacre de sua população indígena, a escravização de negros trazidos pelo tráfico, a divisão artificial em domínios fabricados ao gosto do colonizador (espanhol e francês), sua separação definitiva em dois – Haiti, de um lado, República Dominicana, de outro –, as tentativas de reconquista colonialista, a permanente intervenção norteamericana e frequentes golpes de Estado, entre eles o que deu origem a uma das ditaduras mais abomináveis que se pode mencionar (de Papa Doc e Baby Doc, de 1957 a 1986).



Esta é a herança que antecipa a extrema dificuldade que haverá para por novamente de pé um país que teve frustradas suas tentativas de construção autônoma e democrática do Estado.


A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica. Trata-se de um legado muitas vezes esquecido, calcado em lutas tornadas inglórias. O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano.



A região onde hoje se localiza o Haiti e a República Dominicana compunha o complexo das Antilhas, que havia se tornado, no século XVIII, o principal concorrente do açúcar brasileiro. Celso Furtado, no clássico “Formação Econômica do Brasil”, mostrou o impacto que causou o açúcar antilhano, mais barato que o brasileiro, para a decadência daquele ciclo.



Ao final do século XVIII, ajudado pelo desenrolar da Revolução Francesa, a ilha (antes unificada sob o nome de Santo Domingo) foi sacudida pela revolta dos escravos. Confrontados com um povo que reclamava os próprios ideais proclamados pelos revolucionários, os franceses se viram obrigados a reconhecer o fim da escravidão. O fizeram como se fosse uma concessão, embora não houvesse outra opção. Para além da moral revolucionária, os franceses estavam diante de um levante de uma população negra organizada e armada para defender sua república. Enfrentá-la demandaria mobilizar forças que eram essenciais para defender a própria França da invasão estrangeira, patrocinada pelas demais monarquias européias, aliadas ao rei deposto (Luís XVI).



Ao criar uma área livre de escravos, Santo Domingo provocou um efeito importante sobre toda a América. Criou o medo de que sua revolução se espalhasse, mostrou que era possível sobreviver sem escravismo e que se podia confrontar e vencer Napoleão (que queria reconquistar aquele território e trazer de volta a escravidão). A Inglaterra, que vivera a experiência de intensas rebeliões de escravos na Jamaica, conjugou razões suficientes que a levaram a capitanear a luta contra o tráfico: o abolicionismo, o liberalismo e a geopolítica de contenção do domínio francês. Em 1815, o Congresso de Viena, que formalizou a derrota napoleônica, trouxe como uma de suas resoluções a da extinção do tráfico de escravos (mesmo que limitada ao norte do Equador).



Os haitianos foram parte importante do processo que transformou o trabalho assalariado em opção mais vantajosa de exploração do trabalho do que a escravidão. Tornaram a abolição não apenas uma questão moral, filosófica e retórica, mas um tema político de primeira grandeza.


O Haiti foi base de apoio a Bolívar em sua luta pela libertação da América espanhola e portuguesa. O país lhe emprestou soldados, armas e munição, com uma única condição: a de Bolívar libertar escravos onde quer que os encontrasse. A mesma generosidade o levou a apresentar-se como opção para receber negros libertos vindos do Sul dos EUA.



No século XIX, o país foi diretamente afetado pelas doutrinas que propugnavam a supremacia dos EUA sobre todo o continente: a doutrina Monroe (“a América para os americanos”) e a do “destino manifesto”. No século XX, tal política se desdobrou em prática de intervenção sistemática, sendo cunhada por Theodore Roosevelt como o “big stick” (“o grande porrete”).


A política colonialista européia e, depois, americana pesaram sobre o Haiti como uma sistemática sabotagem à estruturação de um Estado igualitário, soberano e capaz de servir como alavanca para o desenvolvimento de seu povo. É curiosa a tese de Samuel Huntington (“O Choque de Civilizações), reproduzida por alguns jornais, de que o Haiti isolou-se do resto do mundo. Infelizmente, ele não teve esta chance.



A falta de Estado explica, agora, a falta de estruturas minimamente preparadas para socorrer pessoas diante da atual tragédia. Consequência imediata: um país que, após o terremoto, tornou-se um retrato daquilo que Thomas Hobbes chamou de Estado de natureza: a luta de todos contra todos, pela sobrevivência imediata. Uma situação em que a vida se torna, mais uma vez citando o filósofo inglês, solitária, pobre, suja, brutal e breve.
Bendito seja o Haiti!

O BERLUSCONI CHILENO

De tanto considerar-se um país da OCDE, distanciado da América Latina, o “tigre latinoamericano”, o Chile ganhou um Berlusconi. Esse é o molde de Sebastien Piñera, recém eleito presidente do Chile, fazendo com que a direita volte ao governo – depois de ter ocupado violentamente o poder, mediante uma ditadura militar, de 1973 a 1990.


Depois dos ditadores militares que representaram os interesses da direita e dos EUA na região, o neoliberalismo projetou um outro tipo de líder da direita: o empresário supostamente bem sucedido. Roberto Campos, entre outros, já dizia que o Estado e as empresas estatais deveriam funcionar com o mesmo critério das privadas: a busca do lucro, o critério custo-beneficio, a competitividade. Empresas estatais deficitárias deveriam ser fechadas ou privatizadas – junto com as rentáveis também, já que não competiria ao Estado essa função.


Berlusconi foi eleito e reeleito, entre outras imagens, por essa: o empresário mais rico, o supostamente mais bem sucedido, da Itália. “Se deu certo dirigindo suas empresas, vai dar certo no Estado” – conforme a pregação liberal. “Vai passar o Estado a limpo”, “Vai cortar os gastos inúteis” (isto é, os não rentáveis economicamente). O Estado funcionar conforme o custo-beneficio significa cortar recursos para políticas sociais, paga salários dos fucionrios públicos, para investimentos de infra-estrutura. Daí o sucateamento do Estado, as privatizações, a mercantilização das relações sociais.


O empresário de sucesso no mercado seria o melhor agente para “passar a limpo” o Estado, fazer o tal “choque de gestão” – que os tucanos adoram. Aqui mesmo eles já apoiaram Antonio Ermirio de Morais, contra seu atual aliado, Orestes Quercia, para o governo de São Paulo.


No Chile, José Piñera, irmão e sócio do eleito presidente do Chile, foi o introdutor das malditas “reformas laborais”, um dois eixos do neoliberalismo, com seu suposto fundamental: gastar menos com remuneração salarial e elevar a superexploração do trabalho, como outras forma de transferência de recursos para os grandes empresários.


O Grupo Piñera ficou conhecido no Chile como dos que mais fez pela introdução do cartão de crédito no Chile, porém o grosso dos seus esforços esteve concentrada na expansão da Lan Chile, com a criação de Lan Perú e a compra de outras empresas latinomericanas de aviação. Para se assemelhar mais ainda a Berlusconi, ainda que não seja torcedor do Colo-Colo, comprou o clube, como quem compra uma fábricas de empanadas.


Piñera não esconde suas afinidades com o presidente colombiano, Uribe, com quem tratará de fazer dobradinha, tentando isolar a Equador e a Bolívia na região andina e se apresentar, junto com o Peru, como um pólo ortodoxo neoliberal, intensificando as relações de livre comércio com os EUA. Mal sabe ele que os tempos de auge do neoliberalismo já ficaram para trás, que aventurar-se por esse caminho é deixar a economia chilena ainda mais fragilizada diante dos continuados efeitos da crise internacional, ainda para um pais que tem um TLC com os EUA – eixo dessa crise.


A derrota é muito dolorosa para o povo chileno. Mesmo se não colocássemos os governos da Concertação no bloco progressista na região – porque privilegiaram o Tratado de Livre Comércio com os EUA, mantiveram uma política econômica ortodoxo -, toda a esquerda sai derrotada. Porque, apesar das debilidades dos governos da Concertação – refletido agora no voto majoritário da direita, que incorpora amplos setores populares -, a esquerda não soube construir, nas duas décadas de democratização, uma alternativa antineoliberal no Chile. O povo chileno pagará caro esse erro da esquerda, que agora tem, pelo menos, a possibilidade de colocar em questão o modelo herdado do pinochetismo.


Os momentos de balanço de derrotas como essa se prestam para as divisões, para os oportunismos, para os radicalismos verbais. A esquerda chilena pode olhar para a América Latina para ver distintas expressões de governos populares e de blocos sociais e políticos que levam a cabo esses governos, como referência, para que o Chile volte a assumir seu lugar no processo de integração regional e de construção de alternativas efetivamente de esquerda, nas terras de Allende, Neruda e Miguel Enriquez.
EMIR SADER

OS PECADOS DO HAITI

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca.



O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros.


Eduardo Galeano*


A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.



O voto e o veto


Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.




Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:


– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.


O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:



– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.


E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.


Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.


Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.


A tradição racista


Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".


O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".


Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".


A humilhação imperdoável


Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.


A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.


O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.


Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.


A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

LEONARDO PICCIANI: MINHA CASA MINHA VIDA BENEFICIARÁ 18 MUNICIPIOS NO ESTA DO RJ

Entulho do Frei Caneca vai ganhar utilidade
Os resíduos sólidos gerados pela demolição do presídio Frei Caneca serão reaproveitados. Segundo o Secretário Estadual de Habitação,


 Leonardo Picciani, todo o entulho vai ser transformado em matéria-prima de outras obras. Bases de asfalto, novas edificações, estradas e demais construções civis são algumas das opções de destino para o material demolido. A preocupação é com a economia de recursos naturais e minimização do impacto ambiental, já que cada nova construção implica em intervenções na natureza como, por exemplo, a extração de material em jazidas de brita e areia.
O terreno de aproximadamente 66 mil m2 do Complexo Frei Caneca vai dar lugar a um conjunto habitacional para mais de mil famílias através do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A ideia é acomodar os moradores vizinhos que vivem na Comunidade do São Carlos.
Secretário anuncia mais duas vilas habitacionais para idosos
A população idosa de Volta Redonda e Conceição de Macabu terá dois bons motivos para comemorar. A Secretaria Estadual de Habitação vai construir duas "Vilas da Melhor Idade" nestas cidades. Os conjuntos que serão erguidos nestes municípios estarão totalmente adaptados para as pessoas da melhor idade. Serviços que prometem mudar o conceito de habitação para os idosos, onde moradia digna e assistência social e de saúde deverão estar integradas. Somados ao primeiro projeto, iniciado no bairro de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, a secretaria estima atender mais de 200 idosos.
O secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani, aposta nesta ideia e acredita que o modelo poderá ser seguido por outros administradores. "Tenho certeza de que elas serão um exemplo para o país. O Rio vai mostrar como devemos cuidar dos idosos!", completou.
O empreendimento de Volta Redonda vai contar com a infraestrutura necessária para o público. Serão 42 unidades habitacionais totalmente adaptadas com rampas de acesso, sala, dois quartos, cozinha e banheiro. No terreno, ainda será construída uma casa do cuidador, um centro de convivência e área de lazer para promover uma maior interação entre os idosos e o desenvolvimento de atividades sociais. A secretaria ainda pretende urbanizar vias, calçadas e áreas remanescentes do terreno, localizado entre as Avenidas dos Mineiros e Bahia.
Já o projeto de Conceição de Macabu vai oferecer moradia para aproximadamente 60 idosos. Na área serão construídas 30 casas que também atendem ao cumprimento das normas técnicas de acessibilidade e segurança. A previsão é de que as vilas tenham as obras iniciadas ainda no primeiro semestre de 2010.
Em setembro, a Secretaria Estadual de Habitação chegou a doar um terreno em Santa Cruz, Zona Oeste, onde cerca de sessenta idosos vão ter a oportunidade de viver com conforto e dignidade.
Programa “Minha Casa, Minha Vida” beneficia 18 municípios do estado
No dia 12/01, o secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani esteve em Brasília, para participar do anúncio da seleção de propostas do programa "Minha Casa, Minha Vida" destinadas aos municípios com menos de 50 mil habitantes e de operação de financiamento para o programa habitacional Pró Moradia, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O programa contemplou 18 cidades do estado do Rio de Janeiro - com menos de 50 mil habitantes - para serem beneficiadas com a construção das unidades habitacionais. Duas delas (Miracema e Bom Jesus de Itabapoana), por projetos apresentados pelo Governo do Estado e as demais, através de propostas dos próprios municípios. Com isso, o “Minha Casa, Minha Vida” atende mais de 700 famílias do estado através da construção de moradia para pessoas com renda de até três salários mínimos. O evento aconteceu no Centro de Evento Brasil 21, em Brasília e contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Municípios contemplados com menos de 50 mil habitantes
Além das duas cidades acima, mais 16 estão na lista de atendimento: Areal, Comendador Levy Gasparian, Italva, Laje do Muriaé, Magaratiba, Natividade, Paraíba do Sul, Porciúncula, Quissamã, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São João da Barra, São José de Ubá, São Sebastião do Alto, Silva Jardim e Vassouras.

"QUANDO OS ESCRAVOS SE REUNEM É COMEÇO DE SAIR DA ESCRAVIDÃO" MARTIN LUTHER KING JR.


"Este negócio de queimar seres humanos com napalm,


de encher casas de nossa nação com órfãos e viúvas, de injetar drogas venenosas do ódio nas veias de pessoas normalmente humanas, do envio de homens da casa escura e sangrenta batalha com deficiência física e psicologicamente perturbado, não pode ser conciliado com sabedoria, justiça e amor. Uma nação que continua ano após ano, para gastar mais dinheiro na defesa militar do que em programas de ascensão social está se aproximando da morte espiritual. "



REV. DR. MARTIN LUTHER KING, JR.: Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".



Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho.
REV. DR. MARTIN LUTHER KING, JR.: Depois de 1954, eles assistiram a nós com Diem conspiram para impedir as eleições, que certamente poderia ter trazido Ho Chi Minh ao poder através de uma unida Vietnã, e eles perceberam que haviam sido traídos novamente. Quando perguntamos por que eles não salto para negociar, estas coisas devem ser lembradas.


Além disso, é preciso ficar claro que os dirigentes de Hanói considerou a presença de tropas americanas em apoio do regime de Diem ter sido a violação inicial militares do Acordo de Genebra sobre tropas estrangeiras. E eles nos lembrar que eles não começaram a enviar tropas em grande número e até suprimentos para o sul, até que as forças americanas haviam se mudado para a dezenas de milhares.


Hanói se lembra de como os nossos dirigentes se recusaram a nos dizer a verdade sobre o anterior insinuação norte-vietnamita para a paz, como o presidente alegou que não existia quando foi claramente feita. Ho Chi Minh viu como a América tem falado de paz e construiu as suas forças, e agora ele tem certamente ouviu os rumores cada vez mais internacional dos planos americanos para uma invasão do Norte. Ele sabe que o bombardeamento de mineração e nós estamos fazendo é parte da estratégia tradicional pré-invasão. Talvez apenas o seu senso de humor e da ironia pode salvá-lo quando ele ouve a nação mais poderosa do mundo que fala de agressão, como gotas de milhares de bombas sobre um pobre, débil nação mais de 8.000 milhas de distância de sua costa.


Neste ponto, gostaria de deixar claro que quando eu tentei nestes últimos minutos para dar voz aos sem voz no Vietnã, e para compreender os argumentos daqueles que são chamados de "inimigo", como eu estou profundamente preocupado com a nossa própria tropas lá como qualquer outra coisa, pois ocorre-me que o que estamos submetendo-os no Vietnã não é simplesmente o processo brutal que acontece em qualquer guerra onde exércitos se enfrentam e procuram destruir. Nós estamos adicionando cinismo para o processo de morte, pois eles devem saber depois que o curto período de tempo há que nenhuma das coisas que se dizem lutar estão realmente envolvidos. Em pouco tempo, eles devem saber que o seu governo enviou-os em uma luta entre o vietnamita, o mais sofisticado e com certeza perceber que estamos do lado dos ricos e seguro, enquanto nós criamos um inferno para os pobres.


De alguma forma, essa loucura deve cessar. Temos de parar agora. Falo como um filho de Deus e irmão para o sofrimento dos pobres do Vietnã. Falo para aqueles cujas terras estão sendo devastadas, cujas casas estão sendo destruídas, cuja cultura está a ser subvertido. Falo para os pobres da América, que estão pagando o preço de duplo esmagou as esperanças em casa e da morte e da corrupção no Vietnã. Falo como um cidadão do mundo, para o mundo como está horrorizado com o rumo que tomaram. Falo como alguém que ama a América, para os líderes da nossa própria nação: A grande iniciativa nessa guerra é nosso, a iniciativa de parar deve ser nosso.


Esta é a mensagem dos grandes líderes budistas do Vietnã. Recentemente, um deles escreveu estas palavras, e passo a citar: "Cada dia a guerra continua, aumenta o ódio no coração dos vietnamitas e nos corações das pessoas de instinto humanitária. Os americanos estão forçando mesmo seus amigos para se tornar seus inimigos . É curioso que os americanos, que calcular de forma cuidadosa sobre as possibilidades de vitória militar, não percebem que, no processo, estão incorrendo em profundidade psicológica e derrota política. A imagem da América nunca mais será a imagem da revolução, da liberdade e democracia, mas a imagem da violência e do militarismo ", fim de citação.


Temos de continuar, não haverá nenhuma dúvida em minha mente e no espírito do mundo que não temos intenções honrosa no Vietnã. Se nós não pararmos a nossa guerra contra o povo do Vietname, de imediato, o mundo vai ficar com nenhuma outra alternativa do que ver isso como um jogo horrível, desajeitado e mortal, decidimos jogar.


O mundo agora exige uma maturidade da América que pode não ser capaz de conseguir. Ela exige que admitamos que temos errado desde o início da nossa aventura no Vietnã, que temos vindo a prejudicar a vida do povo vietnamita. A situação é aquela em que devemos estar prontos para girar bruscamente de nossas formas presentes.


A fim de expiar os nossos pecados e erros no Vietnã, devemos tomar a iniciativa de trazer um termo a esta guerra trágica e definir uma data que vai remover todas as tropas estrangeiras do Vietnã, em conformidade com o acordo de Genebra de 1954.


Parte da nossa parte, em curso do nosso compromisso contínuo poderia expressar-se em uma oferta de concessão de asilo a qualquer vietnamita que teme por sua vida no novo regime, que incluía a Frente de Libertação. Então nós temos que fazer o que pudermos para a reparação do dano que fizemos. Temos de prestar a ajuda médica que é extremamente necessário, tornando-o disponível neste país, se necessário.


Enquanto isso, nós, as igrejas e sinagogas têm uma tarefa contínua, enquanto que nós pedimos o nosso governo a libertar-se de um compromisso vergonhoso. Temos de continuar a elevar as nossas vozes e nossas vidas se a nossa nação persiste em suas formas perversas no Vietnã. Temos de estar preparados para corresponder as ações com as palavras, buscando cada método criativo de protesto possível.


Estes são os tempos de escolhas reais e não falsas. Estamos no momento em nossas vidas deve ser colocado na linha, se a nossa nação está a sobreviver à sua própria loucura. Todo homem de convicções humanas deve decidir sobre o protesto que melhor se adapte às suas convicções, mas todos temos de protestar.


Agora, há algo tentador sedutoramente sobre a parada de lá e enviando-nos tudo fora o que em alguns círculos, tornou-se uma cruzada popular contra a guerra no Vietnã. Eu digo que temos de entrar nessa luta, mas eu gostaria de ir agora para dizer algo ainda mais perturbador. A guerra no Vietnã, mas é um sintoma de uma doença muito mais profunda dentro do espírito americano, e se ignorar esta dura realidade e se ignorarmos essa dura realidade, vamos encontrar-nos organizar clero e leigos, interessados comissões para a próxima geração . Eles vão estar preocupados com a Guatemala e Peru. Eles vão estar preocupados com a Tailândia eo Camboja. Eles vão estar preocupados com Moçambique e África do Sul. Nós estaremos marchando para estas e uma dúzia de outros nomes e comícios ao sem fim, a menos que haja uma mudança significativa e profunda na vida americana e da política. Assim, tais pensamentos nos levar além do Vietnã, mas não para além de nossa vocação como filhos do Deus vivo.


Em 1957, um oficial sensível americanos no exterior, disse que lhe parecia que a nossa nação estava do lado errado de uma revolução mundial. Durante os últimos dez anos, vimos emergir um padrão de supressão, que já tem justificado a presença de militares E.U. "assessores" na Venezuela. Esta necessidade de manter a estabilidade social para as nossas contas de investimentos para a ação contra-revolucionária de forças americanas na Guatemala. Diz por que helicópteros norte-americanos estão a ser utilizados contra os guerrilheiros no Camboja e por napalm forças americanas e Boina Verde já foram ativas contra rebeldes no Peru. É com essa atividade em mente que as palavras do falecido John F. Kennedy volta para nos assombrar. Cinco anos atrás, ele disse: "Aqueles que tornam impossível a revolução pacífica tornarão a revolução violenta inevitável".


Cada vez mais, por opção ou por acidente, este é o papel da nossa nação assumiu o papel de quem faz revolução pacífica impossível por se recusar a entregar os privilégios e os prazeres que vêm os lucros imensa de investimentos no exterior.


Estou convencido de que, se quisermos chegar no lado direito da revolução mundial, nós, como uma nação deve passar por uma revolução radical de valores. Temos de começar rapidamente a mudança de uma coisa da sociedade orientada para uma sociedade orientada para pessoa. Quando máquinas e computadores, lucro e direitos de propriedade são considerados mais importantes do que as pessoas, os trigêmeos gigante de racismo, extremo materialismo eo militarismo são incapazes de serem conquistados.


Uma verdadeira revolução de valores logo nos levam a questionar a equidade ea justiça de muitas de nossas políticas passadas e presentes. Por um lado, somos chamados a desempenhar o Bom Samaritano na estrada da vida, mas que será apenas um ato inicial. Um dia temos de vir para ver que a estrada de Jericó todo deve ser transformado, de modo que os homens e as mulheres não serão constantemente espancada e assaltada enquanto fazem a sua viagem na estrada da vida. A verdadeira compaixão é mais do que arremessar uma moeda a um mendigo. Ele vem para ver que um edifício que produz pedintes necessidades de reestruturação.


Uma verdadeira revolução de valores logo com maus olhos o flagrante contraste entre pobreza e riqueza. Com justa indignação, ele vai olhar através dos mares e verá capitalistas do Ocidente investir enormes somas de dinheiro na Ásia, África e América do Sul, só para ter o lucro e sem nenhuma preocupação com a melhoria social dos países, e dizer: "Isso não é justo." Ele vai olhar para a nossa aliança com a aristocracia rural da América do Sul e dizer: "Isto não é justo." A arrogância ocidental do sentimento que ela tem tudo para ensinar aos outros e nada a aprender com eles não é apenas.


Uma verdadeira revolução de valores vai botar a mão sobre a ordem do mundo e dizer de guerra, "Esta maneira de resolver as diferenças não é justa." Este negócio de queimar seres humanos com napalm, de encher casas de nossa nação com órfãos e viúvas, de injetar drogas venenosas do ódio nas veias de pessoas normalmente humanas, do envio de homens da casa escura e sangrenta batalha com deficiência física e psicologicamente perturbado, não pode ser conciliado com sabedoria, justiça e amor. Uma nação que continua ano após ano, para gastar mais dinheiro na defesa militar do que em programas de ascensão social está se aproximando da morte espiritual.


América, a nação mais rica e poderosa do mundo, pode muito bem conduzir a forma como essa revolução de valores. Não há nada, exceto um desejo de morte trágica, para nos impedir de reordenar nossas prioridades, de modo que a busca da paz irá prevalecer sobre a busca da guerra.



REV. DR. MARTIN LUTHER KING, JR.: Estes são tempos revolucionários. Em todo o mundo os homens se levantam contra velhos sistemas de exploração e opressão, e fora do útero de um mundo frágil novos sistemas de justiça e igualdade estão nascendo. As pessoas sem camisa e descalço da terra se levantam como nunca antes. "O povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz." Nós, no Ocidente deve apoiar estas revoluções.


É um fato triste que, por comodismo, complacência, um medo mórbido do comunismo, e nossa tendência de ajustar-se a injustiça, as nações ocidentais, que iniciaram muito do espírito revolucionário do mundo moderno se tornaram os arqui-anti-revolucionários . Isto tem levado muitos a achar que só tem o espírito do marxismo revolucionário. Portanto, o comunismo é um julgamento contra a nossa incapacidade de tornar a democracia real e acompanhar, através de revoluções que iniciamos. Nossa única esperança hoje reside na nossa capacidade de recapturar o espírito revolucionário e sair em um mundo por vezes hostil, que declara hostilidade eterna a pobreza, o racismo eo militarismo. Com esse compromisso poderoso, nós corajosamente desafiar o status quo e os costumes injustos e, assim, acelerar o dia em que "todo vale será exaltado, e todas as montanhas e colinas baixas devem ser feitos, ea torta deve ser feita em linha reta e os lugares ásperos planície ".


Uma verdadeira revolução de valores significa, em última análise, que a nossa lealdade deve ser ecumênico, em vez de transversal. Cada nação deve agora desenvolver uma lealdade primordial para a humanidade como um todo a fim de preservar os melhores em suas sociedades individuais.


Este convite à apresentação de uma irmandade mundial de elevadores de vizinhos para além de uma tribo, raça, classe e nação é, na realidade, um convite à apresentação de um abrangente e amor incondicional para toda a humanidade. Esta tantas vezes incompreendido, tantas vezes mal interpretado este conceito, tão prontamente demitido pelo Nietzsches do mundo como uma força fraca e covarde, tornou-se uma necessidade absoluta para a sobrevivência do homem.


Quando falo de amor, eu não estou falando de alguma resposta sentimental e fraco, não estou falando da força que é apenas bosh emocional. Estou falando daquela força que todas as grandes religiões viram como o supremo princípio unificador da vida. O amor é de alguma forma a chave que abre a porta que leva à realidade suprema. Esta hindu-muçulmano-cristã-crença judaico-budista sobre a realidade última é maravilhosamente resumida na Primeira Epístola de São João: "Vamos amar uns aos outros, porque o amor é Deus e todos que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Se amarmos uns aos outros Deus habita em nós, e seu amor é aperfeiçoado em nós ".


Esperemos que este espírito se tornará a ordem do dia. Não podemos mais dar ao luxo de adorar o deus do ódio ou curvar-se diante do altar de retaliação. Os oceanos são feitos da história turbulenta pelo sempre crescente maré de ódio. A história está cheia de destroços das nações e dos indivíduos que prosseguir este caminho de auto-destrutivo do ódio. Como Arnold Toynbee diz: "O amor é a força última que faz a escolha salvadora de vida e boa escolha contra a condenação de morte eo mal. Portanto espero que o primeiro em nosso inventário deve ser a esperança de que o amor vai ter a última palavra, fim de citação ".


Estamos agora confrontados com a verdade, meus amigos, que amanhã é hoje. Estamos confrontados com a urgência do agora. Neste desenrolar da vida e da história, não existe tal coisa como sendo tarde demais. A procrastinação é o ladrão de tempo. A vida muitas vezes nos deixa nus e deprimido com uma oportunidade perdida. A maré nos assuntos dos homens "não permanecer na inundação, que enfraquece. Podemos gritar desesperadamente por uma pausa em sua passagem, mas o tempo é irredutível a qualquer fundamento e segue correndo. Ao longo dos ossos secos e desordenados resíduos de numerosas civilizações está escrita a expressão patética: Demasiado tarde. "Há um livro invisível da vida, que registra fielmente a nossa vigilância ou a nossa negligência. Omar Khayyam escreve: "O dedo em movimento escreve, e se move writ tendo em ..." Nós ainda temos uma escolha: coexistência não-violenta ou co-violenta aniquilação.


Temos de passar a indecisão do passado para a ação. Temos de encontrar novas maneiras de falar para a paz no Vietnã e na justiça em todo o mundo em desenvolvimento, num mundo que bordas em nossas portas. Se não agirmos, nós certamente será arrastado para baixo no escuro longo e vergonhosos corredores do tempo reservado para aqueles que possuem poder sem compaixão, talvez sem moral e força sem visão.


Agora, vamos começar. Agora, vamos dedicar-nos à luta longa e amarga, mas bonito para um novo mundo. Esta é a vocação dos filhos de Deus e nossos irmãos esperam ansiosamente pela nossa resposta. Digamos assim as chances são muito grandes? Devemos dizer a eles a luta é muito difícil? Será que a nossa mensagem é que as forças da vida americana militam contra a sua chegada como homens cheio, e nós enviamos os nossos mais profundos pesares? Ou haverá outra mensagem, de saudade, de esperança, de solidariedade com os seus anseios, de compromisso com a causa deles, a qualquer custo? A escolha é nossa, e embora possamos preferem o contrário, temos que escolher neste momento crucial da história humana.


Como esse bardo nobre de ontem, James Russell Lowell, eloqüentemente declarou:


Uma vez a cada homem e cada nação
Chega o momento de decidir,
Na luta de verdade e falsidade,
Para o lado do bem ou do mal;
Algumas grande causa, novo Messias de Deus,
Off'ring cada flor ou a ferrugem,
E a escolha passa sempre
Twixt que a escuridão e que a luz.


Embora a causa do mal prosperar,
No entanto, a "verdade tis só é forte;
Embora sua porção ser o andaime,
E sobre o trono estar errado:
Ainda que oscila andaime o futuro,
E por trás do desconhecido dim,
Deus permanece na sombra
Mantendo relógio acima da sua própria.


E se nós só vai fazer a escolha certa, seremos capazes de transformar esta elegia cósmica pendente em um salmo criativo de paz. Se vamos fazer a escolha certa, seremos capazes de transformar as discórdias estridentes de nosso mundo em uma bela sinfonia de fraternidade. Se nós quisermos realmente fazer a escolha certa, seremos capazes de apressar o dia, toda a América e em todo o mundo, quando vai rolar a justiça correr como a água, ea rectidão como uma poderosa corrente.



REV. DR. MARTIN LUTHER KING, JR.: E você sabe, se eu estivesse de pé no início da época, com a possibilidade de tomar uma espécie de geral e vista panorâmica de toda a história humana até agora, o Todo-Poderoso me disse, "Martin Luther King, que a idade gostaria de viver? "Eu levaria meu vôo mental pelo Egito, e gostaria de assistir os filhos de Deus na sua caminhada magnífica dos calabouços escuros do Egito por meio, ou melhor, através do Mar Vermelho, através do deserto em direção à terra prometida. E, apesar de sua magnificência, eu não iria parar lá.


Gostaria de passar pela Grécia e levar minha mente para o Monte Olimpo. E eu gostaria de ver Platão, Aristóteles, Sócrates, Eurípides e Aristófanes montados em torno do Partenon. E eu gostaria de vê-los em torno do Parthenon como eles discutiram as grandes questões e eterna da realidade. Mas eu não param por aí.


Gostaria de ir por diante, até o grande apogeu do Império Romano, e gostaria de ver a evolução em torno de lá, através de vários imperadores e líderes. Mas eu não param por aí.


Diria mesmo vir até o dia do renascimento e obter uma visão rápida de todos os que o Renascimento fez para a vida cultural e estética do homem. Mas eu não param por aí.


Eu iria até pela maneira que o homem por quem me tinha nomeado o seu habitat. E eu gostaria de ver o Martin Luther como ele afixou suas noventa e cinco teses na porta da igreja de Wittenberg. Mas eu não param por aí.


Eu viria até mesmo para 1863 e assistir a um presidente vacilante pelo nome de Abraham Lincoln, finalmente, chegado à conclusão de que ele tinha de assinar a Proclamação de Emancipação. Mas eu não param por aí.


Gostaria mesmo vir até o início dos anos 30 e ver um homem a braços com os problemas de falência de seu país e vêm com um grito eloquente que não temos nada a temer, mas o próprio medo. Mas eu não param por aí.


Estranhamente, eu ia virar para o Todo-Poderoso e dizer: "Se você me permite viver alguns anos na segunda metade do século XX, vou ser feliz."


Agora que é uma declaração estranha de fazer, porque o mundo está todo bagunçado. A nação está doente. O problema é que na terra; confusão toda a volta. Essa é uma afirmação estranha. Mas eu sei que, de alguma forma, que apenas quando está escuro o suficiente você pode ver as estrelas. E eu vejo Deus trabalhando neste período do século XX, de uma forma que os homens, de alguma forma estranha, estão respondendo.


Algo está acontecendo em nosso mundo. As massas de pessoas estão se levantando. E onde estão reunidos hoje, se eles são, em Joanesburgo, África do Sul; Nairobi, Quénia; Accra, Gana; cidade de Nova York, Atlanta, Geórgia; Jackson, Mississippi, ou Memphis, Tennessee, o choro é sempre a mesma: "Nós quero ser livre! "


E outra razão que eu estou feliz por viver neste período é que temos sido obrigados a um ponto onde nós estamos indo ter que lidar com os problemas que os homens têm tentado lidar com a história, mas as exigências não forçá-los a fazê-lo. Demandas de sobrevivência que nós lutamos com eles. Homens, há anos, têm falado sobre a guerra ea paz. Mas agora, já não podem apenas falar sobre isso. Já não é uma escolha entre a violência ea não-violência no mundo, é a não-violência ou não-existência. É onde estamos hoje.


E também na revolução dos direitos humanos, se algo não for feito, e feito à pressa, para trazer as pessoas de cor do mundo fora de seus longos anos de pobreza, os seus longos anos de sofrimento e abandono, o mundo inteiro está condenado . Agora, eu estou apenas feliz que Deus me permitiu viver neste período para ver o que está se desenrolando. E eu estou feliz que me permitiu estar em Memphis.


Eu lembro-me lembro quando os negros eram apenas por aí, como Ralph disse, tantas vezes coçando onde não coceira e rindo quando não eram cócegas. Mas esse dia está tudo acabado. Estamos falando sério agora, e estamos determinados a ganhar o nosso legítimo lugar no mundo de Deus.


E isso é tudo essa coisa toda está em causa. Nós não estamos envolvidos em qualquer protesto negativa e em nenhum argumento negativo com ninguém. Estamos dizendo que estamos determinados a ser homens. Estamos determinados a ser pessoas. Estamos dizendo, nós estamos dizendo que somos filhos de Deus. E se somos filhos de Deus, não temos de viver como nós somos forçados a viver.


Agora, o que faz de tudo isto significa nesse grande período da história? Significa que nós temos que ficar juntos. Temos que ficar juntos e manter a unidade. Você sabe, sempre que o faraó queria prolongar o período de escravidão no Egito, ele tinha uma fórmula, favorito favorito para fazê-lo. O que foi? Ele manteve os escravos lutando entre si. Mas sempre que os escravos se reúnem, algo acontece na corte de Faraó, e ele não pode prender os escravos da escravidão. Quando os escravos se reúnem, que é o começo de sair da escravidão.



REV. DR. MARTIN LUTHER KING, JR.: Nós não vamos deixar que qualquer mace nos parar. Somos mestres em nosso movimento não-violento em desarmar as forças policiais, pois eles não sabem o que fazer. Eu os vi tantas vezes. Lembro-me, em Birmingham, Alabama, quando nós estávamos nessa luta há majestoso, iríamos sair da 16th Street Baptist Church dia após dia, pelas centenas iríamos sair. Bull Connor e dizer-lhes para mandar os cães para trás, e eles vieram. Mas nós fomos apenas até o canto cães, "Não vou deixar ninguém me vire".


Bull Connor próxima diria, "as mangueiras de incêndio Turn on." E como eu disse a vocês na outra noite, Bull Connor não sabia da história. Ele sabia que um tipo de física que de alguma forma não se relacionam com o transphysics que conhecia. E esse foi o fato de que houve um certo tipo de fogo que a água não podia colocar para fora. E fomos até as mangueiras de incêndio; soubéssemos água. Se fôssemos Batista ou algumas outras denominações, que tinha sido imersos. Se fôssemos Metodista e alguns outros, que havia sido aspergido, mas sabíamos da água. Isso não pode nos parar.


E nós só passou antes de os cães, e gostaríamos de vê-los, e nós íamos até as mangueiras de água, e gostaríamos de vê-lo. E nós só ir no canto, "Over My Head I see a liberdade no ar." E, então, seria lançada nos camburões, e às vezes nós estávamos lá empilhados como sardinhas em lata. E eles jogam conosco, e antigos Bull diria, "Take 'em off," e eles fizeram. E nós só ir no canto camburão, "We Shall Overcome". E cada agora e então teríamos de prisão, e veríamos os carcereiros olhando pelas janelas sendo movido por nossas preces e sendo movido por nossas palavras e nossas músicas. E havia ali um poder que Bull Connor não poderia ajustar-se, e assim acabamos transformando Bull em um boi, e nós ganhamos a nossa luta em Birmingham.


Agora, deixe-me dizer, como eu passar a minha conclusão, que temos que nos dar a esta luta até ao fim. Nada seria mais trágico do que parar neste ponto, em Memphis. Temos de vê-lo passar. E quando temos a nossa marcha, você precisa estar lá. Se isso significa deixar o trabalho, se isso significa deixar a escola, estar lá. Estar preocupado com seu irmão. Você pode não estar em greve. Mas de qualquer subimos juntos, ou descemos juntos.


Vamos desenvolver um tipo perigoso de altruísmo. Um dia um homem veio a Jesus, e ele queria levantar algumas questões sobre algumas questões vitais da vida. Nos pontos que ele queria enganar Jesus e mostrar-lhe que ele sabia um pouco mais do que Jesus conhecia e jogá-lo fora da base. Agora, essa questão poderia ter facilmente acabou em um debate filosófico e teológico. Mas Jesus imediatamente puxou essa questão do meio-ar e colocou-o na curva perigosa entre Jerusalém e Jericó. E ele falou sobre um certo homem, que caiu entre os ladrões. Você se lembra que um levita e um sacerdote passou de lado. Eles não pararam para ajudá-lo. E, finalmente, um homem de outra raça passou por lá. Ele desceu de seu animal, decidiu não ser compassivo por procuração. Mas ele desceu com ele, administrados os primeiros socorros e ajudaram o homem precisa. Jesus terminou, dizendo: este era o homem bom, esse foi o grande homem, porque ele tinha a capacidade para projectar o "eu" no "tu" e de se preocupar com seu irmão.


Agora, você sabe que nós usamos nossa imaginação muito para tentar determinar por que o sacerdote eo levita não pararam. Às vezes, nós dizemos que eles estavam ocupados indo a uma reunião da igreja, uma reunião eclesiástica, e eles tiveram que cair no a Jerusalém para que não se atrasar para o encontro. Em outras ocasiões, nós especulamos que havia uma lei religiosa que "Aquele que estava envolvido em cerimônias religiosas era para não tocar um corpo humano, vinte e quatro horas antes da cerimônia." E cada agora e então começamos a perguntar se talvez eles foram não ir para baixo ou para baixo Jerusalém a Jericó, antes, para organizar uma Jericho Road Improvement Association. Essa é uma possibilidade. Talvez eles sentiam que era melhor para lidar com o problema desde a raiz causal, ao invés de se atolar com um efeito individual.


Mas eu vou lhe dizer o que minha imaginação me diz. É possível que esses homens estavam com medo. Você vê, a estrada de Jericó é uma estrada perigosa. Lembro-me de quando a Sra. King and I foram pela primeira vez, em Jerusalém. Alugamos um carro e de Jerusalém para Jericó. E logo que chegamos na estrada, eu disse à minha mulher: "Eu posso ver porque Jesus usou este como o cenário para seu discurso." É uma estrada sinuosa, sinuosos. É muito propício para a emboscada. Você começa em Jerusalém, que é de cerca de 1.200 milhas, ou melhor, 1.200 metros acima do nível do mar. E pelo tempo que você começar a Jericó, quinze ou vinte minutos mais tarde, você está a 2.200 metros abaixo do nível do mar. Isso é um caminho perigoso. Nos dias de Jesus que veio a ser conhecido como o "Bloody Pass." E você sabe, é possível que o sacerdote eo levita, olhou para o homem no chão e perguntou se os ladrões ainda estavam ao redor. Ou é possível que eles sentiram que o homem no chão estava apenas fingindo, e ele estava agindo como ele havia sido roubado e ferido, a fim de apreendê-las ali, atraí-los lá para apreensão rápida e fácil. E assim, a primeira pergunta que o padre perguntou, a primeira pergunta que o levita perguntou foi: "Se eu parar para ajudar este homem, o que vai acontecer comigo?" Mas então o bom samaritano veio perto. E ele inverteu a pergunta: "Se eu não parar para ajudar este homem, o que vai acontecer com ele?


Essa é a pergunta antes de você hoje à noite, não, "Se eu parar para ajudar os trabalhadores do saneamento, o que vai acontecer com o meu emprego?", Não "Se eu parar para ajudar os trabalhadores do saneamento, o que vai acontecer a todas as horas que eu costumo passar no meu escritório a cada dia ea cada semana, como um pastor? "A questão não é:" Se eu parar para ajudar este homem em necessidade, o que vai acontecer comigo? "A pergunta é:" Se eu não parar de ajudar os trabalhadores do saneamento, o que vai acontecer com eles? "Essa é a pergunta.


Você sabe, há vários anos atrás, eu estava em Nova York autografar o primeiro livro que eu tinha escrito. E enquanto está sentado lá autografando livros, uma mulher negra veio até demente. A única pergunta que eu ouvi dela foi: "Você é Martin Luther King?" E eu estava olhando para baixo, por escrito, e eu disse, "Sim". E no minuto seguinte, eu senti algo batendo no meu peito. Antes que eu sabia, eu tinha sido esfaqueado por esta mulher demente. Eu estava apressado para Harlem Hospital. Era um sábado à tarde escura. E que havia passado por lâmina, e os raios-X revelou que a ponta da lâmina estava à beira da minha aorta, a artéria principal. E uma vez que é perfurada, o afogado em seu próprio sangue, que é o fim de você.


Ele saiu no New York Times Na manhã seguinte, que se eu tivesse apenas espirrou, eu teria morrido. Bem, cerca de quatro dias depois, eles me permitiu, após a operação, depois de meu peito havia sido aberto ea lâmina tinha sido retirado, para se deslocar em cadeira de rodas no hospital. Eles me permitiram ler alguns dos e-mail que entrou, e de todo os estados e do mundo, cartas tipo entrou Eu li alguns, mas um deles eu nunca esquecerei. Eu tinha recebido um do Presidente e do Vice-Presidente. Eu esqueci o que esses telegramas, disse. Eu recebi uma visita e uma carta do governador de Nova York, mas eu esqueci o que essa carta. Mas havia uma outra carta que veio de uma menina, uma jovem que era um estudante na White Plains High School. E eu olhei para essa carta, e eu nunca vou esquecer. Ele disse simplesmente: "Caro Dr. King, eu sou um estudante da nona série, no White Plains High School." E ela disse: "Embora não deve importar, gostaria de mencionar que sou uma garota branca. Leio no papel de seu infortúnio e de seu sofrimento. E eu li que se você tivesse espirrou, você teria morrido. E eu estou te escrevendo simplesmente para dizer que eu estou tão feliz que você não espirrar. "


E eu quero dizer hoje à noite, eu quero dizer nesta noite que eu também estou feliz que eu não espirrar, porque se eu tivesse espirrou, eu não teria sido por aqui em 1960, quando estudantes de todo o Sul começou a sessão em nos balcões do almoço. E eu sabia que, como eles estavam sentados, eles estavam realmente em pé para os melhores do sonho americano, e tendo toda a nação de volta aos grandes poços de democracia que foram cavadas pelos pais fundadores da Declaração de Independência ea Constituição .


Se eu tivesse espirro, eu não teria sido por aqui em 1961, quando decidimos fazer um passeio pela liberdade e acabou com a segregação nas viagens inter-estaduais.


Se eu tivesse espirro, eu não teria sido por aqui em 1962, quando os negros em Albany, Geórgia decidiu endireitar as costas para cima. E sempre que homens e mulheres endireitar as costas, eles estão indo para algum lugar, porque um homem não pode montar a sua volta a menos que seja dobrado.


Se eu tivesse espirrou, espirrou se eu tivesse, eu não estaria aqui em 1963, quando os negros de Birmingham, Alabama despertou a consciência da nação e ser levados para o Civil Rights Bill.


Se eu tivesse espirro, eu não teria tido uma chance no final daquele ano, em agosto, para tentar dizer a América sobre um sonho que eu tinha.


Se eu tivesse espirro, eu não teria sido baixo em Selma, Alabama para ver o grande movimento lá.


Se eu tivesse espirro, eu não teria sido em Memphis para ver uma manifestação da comunidade em torno dos irmãos e irmãs que sofrem.


Estou tão feliz que eu não espirro.


E eles estavam me dizendo que, agora, isso não importa agora. Realmente não importa o que acontece agora. Deixei de Atlanta nesta manhã, e à medida que começou no avião, havia seis de nós. O piloto disse sobre o sistema de comunicação, "Pedimos desculpa pelo atraso, mas temos o Dr. Martin Luther King no avião. E para ter certeza de que todos os sacos foram verificados e ter a certeza de que nada seria errado no avião, tínhamos que verificar tudo com cuidado, e nós tivemos o avião protegida e guardada a noite toda. "


E então eu fui em Memphis. E alguns começaram a dizer que as ameaças ou falar sobre as ameaças que estavam fora. O que iria acontecer-me de alguns de nossos irmãos brancos doente? Bem, eu não sei o que vai acontecer agora. Temos alguns dias difíceis pela frente. Mas realmente não importa para mim agora, porque eu estive no topo da montanha. E eu não me importo.


Como qualquer um, eu gostaria de viver uma longa vida. A longevidade tem seu lugar. Mas não estou preocupado com isso agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus. E Ele me permitiu subir a montanha. E eu olhei. E eu vi a terra prometida. Posso não chegar lá com você. Mas eu quero que você saiba esta noite que nós, como povo, chegaremos à terra prometida! E assim eu estou feliz esta noite. Eu não estou preocupado com nada. Não temo nenhum homem! Os meus olhos viram a glória da vinda do Senhor!