BRASIL PRA FRENTE

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

BASES MILITARES NA COLÔMBIA AUMENTOU A PRODUÇÃO DE DROGAS

Caracas, 29 de dezembro ABN .- A instalação de sete novas bases E.U. militar em solo colombiano vai levar a um aumento significativo nos níveis de produção de drogas no país sul-americano. No Afeganistão, estes níveis aumentaram progressivamente de ocupação militar para estabelecer os Estados Unidos nesta nação da Ásia Central, no ano de 2002 e ainda continua.


Isto foi afirmado pelo diretor do Nacional da Venezuela Antidrogas Office (ONA), coronel (GNB) Néstor Reverol, que também lembrou que a produção de papoula no Afeganistão até 2001, foram 7 mil 600 hectares, enquanto que actualmente após sete anos de ocupação militar E.U., o número aumentou mais de 20 vezes, atingiu níveis de aproximadamente 157 mil hectares.


Também aconteceu com a produção de ópio atingiu 185 toneladas em 2001 para 7 mil 748 toneladas, no momento, além de ser o produtor do Afeganistão, 93% da heroína consumida no mundo.


Estes números foram extraídos de relatórios da Organização das Nações Unidas contra a Droga eo Crime (UNODC), que adverte que o domínio continuou E.U. sobre a nação asiática no ano que vem, esses níveis poderiam triplicar produção .


Nesse sentido, Reverol observou que, sem dúvida, a ocupação E.U. militar na Colômbia mostra uma grande ameaça não só contra o povo colombiano, mas também contra a Venezuela e na América Latina


"É hora de comparar e analisar o que aconteceu no Afeganistão desde E.U. instalações militares e que pode acontecer na Colômbia, com a instalação de sete bases militares", disse ele

TRAFICANTE DE DROGAS CONDENADO NA CHINA, GRANDE INSATISFAÇÃO DA CHINA COM RELAÇÃO A INGLATERRA

Pequim Xinhua 29 de dezembro (Xinhua Yalin Hao, Wang Huihui) 29,


 porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu, disse que a China está no lado britânico do tráfico britânico condenado à morte na China em matéria de acusações infundadas manifestou grande insatisfação e oposição resoluta e instamos o Reino Unido lado respeite a soberania judicial da China e de imediato corrigir seus erros, para evitar danos às relações bilaterais.


Na parte da tarde em uma entrevista coletiva, um repórter perguntou ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez uma declaração sobre a Ak britânicos foram executados Mao expressou "choque" e "decepcionado", que é o seu comentário. Ake cabelo por tráfico de drogas em Urumqi, Xinjiang, 29, foi executado.



Jiang disse que o cidadão britânico tráfico de drogas Ake em China, Mao foi condenado à morte, foi um caso isolado penal. A China é um país governado pela lei, o Judiciário estritamente de acordo com a lei, a independência judicial da China não deveria ser a intervenção estrangeira, ninguém tem o direito de fazer declarações irresponsáveis sobre a soberania judicial da China. Processo neste caso, o ápice dos direitos de Mao contencioso e direitos foram devidamente protegidos.



Ela também disse que a droga crimes conexos é reconhecida mundialmente como um crime grave, danos sociais é extremamente grave, os países gravemente reprimiu a luta contra a criminalidade da droga é a aspiração comum de pessoas ao redor do mundo
http://news.xinhuanet.com

BALANÇO DO PAC: PROGRAMA JÁ INVESTIU METADE DOS RECURSOS E AJUDOU O PAÍS A ENFRENTAR CRISE

Com mais de 50% do investimento em obras previsto até o final de 2010 já realizado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vem cumprindo seus objetivos e teve papel importante na capacidade de recuperação do Brasil diante da crise econômica.


Segundo dados apresentados hoje pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, durante o oitavo balanço do programa, de janeiro de 2007 a agosto de 2009 os investimentos chegaram a R$ 338,4 bilhões -- R$ 98,5 bilhões apenas este ano.


“Nós estamos numa situação 500% melhor do que estávamos quando começamos o PAC”, afirmou a ministra Dilma, após a sua exposição em que mostrou a situação atual das obras em diversos setores, como rodovias, portos, habitação e saneamento. Dilma elogiou a qualidade dos projetos apresentados e executados pelo PAC atualmente.


O ministro Guido Mantega reafirmou a importância do PAC para manter um patamar de crescimento mais elevado no País. Segundo Mantega, os resultados do programa apresentados hoje mostram que o Brasil manteve sua capacidade de investimento mesmo durante o período da crise, sem perder de vista o equilíbrio das contas públicas e os fundamentos da economia.



“Temos cumprido os objetivos, apesar da crise econômica mundial que acometeu todos os países”, afirmou Mantega, que apresentou dados indicando que a economia brasileira deverá crescer 1% este ano e até 5% em 2010.



Segundo os dados do oitavo balanço do PAC, 32,9% dos projetos já foram concluídos, com investimentos de R$ 208,9 bilhões. A maior parte desses recursos foram para projetos da área Social e Urbano (R$ 116,7 bilhões), com destaque para o financiamento habitacional para pessoa física e o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo -- SBPE (R$ 113,8 bilhões). Projetos ligados a recursos hídricos ficaram com R$ 272,3 milhões.



O programa Luz para Todos ficou com R$ 2,5 bilhões e concluiu assim metade das ligações elétricas previstas na nova meta do programa, de 510.197 novas ligações elétricas até o final de 2009. A meta anterior, de 2 milhões de ligações para 2009, já foi atingida.




A ministra Dilma fez questão de destacar que 82% das obras de habitação e 78% das de saneamento já foram iniciadas em regiões metropolitanas e cidades com mais de 150 mil habitantes.


No setor de Energia, já foram concluídas obras no valor de R$ 54,5 bilhões, com destaque para os investimentos feitos em campos de petróleo e gás natural (R$ 18 bilhões). A geração de energia (4.474 megawatts) ficou com R$ 9,5 bilhões.



Na área de Logística (rodovias, ferrovias, marinha mercante, portos, hidrovias e aeroportos) teve R$ 37,5 bilhões em projetos já concluídos, com destaque para rodovias (R$ 26,1 bilhões). Outros 4.370 quilômetros de rodovias estão em obras no momento.


Participaram também do evento, realizado no Palácio Itamaraty, os ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Jorge Hage (CGU), Márcio Fortes (Cidades), Juca Ferreira (Cultura) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), além dos secretários-executivos dos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, Orçamento e Gestão, que representavam seus respectivos ministros, Edison Lobão e Paulo Bernardo, e a presidenta da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

GABRIELLI: PSDB(TUCANOS) TERIAM "VENDIDO" A PETROBRÁS

O Estado de S.Paulo de sexta-feira (25/12) publicou uma entrevista com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo , que, como lembra o jornal, “em seus quase quatro anos à frente da Petrobras, anunciou a conquista da autossuficiência brasileira em petróleo (2006); a descoberta do pré-sal (2007-2008); e a consequente listagem da Petrobras entre as maiores companhias de energia do mundo”.



Ao fazer um balanço da companhia nos últimos sete anos, Gabrielli comemora: “A Petrobras valia cerca de US$ 14 bilhões em 2003 e hoje vale cerca de US$ 210 bilhões. Hoje, temos um portfólio exploratório em crescimento no Brasil. A Petrobras tem hoje 46% da sua força de trabalho com menos de nove anos de casa e 53% com mais de 19 anos. Houve uma renovação da força de trabalho dentro da empresa. A Petrobras fortaleceu a sua estrutura corporativa. Entrou fortemente na área de biocombustíveis. Montou e consolidou a estrutura de gás natural no País. Em 2002 investia US$ 200 milhões por ano em refino. Hoje esse valor é mensal. Ampliou o market-share na BR (distribuidora). Comprou a Liquigás. É hoje a sexta maior empresa de energia do mundo e a segunda maior em petróleo. Resumindo: um sucesso!”.
Leia a seguir a transcrição da entrevista concedida a O Estado de S.Paulo:
Entrevistador: Podemos começar? Presidente ou professor? Como você prefere ser chamado?
Gabrielli: Presidente.

Entrevistador: A Foreign Policy, que é uma revista americana, traz uma matéria sobre a Petrobras e o pré-sal. Ela questiona o projeto do pré-sal e o marco regulatório. Eles dizem: “Se o Serra ganhar ele vai tentar reverter isso. Se a Dilma ganhar, as empresas petrolíferas internacionais vão ter que entrar na justiça constitucional”. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Gabrielli: A Foreign Policy, como várias instituições americanas, é um organismo que tem ideologia, pensamento e princípios gerais que eles defendem fortemente e que eles tem como influenciar a opinião pública na defesa de suas concepções. Então, normalmente uma crítica a qualquer presença do Estado, vinda da Foreign Policy, é absolutamente normal. Difícil seria o contrário. Esta postura está absolutamente coerente com a ideologia da revista, que é profundamente liberal, profundamente contra qualquer intervenção do Estado e favorável à resolução de tudo pelo mercado. Isso faz parte do conjunto de idéias que constituem uma determinada percepção do mundo. Acredito que o que governo está propondo aumenta claramente o papel do Estado e acho que isso é necessário e importante porque essa é, e sempre foi, a tendência mundial na área petrolífera. O petróleo é um produto absolutamente vital para a vida moderna.


Entrevistador: Há exceções.



Gabrielli: Claro. O petróleo é tão importante que ele é hoje componente de todos os produtos existentes ou os transporta, ou seja, ou usa-se petróleo no produto ou usa-se petróleo para transportá-lo. Ele é vital. Não há comida, roupa, casa, transporte, mobilidade. Não há condição na vida moderna que não envolva petróleo. Portanto, é um produto estratégico, e como tal, tem componentes geopolíticos permanentes e crescentes nos momentos em que ele está em crise. Isso não é um fenômeno novo: tem os 200 anos de vida do petróleo. E isso significa, portanto, que os Estados não podem se ausentar da indústria do petróleo. O Estado americano não está ausente da indústria do petróleo. Pode não estar diretamente produzindo, mas condiciona fortemente via estoque regulador, símbolos e orientações para as empresas, regulação e impostos. No caso brasileiro, parece-me que a nova regulação que o governo apresentou ao Congresso reflete uma realidade que é bastante distinta da antiga regulação. Eu explicitaria pelo menos três distinções importantes. Primeira distinção: o acesso a capitais. No final da década de 1990, nós tínhamos um problema de acesso a capitais que hoje não temos no Brasil. Segundo: acesso à tecnologia. Hoje a Petrobras é, disparado, a empresa que tem mais capacidade de mobilização de tecnologias, mais conhecimento geral de exploração e produção em águas profundas e porque opera 22% da produção em águas profundas no mundo.
Entrevistador: Mas isso não vem em processo?

Gabrielli: Sim. É isso. Primeiro temos um processo de melhoria das condições macroeconômicas; segundo temos controle da tecnologia e terceiro, o risco exploratório da área é muito baixo. Dos 47 poços perfurados na área, 41 tinham petróleo e dos 13 poços perfurados para encontrar petróleo no pré-sal, 13 encontraram petróleo. Portanto, o risco exploratório é muito baixo. Hoje, temos essa situação bastante distinta porque a lei que anteriormente era voltada para ajudar e permitir que as empresas capturassem todos os ganhos da atividade de petróleo, é uma lei inadequada à situação atual. Porque hoje, a lei que está sendo proposta é uma lei de partilha dos ganhos com o governo. Além do mais, com o crescimento da indústria do petróleo, os impactos do conjunto das atividades econômicas são muito grandes. Esses impactos podem levar à inibição de outras atividades econômicas e à apreciação acelerada do real. O governo tem mecanismos hoje para inibir as duas coisas. No crescimento das atividades econômicas, via uma política de controle nacional que será implementada pelo operador único, que é a Petrobras; e via o fundo social que capturará as receitas em dólar e minimizará a pressão de apreciação do real. Portanto, eu acho que o quadro proposto pelo governo, em discussão no Congresso Nacional, reflete a nova realidade da indústria de petróleo no mundo e no Brasil.
Entrevistador: Perfeito. Como avisei, gostaria de fazer uma entrevista que não falasse tanto de tecnicidade. Partindo desse princípio, o senhor acredita que a lei tem de ser modificada? O marco regulatório está aí, é óbvio que tivemos o pré-sal no meio do caminho, o que implica uma regulação diferente. Mas o senhor acredita que se o presidente Lula não tivesse sido eleito em 2002 e reeleito em 2006, a Petrobras teria chegado ao pré-sal no momento em que chegou?

Gabrielli: Essa pergunta é difícil de responder dessa forma. Eu diria o seguinte: até 2003, a Petrobras estava sendo preparada para ter um conjunto de atividades muito eficiente em cada um dos ramos e com pouco ganho no sistema como um todo e estava sendo inibida no crescimento do seu portfólio de exploração, que estava declinando. A partir de 2003, os investimentos aumentam, a Petrobras tem uma participação mais ativa nos leilões, redefine sua organização interna de forma a ter um fortalecimento das atividades corporativas no conjunto da companhia, acelera a renovação de seus quadros e intensifica os seus investimentos. Isso foi, claramente, uma mudança de orientação política na Petrobras. Se seria possível atingir sucesso com a política anterior, é difícil dizer. Agora, que o sucesso atual depende das mudanças feitas, isso é certo. Evidentemente que há muita sorte em encontrar petróleo. Mas sorte não é suficiente. Você não perfura um poço a 300 km de distância da costa e a milhares de metros de profundidade só confiando que Deus é brasileiro. É necessário investimento e análise técnica.
Entrevistador: A Petrobras vinha seguindo um caminho até 2002. Se, por acaso, o resultado da eleição tivesse sido outro, qual teria sido o futuro da Petrobras na opinião do senhor?



Gabrielli: É muito difícil fazer esse tipo de especulação. O que posso dizer é que a Petrobras estava a caminho de se transformar em uma empresa muito eficiente em cada uma das coisas que fazia e que perderia a capacidade de integração e os benefícios da integração entre as diversas áreas da companhia. Teria, provavelmente, investimento e crescimento menores do que teve. Teria menos preocupação com o controle nacional, portanto teria menos impacto no estímulo da indústria brasileira. Teria focado suas atividades em setores diferentes do que os que foram focados. E o resultado disso é difícil especular qual seria. Tenho quase certeza de que seria uma empresa diferente da que é hoje.
Entrevistador: Ela poderia ter sido privatizada, por exemplo?
Gabrielli: Como um todo, acho difícil. Mas partes dela poderiam ter sido privatizadas. Seria difícil uma privatização global da Petrobras, mas partes dela, sim.

Entrevistador: Existe uma preocupação que numa eventual mudança de governo, ocorrer uma mudança razoavelmente brusca nos planos da Petrobras.
Gabrielli: É impossível para uma empresa de petróleo funcionar com uma visão de quatro anos. O plano estratégico da Petrobras é diferente, nós estamos trabalhando até 2020, com um plano com horizonte de 30. Então, não se pode pensar de governo a governo.
Entrevistador: É um caminho sem volta, então.

Gabrielli: O plano estratégico, a forma de organização, a prioridade e os ajustes que vão se adequar ao governo. Não tenho dúvida. Só para dar um exemplo. A grande parte do crescimento da Petrobras nos últimos 10 anos, de 1998 para 2009 – 11 anos, a maior parte do crescimento com mais 90% da produção vem dos campos do Roncador, de Marlim etc. Esses campos foram descobertos na época do monopólio. Porque a indústria de petróleo entre a descoberta e até a exploração leva sete a oito anos. Quando se olha hoje de 2009 a 2015, o pré-sal terá muito pouco impacto no crescimento. O pré-sal terá um grande impacto no crescimento a partir de 2017 ou 2019. O pré-sal é atualmente concedido. O pré-sal não concedido vai levar sete a oito anos depois da descoberta. Pode-se dizer que sete a oito anos é muita coisa, mas não é. Na indústria de petróleo sete anos podem ser fatais. Veja o exemplo do México. O México hoje tem declínio da produção vindo da própria da atividade normal e, para recuperar isso, ele precisa ter uma visão de sete a oito anos na frente. Incorporam-se novas reservas, descobre novos campos, incorpora os novos campos à produção ou faz com que os campos atuais produzam mais. Todas as coisas precisam de tempo. Uma plataforma leva dois anos e meio para ficar pronta, no mínimo. Em campo após ser descoberto, leva até oito anos para que então possa produzir. Numa indústria de petróleo nada é de curto prazo.
Entrevistador: O impacto do pré-sal em curto prazo e médio prazo é uma questão de investimento.

Gabrielli: É mais do que isso. A previsão nossa – da Petrobras, é que nós vamos investir até 2013, no que está concedido, em torno de 29 bilhões de dólares. Esse investimento vai gerar uma produção no pré-sal até 2013 de 220 mil barris, que é menos de 10% de nossa produção. Porém, até 2020, o nosso investimento vai para 111 bilhões de dólares na área já licitada. Nós vamos dobrar a produção brasileira em 11 anos. O que levamos 53 anos para fazer, nós vamos fazer em 11 anos. Isso é um grande impacto. A produção atual declina de 10% a 7%, vamos recompensar essa queda e acrescentar a produção até 2020.
Entrevistador: Embora a produção até 2013 seja pequena, há o investimento em navios, plataforma. Então, o pré-sal está atraindo mais esse investimento.
Gabrielli: Dentro desse plano do pré-sal concedido mais as atividades. Lembre-se do seguinte: A Petrobras produz mais de 2 milhões de barris hoje, 3,9 milhões de barris em 2020. 2 milhões exige para cada plataforma em torno de cinco navios de apoio. Nós transportamos hoje em torno de 60 mil pessoas por helicóptero por mês. Não é do pré-sal, é na produção atual, que vai continuar. Nós precisamos de 146 barcos de apoio. Todo nosso plano de renovação de frota, de sondas, navios. Precisamos de um monte de coisas, vamos fazer cinco refinarias. Tudo isso com o pré-sal concedido mais o não pré-sal. Com o pré-sal não concedido é uma incógnita. É em cima disso.
Entrevistador: Seria possível manter esse plano para o pré-sal já concedido sem a capitalização?


Gabrielli: A capitalização é muito importante para fortalecer a Petrobras. A Petrobras tem um plano de investimento de US$ 174 bilhões, que hoje será mais. O quanto não sei ainda. Mas, com certeza, é mais que esse valor. A geração de caixa não é capaz de gerar caixas livres suficientes para fazer esse investimento. Este ano de 2009, levantamos $ 31 bilhões de dólares em dívida nova. Não precisa fazer isso todo ano, principalmente se existe uma estrutura de capital em que a sua razão dívida/capital próprio aumenta. Aumentando, tem-se de diminuir a dívida. Como nós vamos ter de continuar a investir, a geração de caixa vai aumentar em um horizonte distinto. Trabalha-se com preços conservadores. Ninguém vai fazer um plano de investimento em que o preço será extraordinário. Faz-se um plano conservador.
Entrevistador: Por que não esperar 12 meses para a capitalização, sendo que US$ 174 bilhões poderiam garantir os próximos anos de prazo?
Gabrielli: Por duas razões simples: o barco não para, as coisas andam e continuam andando. Não pode parar. Isso significa, portanto, que os investimentos estão continuando. Tem-se de captar mais recursos a condições melhores. Ela podendo ter uma estrutura de capital mais otimizada do que uma situação em que ela fique muito dependente num custo de dívida maior. Do ponto de vista puramente financeiro, tem lógica aumentar o capital. O problema da reavaliação do valor da cessão onerosa, da forma que está estruturado, essa reavaliação poderá num determinado período fixado previamente, perfeitamente, especificado no início da operação. Ela será feita separadamente da operação de capitalização, com duas operações paralelas. Ela dá suporte em termos relacionados ao tamanho, mas não há nenhuma relação entre uma coisa e outra. A cessão onerosa é uma operação comercial.

Entrevistador: Ela vai definir o valor da capitalização.
Gabrielli: Não, ela não determina. Ela sinaliza o tamanho, mas não determina. O tamanho vai depender exatamente da avaliação que a Petrobras fará das condições de mercado e capitalizar o mercado. Evidentemente que a preocupação que o mercado tem é com a capacidade do mercado, profundidade do mercado.
Entrevistador: O senhor rejeita a avaliação de que é uma tentativa clara de aumentar a participação da União na Petrobras.


Gabrielli: Não é o objetivo, mas pode acontecer. Se o mercado subscrever, não ocorrerá. Eu acho que é uma visão um pouco ideológica. Se recorrer à União por questões de recursos, qual é o problema? Por que é do governo? Isso é uma questão de ideologia. A operação que está sendo proposta dá todos os direitos a todos aos acionistas, eles têm todo o direito como qualquer operação normal. Nenhum direito está sendo subtraído.
Entrevistador: E sobre o FGTS?
Gabrielli: O FGTS é uma situação diferente, pois é uma moeda que o governo permitiu que lá no passado fossem os trabalhadores que usassem essa moeda que pertence ao Fundo para a garantia do futuro. Se o governo renova essa autorização para os mesmos que optaram naquela época, ele estará aprofundando a diferença entre estes que fizeram a opção naquele momento e dos outros que não fizeram. Isso usando o mesmo recurso. O FGTS terá o mesmo direito que todos os outros acionistas terão que é subscrever em dinheiro ou em título. O nosso longo Fato Relevante diz exatamente isso. Nós vamos fazer uma comissão com o Conselho de Administração. Vamos fazer com que os acionistas usem não quaisquer títulos, mas títulos de mercado. Quando se tem uma empresa que cresce, no bolo você relativamente diminui, tem-se uma proporção menor de algo maior. Acaba-se ganhando também.
Entrevistador: Vocês já têm o valor?
Gabrielli: Não temos, temos de saber onde vai produzir. A perfuração está começando na Bacia de Santos. Estando em estado final de contratação. Eu não sei se a perfuração fisicamente já começou, mas já está definido. Depende do local da perfuração, do resultado da mesma, da projeção de produção que virá dessa produção, dos custos estimados, da avaliação. Não é possível dizer qualquer número. Fora do pré-sal concedido não tem como se estimar nenhum valor, não tem como, é uma área desconhecida. Não tem perfuração nenhuma fora do pré-sal, só tem furo em áreas concedidas. O trabalho vai ocorrer somente nas áreas de cessão onerosa.
Entrevistador: Vai possibilitar que vocês façam a capitalização.

Gabrielli: Nós vamos localizar a área. Hoje as nossas reservas são de 14 bilhões. Os recursos verificados como potenciais de produção são de 10 a 16 bilhões em Tupi, Iara, Guará e Parque das Baleias. Agora, Carioca, Bem-te-vi, Azulão etc. ainda não se sabe qual é o volume. Sobre área que não é concedida ninguém sabe nada.
Entrevistador: A Petrobras tem valor de mercado de US$ 210 bilhões, ou seja, ela é maior do que muitos países da América do Sul. Ela seria um dos maiores PIBs da América do Sul. Quais são os planos da Petrobras para os investimentos internacionais, principalmente para os países vizinhos?
Gabrielli: No plano de investimentos para Área Internacional, nós temos 16 bilhões para a nossa atividade internacional. A maior parte do nosso investimento vai para os EUA. Nós temos nos EUA 260 blocos exploratórios, no golfo do México, na refinaria, a maior parte vai para os EUA. A nossa maior produção adicional internacional vem da Nigéria. Nosso investimento na América do Sul é de integração de nosso portfólio, estamos crescendo na distribuição, como Paraguai, Chile, Colômbia. Estamos concentrando nosso investimento na Argentina na área de exploração e produção, iniciando atividade exploratória no Uruguai. Temos um processo de avaliação em áreas no Peru, atividades exploratórias na Colômbia. Basicamente o nosso investimento é de manutenção.
Entrevistador: Teria algo novo? A saída do Irã foi puramente técnica? Vocês vão continuar insistindo lá?
Gabrielli: Nós não saímos do Irã, só tem dois poços secos. Continuaremos insistindo. O contrato terminou.
Entrevistador: Não vão existir novas concessões?
Gabrielli: Não tem nova concessão. Ninguém que seja de sã consciência na indústria do petróleo vai desconhecer que o Irã é uma das grandes áreas de reservas do mundo. Manter a presença no Irã, nós vamos manter. Mas não temos nenhuma atividade prevista para o Irã, os poços que tínhamos que perfurar, perfuramos e estão secos. Não encontramos nada.
Entrevistador: Está havendo uma aproximação com o Iraque?
Gabrielli: Com o Iraque não temos nada. O Iraque tem um contrato de serviço apenas. Não são indústrias petroleiras que assumem riscos de exploração. É uma empresa de energia que assume riscos. Portanto não interessa a ela, simplesmente receber uma taxa para fazer o serviço.
Entrevistador: A preocupação com a situação climática, ela não poderia no caso levar os países em busca de novos combustíveis mais limpos. Num prazo de 30 anos, por exemplo, a tendência é que haja um investimento enorme em combustível limpo, e é mais ou menos na época em que o pré-sal vai começar a produzir. Isso não poderia afetar: tanto investimento e de repente você começa a mudar o tipo de combustível de que se usa?



Gabrielli: A nossa visão é que, em 2030, é muito difícil prever. Então, a nossa previsão até 2030 diz o seguinte: se o crescimento da demanda dos atuais combustíveis crescer só 1% ao ano, é um crescimento muito pequeno. Esse crescimento da demanda de 1% ao ano em 2030 vai fazer com que haja necessidade de se adicionar entre 55 a 65 milhões de barris por dia de produção. Assim, praticamente, para manter o consumo atual. Porque a economia vai crescer mais do que isso, e todo esse crescimento adicional estou passando para os novos combustíveis. De onde vem essa necessidade de 55 a 65 milhões de barris? Do declínio da produção atual. Com esse declínio, torna-se necessário repor. A nossa visão é que o petróleo vai cair em termos relativos. Hoje o petróleo representa cerca de 33% da matriz energética mundial. Em 2030, essa taxa deve cair para 28%.
Entrevistador: Quando o senhor fala “cair”, refere-se ao preço?
Gabrielli: Não, falo da porção da matriz energética mundial. Mas quem vai substituir o petróleo? Em nossa visão, infelizmente, será o carvão. Conseqüentemente, carvão, petróleo e gás natural vão continuar fornecendo dois terços da matriz energética mundial. Os biocombustíveis, por exemplo, terão um crescimento extraordinário, de mais de 100%. Sairão de 0,4 para 0,9.
Entrevistador: O senhor reclama nos blogues que os jornalistas não perguntam mais sobre biocombustível…
Gabrielli: Nós vamos investir mais de US$ 2,8 bilhões em biocombustíveis até 2013. Estamos avançando! Nossa capacidade de produção de biodiesel dobrou. Tínhamos três plantas, com em torno de 130, 140 milhões de metros cúbicos, o que dobrará já no próximo ano. Estamos entrando no etanol, compramos participação em outras empresas.
Entrevistador: Está havendo uma movimentação enorme nessa área. Por que a Petrobras ainda não agiu?
Gabrielli: Porque é complicado. Nós queremos rentabilidade econômica, responsabilidade social e ambiental, dedicação ao etanol e uma série de requisitos que nos interessam e que diminuem a disponibilidade.
Entrevistador: Quando o senhor acha que a Petrobras estará pronta para fazer aquisições?
Gabrielli: O mais breve possível.
Entrevistador: E quanto tempo significa esse “mais breve”?
Gabrielli: Não sei.
Entrevistador: Ainda este ano?
Gabrielli: Não sei.
Entrevistador: Já existe alguma negociação?
Gabrielli: Existem várias negociações.
Entrevistadora: Há interesse na entrada no mercado de distribuição de gás em São Paulo?
Gabrielli: Nós não comentamos isso. Mas sobre o mercado de gás eu gostaria de comentar algumas notícias que estão saindo na imprensa. Eu acho que é um equívoco fenomenal. É realmente muito fácil atacar a Petrobras. As empresas estaduais têm o monopólio da distribuição do gás nos estados. No caso de São Paulo, a Petrobras sequer participa acionariamente das empresas. A Petrobras foi deliberadamente afastada da indústria de São Paulo porque foi proibida de participar da distribuição. Por que vendemos a distribuidora? O custo da molécula de gás na Bolívia, não ganhamos nada. E cobramos o encargo de opção, que é basicamente, o fato de ter possibilidade de ter o gás. A Petrobras investiu quase US$30 bilhões de dólares nos últimos anos para montar essa estrutura do gás no Brasil. Foi um investimento arriscado que a Petrobras assumiu. Nós teremos quase 10 mil Km de gasodutos no país. Teremos capacidade de entregar um volume gás enorme. O Gasbol tinha quatro compressores, nós fizemos 14. Tudo feito pela Petrobras neste governo.
Entrevistadora: É por isso que o gás é mais caro?

Gabrielli: Não. O que nós fizemos com as distribuidoras? Insistimos em contratualizar a quantidade de gás que damos às distribuidoras. Nós não vendemos para elas. Então, o que fizemos? Três tipos de contrato: uma parte do gás que damos às distribuidoras é o gás firme. Quantidade que garantimos acima de tudo. Uma outra quantidade é firme, porém flexível. O que significa? Que assim que não pudermos entregar essa quantidade, pagaremos o combustível alternativo. A terceira é a quantidade flexível, em que a distribuidora compra, paga o preço diferenciado e a Petrobras, se precisar, não entrega esse gás. Então, o que fizemos com isso? Criamos flexibilidade na relação contratual entre a Petrobras e as distribuidoras. A distribuidora construirá essa flexibilidade com os seus consumidores. Além disso, criamos este ano uma outra modalidade. Criamos o mercado spot de gás. Fizemos leilões para vender gás para dois meses. Nesse leilão o preço caiu 35% em relação ao preço contratual. Ou seja, criamos uma flexibilidade a mais no mercado contratual. Indústrias estão dizendo que querem contratar a Petrobras de 2016 em diante, é uma loucura! Querem que a Petrobras faça o quê? Resolva os problemas de todos os setores da economia? Não é possível! Temos que trabalhar com a flexibilidade. O mercado interno brasileiro tem uma demanda flexível que é fundamental e ótima do ponto de vista de fornecimento de energia no país.
Entrevistadora: Agora, o senhor acha que o problema pode ser reduzido com a entrada no mercado de distribuição? O problema não é oferta, é preço?
Gabrielli: O problema não é esse. Não está sobrando gás. Grande parte da demanda de gás brasileiro depende da chuva, acionamento das termoelétricas. Hoje, o gás representa 10% da geração elétrica no Brasil. Mas o gás só é usado se acham que haverá seca no futuro. Assim, o uso do gás é intermitente. Porém, o gás tem que estar disponível para quando o seu uso for necessário. Ele pode ser despachado rapidamente em 20 ou 30 minutos. A infraestrutra deve estar construída, mesmo que ele não seja usado sempre. Para que isso se mantenha é necessário flexibilidade nos contratos e flexibilidade na oferta. Como se obtém flexibilidade na oferta? De um lado, criando a rede de regaseificação e de outro, crescimento de produção de gás não-associado. É isso que está sendo feito.
Entrevistadora: E por que o preço é alto?
Gabrielli: Não tem preço alto. O preço é contratual. O pacto feito com a Bolívia, que foi assinado em 1998 e que vai até 2019. O que ele diz? Que haverá reajuste do preço do gás a cada três meses de acordo com o preço do óleo combustível 1, óleo combustível 2 e óleo combustível 3. A média ponderada desses três óleos, três meses antes, equivale ao preço do trimestre seguinte. É a regra do contrato. É esse preço do contrato mais o custo de transporte.
Entrevistadora: A Petrobras não demonstra intenção em renovar o contrato com a Bolívia?
Gabrielli: Sim! Queremos renovar!
Entrevistadora: Apesar de toda a oferta de gás que teremos a partir de 2014?




Gabrielli: Pegue a matéria do Estadão e outros jornais de São Paulo de quatro meses atrás. Você verá eles dizendo o contrário do que você está dizendo hoje: “está faltando, vai faltar gás”! É flutuante. O mercado trabalha com contratos longos. O GNV é um exemplo claro disso, com muitas alternativas: pode substituir gasolina. Há um excesso de gasolina no país. O uso de GNV para o gás é a menor parcela. A Petrobras não vende GNV. Ele é vendido pelas distribuidoras estaduais. A Petrobras não tem lucro com gás. O setor de gás da empresa deu resultado positivo neste trimestre após vários anos de resultado negativo. As distribuidoras também não lucram. Quem está ganhando não é a Petrobras.
Entrevistador: A Petrobras estuda alguma parceria para distribuição de gás?
Gabrielli: Como, se existe um monopólio? Um monopólio estadual. Isto é regulado pela agência reguladora estadual, que regula quem entra, quanto é o preço da tarifa, a autoria do gasoduto, é estadual.
Entrevistador: Mas você pode comprar os ativos…
Gabrielli: Isso é uma outra questão
Entrevistador: Tenho duas perguntas para finalizar a matéria especial, presidente, se o senhor me permite: eu queria que o senhor fizesse um balanço da administração petista dentro da Petrobras nestes sete anos?
Gabrielli: Começando, eu acho que a Petrobras valia cerca de US$14 bilhões e hoje vale US$210 bilhões. A Petrobras hoje tem um portfólio exploratório em crescimento no Brasil. A Petrobras possui hoje 47% da sua força de trabalho com menos de nove anos e possui 53% com mais de nove anos. Entre nove e dezenove não havia ninguém. É claro que o que aconteceu nos últimos sete anos foi que houve uma aceleração da renovação do custo de trabalho da Petrobras. A Petrobras fortaleceu a sua estrutura corporativa e entrou fortemente na área de biocombustíveis. Consolidou e montou a estrutura de gás natural do país. A Petrobras retomou o investimento. Em 2002 investia US$ 200 milhões por ano em refino. Hoje investe US$ 200 milhões por mês em refino. A Petrobras ampliou o market share da BR, comprou a Liquigás, participou e se tornou em termos de ranking nacional a sexta maior empresa de energia do mundo, a segunda maior empresa de petróleo entre as empresas do mundo, melhor do que a Shell, BP…só é menor do que a Esso. Então acho que é um sucesso.
Entrevistador: O senhor acha então que a eleição do Presidente Lula fez diferença?
Gabrielli: Fez diferença, foi muito favorável a Petrobras.
Entrevistador: A Petrobras é o que é hoje muito por causa do Lula?

Gabrielli: Acho que depende muito de orientações do governo. A política de conteúdo nacional renovou a indústria nacional brasileira. Nós estamos hoje em nossos investimentos, com 74% de conteúdo nacional. A nossa exigência era mais do que estavam querendo.


Entrevistador: Para terminar a minha parte, o Lula disse em Salvador, ao lado do Chávez, uma vez, que ele gostaria de ser presidente da Petrobras e chamaria o senhor para ser assessor dele.
Gabrielli: Eu gostaria muito de ser assessor do Presidente.
Entrevistador: O senhor aceitaria este cargo, senhor presidente?
Gabrielli: Aceitaria, eu gosto muito do trabalho dele …
Entrevistador: Você gostaria ou gostaria de voltar para a vida acadêmica?
Gabrielli: Não, eu conheço o Presidente há muito tempo, desde o início dos anos 80, tive o maior prazer em trabalhar com o Presidente, evidentemente que sou professor concursado, meu emprego permanente é de professor da Universidade Federal da Bahia.
Entrevistador: Então eu posso dar o recado para o Lula, que o senhor aceitaria o cargo de assistente dele?
Gabrielli: Pode transmitir.
Entrevistador: E de ministro de Minas e Energia, presidente?
Gabrielli: Eu trabalho hoje como presidente da Petrobras e estou de licença da Universidade, portanto, não estarei desempregado…
Entrevistador: Você tem algum interesse político, presidente?
Gabrielli: Não seria candidato, não pretendo ser candidato, mas já fui no passado, a última vez foi em 1990, mas não pretendo mais.
Entrevistador: O senhor já foi jornalista?
Gabrielli: Fui jornalista na década de 70.
Entrevistador: Eu queria que o senhor rebatesse as críticas da oposição, no sentido de que o governo quer apressar tudo agora para usar a Petrobras como ajuda política.
Gabrielli: Quando o governo estava estudando a proposta, a crítica da oposição era o contrário, o governo está demorando muito para apresentar a proposta. A oposição tem que ter paciência.
Entrevistador: Esta nova expansão (internacional) começa quando? A partir deste último orçamento…

Gabrielli: Este último orçamento é de 16 bilhões e nós não pretendemos expandir.
Entrevistador: A Área Internacional?
Gabrielli: Porque precisamos concentrar onde temos a área do pré-sal. No Brasil. É o ajuste de portfólio da companhia. As empresas distribuidoras, as grandes empresas que também possuem atividade distribuidora estão concentrando os seus investimentos em E&P. E reduzindo sua atividade na distribuição. Outras empresas que possuem refino estão fechando refinarias menos rentáveis e concentrando investimento em refinarias mais rentáveis.
Entrevistador: E é a grande oportunidade em E&P hoje?
Gabrielli: Só que elas estão saindo, estão fora da área de E&P, fora das áreas mais promissoras. O Brasil tem áreas. O Brasil tem essa vantagem, por ser muito grande, possui várias bacias exploratórias. Com riscos diferentes. Elas estão saindo das áreas com mais risco.
Entrevistador: O senhor acredita então que no futuro haverá novos players?
Gabrielli: Sim, evidentemente depende do caso, situação financeira e de portfólio de cada empresa. Eu tenho conversado com muitas empresas de petróleo, com centenas de fornecedores da indústria de petróleo, e o interesse em vir para o Brasil é extraordinário.
Entrevistador: Mas isso a partir da Petrobras…
Gabrielli: Não só a partir da Petrobras, aquelas que não são, que querem ser.
Entrevistador: Inclusive de infra-estrutura…
Gabrielli: Inclusive de infra-estrutura, com certeza tem negócio.
Entrevistador: Você pode citar?
Gabrielli: Não vou citar porque são concessões que estão correndo. Nós não comentamos negociação.
Entrevistador: O senhor não pode comentar?

Gabrielli: Várias empresas que não estão no pré-sal, que estão interessadas em entrar no pré-sal, têm procurado a Petrobras. Várias que não têm participação ou aquelas que têm pequena participação e que querem crescer e ter participação. Não vejo nenhuma tendência, principalmente das grandes empresas que são aquelas que estão realmente em águas profundas, pois águas profundas do mundo inteiro só têm grandes empresas, não há empresas pequenas, pois estas não têm porte. E nenhuma das grandes empresas sabe bem o que vai sair do Brasil.
Entrevistador: Eu só queria que o senhor comentasse sobre fertilizantes
Gabrielli: Nós estamos estudando fertilizantes nitrogenados, uréia, amônia…é importante chamar a atenção de que há uma relação: o fertilizante é gás, nitrogenado é gás, a matéria-prima é gás. Então quando falei muito da flexibilidade do mercado de gás, o fertilizante também tem a participação no mercado de gás. Só tem sentido isso, portanto, numa condição de aumento do uso da flexibilidade do gás como fertilizante. Tem que ser integrado com os nossos sistemas de gás.
Entrevistador: A burocracia está atrapalhando este processo, senhor presidente?
Gabrielli: Na área de potássio, temos uma concessão na Amazônia, contratamos um estudo técnico, não temos expertise, competência técnica para desenvolver projetos e estamos contratando agora, para fazer estudo técnico do potencial exploratório do potássio para nós. Mas não temos competência técnica para fazer isso. São estudos, quando estes forem terminados nós divulgaremos. Potássio é mineração. Temos que saber fazer, e não sabemos. Não temos expertise. Existia a Petroquisa, mas não existe mais.
Entrevistador: Por que a fitinha branca?
Gabrielli: Porque sou baiano.

REAJUSTE DO SALÁRIO MINIMO É UMA VITÓRIA DO MOVIMENTO SINDICAL

O mínimo de R$ 510,00 foi o valor possível que as centrais sindicais e o governo chegaram nas negociações realizadas nos últimos meses.


A Força Sindical sempre lutou por um salário mínimo digno, pois ele é um importante instrumento de distribuição de renda no País.


A Força Sindical considera que o reajuste do mínimo aumentará o poder de compra de parcela significativa de trabalhadores.


Injetará R$ 26,6 bilhões na economia brasileira, o que gerará consumo, mais produção e, conseqüentemente, geração de novos postos de trabalho.


Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical

UM ANO DO MASSACRE DE GAZA (PALESTINA)

Há um ano, Israel começava um dos mais bárbaros massacres contemporâneos.



Ingressou, com todo seu poder de fogo, em uma região já cercada, que não dava possibilidade de fuga à sua população. O Exército que, há décadas, mais recursos recebe da maior potência bélica da história da humanidade, os EUA, descarregava todo seu poderio sobre uma população indefesa, acusada de colocar em risco, com pífios foguetes domésticos (a tal ponto, que Israel não conseguiu descobrir nenhuma das supostas bases de lançamento, nem lugares de sua fabricação) que não tinham provocado nenhuma vitima no seu território. Israel utilizou inclusive armas proibidas, como fósforo branco, sobre a população palestina, encerrada na área mais densamente povoada do mundo.




Os ataques, que não encontraram nenhuma resistência militar, apenas moral, duraram 22 dias, chegando a provocar 225 mortos em um único dia. 1450 palestinos morreram, dos quais 439 menores de 16 anos e 127 mulheres. 4100 edifícios foram destruídos e outros 1 mil foram danificados. A missão de investigação da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas caracterizou os ataques como “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade”.



Foram destruídas milhares de casas, comércios, além de plantações, hospitais, escolas, universidades, clínicas – tudo que os tanques israelenses encontravam pela frente. Gaza se transformou numa terra arrasada. Quem a visitou depois daqueles terríveis 22 dias, relata que nada tinha ficado de pé, como conseqüência da orientação do Exército israelense, de que “ninguém é inocente em Gaza”.



Um ano depois da agressão, os corredores de entrada para Gaza continuam fechados, nada foi reconstruído, caminhões com alimentos e remédios apodrecem no deserto, às portas de Gaza, enquanto todo tipo de doença afeta a população, indefesa, diante do brutal cerco israelense e a impotência cúmplice da comunidade internacional. Dos 4 bilhões, 481 milhões de dólares arrecadados por mais de 70 países em conferência realizada em março no Egito, para a reconstrução, nada chegou a Gaza, fazendo com que a paisagem seja a mesma – ou pior, sobretudo pelas doenças – de quando os israelenses, impotentes para derrotar a resistência civil dos palestinos, se retiraram de Gaza.



O Egito colabora com esse cerco criminoso, ao deixar fechado o corredor a que tem acesso e ao construir agora um muro que tenta impedir a precária circulação por túneis clandestinos, por onde os palestinos fazem chegar os alimentos mínimos para impedir que morra de fome a população de Gaza. O relator especial da ONU para os territórios palestinos, Richard Falk, conclamou a que todos os países do mundo coloquem em prática sanções econômicas e de outra ordem contra Israel, pelas responsabilidades deste país no massacre e no cerco que mantêm contra Gaza.



Os 700 mil habitantes de Gaza desapareceram dos noticiários internacionais, assim que as tropas israelenses se retiraram. O governo de Israel busca desviar a atenção sobre a ocupação dos territórios palestinos e o cerco a Gaza, aumentando ainda mais a instalação de assentamentos judeus em pleno coração das cidades e dos campos da Cisjordânia, de onde saem regularmente jovens judeus, protegidos por tropas israelenses, para atacar casas, comércios, queimar plantações centenárias de azeitonas das indefesas famílias palestinas.



Israel se tornou um país odioso, racista, agente de um novo holocausto – segundo as palavras do próprio Jimmy Carter -, acobertado e armado pela maior potência militar da história, os EUA, que promove a guerra e pretende ser agente de negociações de paz. Nem sequer consegue deter a instalação de novos assentamentos – se é que pretende detê-los.


 Israel, um país que detêm, confessadamente, armamentos nucleares, ocupa territórios de outro país, impedindo que ele exerça os mesmos direitos que Israel goza, por resoluções das próprias Nações Unidas, tornando-se um Estado pária da legalidade internacional.

A posição do governo brasileiro de que somente incorporando outros governos – não comprometidos com os genocídios cometidos por Israel, que na semana passada assassinou mais 6 palestinos e continua suas detenções arbitrárias, como a de Jamal Juma, dirigente do movimento Stop the Wall –


 é que o processo de paz pode abrir horizontes reais de cumprimento das decisões da ONU, que garante a Palestina os mesmos direitos que os israelenses gozam há mais de 60 anos – o direito de ter um Estado palestino, soberano, com fronteiras delimitadas, com direito de regresso dos imigrantes, é a posição correta, que deve ser apoiada e incentivada por todos os desejam um mundo de paz, solidariedade e fraternidade e não o mundo das “guerras infinitas” de Bush, que Israel continua a colocar em prática, um ano depois do massacre de Gaza, contra os palestinos.
Emir Sader

EQUADOR E BOLIVIA SÃO CASOS DE SUCESSO EM MEIO A CRISE GLOBAL

Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia.

O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes. E o Equador tem atingido saudáveis 4,5% de crescimento durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. O artigo é de Mark Weisbrot, do The Guardian.


Mark Weisbrot - The Guardian



Texto em português publicado no Correio Internacional


De acordo com a sabedoria convencional transmitida diariamente na imprensa econômica, os países em desenvolvimento deveriam se desdobrar para agradar as corporações multinacionais, seguir a política macroeconômica neoliberal e fazer o máximo para atingir um grau de investimento elevado e, assim, atrair capital estrangeiro.



Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes.



Evo descartou o FMI apenas três meses depois de assumir a presidência e então nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural). Não é preciso dizer que isso não agradou a comunidade corporativa internacional. Também foi mal vista a decisão do país de se retirar do painel de arbitragem internacional do Banco Mundial em maio de 2007, cujas decisões tinham tendência a favorecer as corporações internacionais em detrimento dos governos.



A nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao governo boliviano bilhões de dólares em receita adicional (o PIB total da Bolívia é de apenas 16,6 bilhões de dólares, para uma população de 10 milhões de habitantes). Essas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento pelo governo, e especialmente para manter o crescimento durante a crise. O investimento público cresceu de 6,3% do PIB em 2005 para 10,5% em 2009.


O crescimento da Bolívia em meio à crise mundial é ainda mais notável, já que o país foi atingido em cheio pela queda de seus preços dos produtos de exportação mais importantes – gás natural e minerais – e também por uma perda de espaço no mercado estadunidense. A administração Bush cortou as preferências comerciais da Bolívia, que eram concedidas dentro do Pacto Andino de Promoção do Comércio e Erradicação das Drogas [ATPDA, na sigla em inglês], supostamente para punir a Bolívia por sua insuficiente cooperação na “guerra contra as drogas”.


Na realidade, foi muito mais complicado: a Bolívia expulsou o embaixador estadunidense por causa de evidências do apoio dado pelo governo estadunidense à oposição ao governo de Morales; a revogação do ATPDA aconteceu logo em seguida. De qualquer maneira, a administração Obama ainda não mudou com relação à política da administração Bush para a Bolívia. Mas a Bolívia já provou que pode se virar muito bem sem a cooperação de Washington.


O presidente de esquerda do Equador, Rafael Correa, é um economista que, muito antes de ser eleito em dezembro de 2006, entendeu e escreveu a respeito das limitações do dogma econômico neoliberal. Ele tomou posse em 2007 e estabeleceu um tribunal internacional para examinar a legitimidade da dívida do país. Em novembro de 2008 a comissão constatou que parte da dívida não foi legalmente contratada, e em dezembro Correa anunciou que o governo não pagaria cerca de 3,2 bilhões de dólares da sua dívida internacional.




Ele foi tiranizado na imprensa econômica, mas a operação foi bem sucedida. O Equador cancelou um terço da sua dívida externa declarando moratória e reembolsando os credores a uma taxa de 35 centavos por dólar. A avaliação para o crédito internacional do país continua baixa, mas não mais do que antes da eleição de Correa, e até subiu um pouco depois que a operação foi completada.


O governo de Correa também causou a fúria dos investidores estrangeiros ao renegociar seus acordos com empresas estrangeiras de petróleo para captar uma parte maior dos lucros com a alta dos preços do petróleo. E Correa resistiu à pressão feita pela petrolífera Chevron e seus poderosos aliados em Washington para retirar seu apoio a um processo contra a empresa por supostamente poluir águas subterrâneas, com danos que poderiam exceder 27 bilhões de dólares.




Como o Equador está se saindo? O crescimento tem atingido saudáveis 4,5% durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. E o governo tem garantido a redistribuição da renda: gastos com saúde em relação ao PIB dobraram e gastos sociais em geral têm sido expandidos consideravelmente de 4,5% para 8,3% do PIB em dois anos. Isso inclui a duplicação do programa de transferência de renda às famílias pobres, um aumento de 474 milhões de dólares em despesas de habitação, e outros programas para famílias de baixa renda.


O Equador foi atingido fortemente por uma queda de 77% no preço das suas exportações de petróleo de junho de 2008 até fevereiro de 2009, assim como pelo declínio das remessas de capital provenientes do exterior. Apesar disso, o país superou as adversidades muito bem. Outras políticas heterodoxas, juntamente com a moratória da dívida externa, têm ajudado o Equador a estimular sua economia sem esgotar suas reservas.



A moeda do Equador é o dólar estadunidense, o que descarta a possibilidade de políticas cambiais e monetárias para esforços contra-cíclicos numa recessão – uma deficiência relevante. Em vez disso, o Equador foi capaz de fazer acordos com a China para um pagamento adiantado de 1 bilhão de dólares por petróleo e mais 1 bilhão de empréstimo.


O governo também começou a exigir dos bancos equatorianos que repatriassem algumas de suas reservas mantidas no exterior, esperando trazer de volta 1,2 bilhões e tem começado a repatriar 2,5 bilhões das reservas estrangeiras do banco central para financiar outro grande pacote de estímulo econômico.



O crescimento do Equador provavelmente será de 1% esse ano, o que é muito bom em relação à maior parte de seu hemisfério. O México, por exemplo, no outro lado do espectro, tem projetado um declínio de 7,5% no seu PIB em 2009.


A maior parte dos relatórios e até análises quase-acadêmicas da Bolívia e do Equador dizem que eles são vítimas de governos populistas, socialistas e “anti-americanos” – alinhados com a Venezuela de Hugo Chávez e Cuba, é claro – e estão no caminho da ruína. É claro que ambos os países ainda têm muitos desafios pela frente, dos quais o mais importante será a implementação de estratégias econômicas que diversifiquem e desenvolvam suas economias no longo prazo. Mas eles começaram bem, dedicando à ordem econômica e política externa convencionais – na Europa e nos Estados Unidos – o respeito que ela merece.


Tradução: Raquel Tebaldi/Correio Internacional